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CBLOL 2024: Vex – CEO da Keyd fala sobre planejamento a longo prazo e pressão por título

League of Legends

A Vivo Keyd Stars chegou com um novo planejamento para o CBLOL 2024. Focada no longo prazo, a equipe investiu em montar uma comissão técnica robusta e com capitão internacional, e a partir disso escolheu cada peça do elenco a dedo.

Apesar de SeeeL (veja a nossa entrevista com ele) ter ganhado os holofotes, a mudança de postura da organização já vem desde antes, principalmente com o retorno de Vex, que agora é um dos três CEOs da organização.

Em entrevista ao Mais Esports, Vex contou em detalhes sobre toda essa reestruturação. Como foi o seu retorno, a mudança para uma mentalidade mais “empresa” e menos “passional”, planos a longo prazo da organização e pressão por título!

*Entrevista realizada antes do começo do CBLOL 2024.

Retorno de Vex à Vivo Keyd Stars

Eu e o Edu Kim nos conhecemos há um tempão, mas ficamos um tempo sem nos falarmos, pois acabei saindo do mercado de esports. Em julho de 2022, acho, quando a Riot estava implementando a franquia do Riot e a Keyd queria aplicar, o Edu precisava de ajuda para desenvolver todo o projeto, e ele acabou me contratando. Chegamos nas últimas etapas, fizemos reunião com a Riot gringa, mas acabamos ficando entre os três times. Mas ali acabamos nos reconectando, e foi o exato momento que a Keyd passava por um momento de fusão com a galera Star Horizon, que é o Pedro, e esse desenvolvimento acabou abrindo as portas para eu estar aