Após a FURIA varrer a Sentinels, o Mais Esports entrevistou com exclusividade o Tatu, jungler das Panteras e que cumpre muito uma função de líder. Apesar da FURIA não ter perdido um mapa, o jogador se manteve bem centrado, um recado de postura do jogador sobre o que falta para a equipe brasileira ser mais constante. Confira:
No dia 1 de fevereiro, quando eliminaram a VKS, você disse que vocês precisavam consumir mais LOL, focar mais em mecânica. Tá satisfeito com essa busca?
Por enquanto sim. Mas é extremamente importante pra FURIA continuar incomodada e continuar desconfortável. Porque quando a gente acha que tá bom já, é quando a gente começa a jogar com o bumbum.
Então a gente tá indo no bom caminho, mas tem que ter a ideia de que é um caminho ainda. A gente tá longe da chegada. Estamos indo em uma boa trajetória, mas ainda tem muito passo pra dar.
E como é que faz isso? Quem regula isso?
Cara, isso se faz cobrando um ao outro. Mostrando desconforto, ficando bravo com as coisas, mostrando seus incômodos pro time. Conversando entre si. Basicamente isso.
Hoje você sai confortável da série ou você tá incomodado com alguma coisa?
Tô bem incomodado. Mas vai ficar tudo bem. Só preciso comer algo, rever os jogos depois, treinar bem amanhã, dar uma olhadinha nos games da Cloud9 também, que eles vão jogar contra a Sentinels. E acho que vou estar bem até o domingo, com certeza.
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Mas é sobre o jogo em si que está te incomodando?
Sim, sim, sobre o jogo. Acho que algumas dessas decisões early-game foram bem equivocadas, do time em geral. Preciso conversar com todo mundo.
A gente precisa entrar na mesma página sobre algumas coisas. Acho que a gente intou alguns timers. O jogo 2 me deixou bastante frustrado com a dificuldade que a gente teve de vencer. Era pra ser um stomp clean.
Mas fico feliz que todo mundo se manteve resiliente também. Não quero só olhar pra esse lado negativo. Acho que um bom time às vezes vai errar mesmo e ele volta, ele ganha. Time ruim erra uma vez e perde.
Então fiquei feliz de conseguir voltar e continuar ganhando o jogo. Mas tem bastante coisa pra olhar, com certeza, pra ter uma finalzinha domingo clean.
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Quando terminou o split pra vocês, na Copa CBLOL, você se demonstrou muito incomodado. Como é que foi a conversa após o split?
Cara, eu acho que o que eu falei depois da série fez muito bem pro time. Depois da gente perder, falei bastante lá. Aí depois você fala individualmente com cada um.
Acho que os maiores frutos se viram depois da série, conversando individualmente com cada um. O Tutsz e o Ayu entenderam bastante o que eles tinham que fazer de diferente, postura e etc. Coisas diferentes na rotina, dia de treino e tudo mais.
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Sendo sincero, quando a gente voltou o clima estava até que justo. Tava todo mundo entendendo qual era o próximo passo, o que a gente tem que fazer, a importância do campeonato.
Não sinto que eu tive que fazer coisas extremas depois dessa conversa que a gente teve depois de perder a série e depois da conversa individual. Acho que esses dois pontos foram mais importantes. Só manter o clima bom, manter todo mundo centrado, olhando pra mesma página, olhando pro mesmo lugar e ia dar certo.
Tatu, você se vê como um líder desse time?
Sim, mas tem que fazer muita coisa melhor ainda.
Tipo o quê?
Cara… uma pessoa sábia me falou que quando você se acha um bom líder, provavelmente você é um líder ruim.
E desde então comecei a refletir bastante. Acho que tem que pensar mais em algumas coisas, tentar conversar com algumas pessoas. Coisas importantes também que às vezes não são conversadas ou são deixadas de lado.
Não vou falar muito profundo assim, vou falar um pouco mais genérico pra não expor ninguém também. Mas tem muita coisa que a gente tem que melhorar ainda.
Da sua parte, não vamos tentar expor ninguém. Como você aprimora a sua liderança?
Cara, aprimorar minha liderança é ter mais experiências. Acho que vivendo as situações, reconhecendo o que está acontecendo também, sabendo ler a sala.
Entendendo como a minha figura está sendo enxergada dentro do time, qual é o meu papel, o que precisa de mim, o que eu preciso de cada um. É mais sobre entender o que tá acontecendo, entender cada situação pra saber como agir.
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Cara, eu conversei com o Furyz no jogo pós-Cloud9 e ele falou que um dos grandes desafios da FURIA foi tentar encontrar esses novos estilos. Você crê que estão conseguindo encontrar novas maneiras de jogar o jogo?
Não sei se é especificamente uma nova maneira assim. Mas eu acho que a gente tá voltando a se encontrar como time.
A gente tá começando a achar a nossa maneira, né? Não sei se a gente tá achando novas maneiras em plural. A gente tá começando a jogar mais o nosso jogo, fazer plays que a gente tá mais confortável e jogar mais agressivo, impor mais jogo.
Acho que a maior dificuldade era essa. Conseguir posturar na hora certa, conseguir fazer as coisas nos nossos momentos, reconhecer quando o momento é bom pra gente.
Todas essas coisas assim foram as nossas maiores dificuldades quando a gente estava na má fase, quando a gente estava jogando mal. E agora eu sinto que isso é um dos maiores pontos fortes.
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Queria focar nisso. O que mais você destaca como o ponto forte da FURIA nessa Américas Cup?
Acho que a gente é um time bem resiliente.
Sinto que todo mundo quer ganhar bastante também. E todo mundo está bem focado em fazer bem individual, que deixa mais fácil o coletivo.
Tipo, eu consegui ter uma boa série contra Cloud9 e contra Sentinels. O Guigo tem que estar mandando bem, o Tutsz tem que estar mandando bem, o Ayu tem que estar mandando bem, o Jojo tem que estar mandando bem. Não tem como só você, bem raro, você conseguir mandar extremamente bem com seu time fazendo algo errado ou seu time mandando mal.
Cara, teve uma jogada em específico no primeiro jogo, que foi uma threat de Baron que vocês fizeram, que pela nossa visão da câmera da Riot você aparece na trinket da Sentinels fazendo o Baron e logo depois você vai pro mato ali do mid pra engajar em todo mundo. Eu queria que você contasse um pouco da comunicação disso, o que que passou pela cabeça ali?
Quando você tá em composições desse tipo, que tem um turn forte, e a gente tem uma threat de Barão, a maioria das vezes você vai querer fazer o Baron ou ameaçar que vai fazer pra tirar a visão deles.
Geralmente eles têm ult do Ezreal, ult do Ryze, duas blue trinkets. Junto disso tem que jogar a wave. Aí tira a blue trinket deles, wave, tira a blue trinket deles e em algum momento eles vão estar sem visão.
Quando eu vi que eles não tinham mais visão, eu apareci em visão fazendo baron. E eu sabia que eles não iam esperar que o jungle estivesse fora do pit. Então eu joguei de acordo.
Galera, o que o tatu fez aqui MUITO insano. Observa como ele aparece startando o baron pra sentinels mas logo pega uma posição muito boa pra poder engajar, essa noção da furia foi muito boa(sentinels com certeza não deveria estar entrando nesse river pela bananabush mas pelo mid) pic.twitter.com/vTnjA92euC
— LOUD xyno (@xyno777) March 6, 2026
Mas também não é fácil jogar contra isso, porque muitas vezes os caras só vão terminar o Baron. E quando você faz muito isso, muito alguma play de startar pra virar ou de startar pra sair do pit, bait de trinket azul, você começa a abrir janela pra começar a startar o baron pra fazer rápido.
Porque os caras acham que você vai ficar treinando sempre. Aí você faz, por exemplo: tem como você construir uma história no jogo. Você começa fazendo Baron para turnar uma vez. Tira trinket azul duas vezes e aí tenta virar.
Se não der certo, na próxima vez os caras vão achar que a gente vai fazer isso de novo. Aí você pode já terminar o Baron, fazer rápido. A T1 fez isso bastante no Mundial que eles ganharam. É muito forte.
Foi a jogada que você mais ficou orgulhoso na série hoje?
Não, não, não. Acho que o meu Skarner tava on-point. Salvei umas fights muito bem ali.
Mas foi uma das boas plays. Acho que o jogo inteiro do Skarner foi muito bom. Salvei várias situações bem difíceis. Aquela lá que eu alinhei a ult com o Jojo, a ult do Pantheon, eu pegando ele pelas pernas. Acho que esse jogo do Skarner foi insano.
Na coletiva após eliminação, quando perguntaram se aquele era o teto da FURIA, você respondeu: “tomara que o teto não seja esse, porque se for, essa casinha é muito pequena”. Como é a sua visão do teto dessa FURIA agora aqui?
Eu acho que a gente tem um teto extremamente alto. Mas a gente tem que fazer muitas coisas pra conseguir chegar nesse teto.
Acho que nosso baixo é bem desconfortável. Quando a gente tá bem, a gente tá muito bem. Mas quando a gente tá mal, a gente começa a fazer coisas a menos, a deixar de procurar a solução. Muito estranho assim.
É uma das coisas que eu tô me preocupando pra não deixar acontecer mais também.
Mas quando a gente tá desse jeito, a gente começa a evoluir muito rápido. A gente começa a procurar mais jogadas no jogo, a gente abre muito nosso leque de jogadas.
Então agora é tentar manter esse nível, manter esse ritmo, manter essa essência. Manter a ideia de buscar por mais e de melhorar, buscando e trazendo mais coisas.
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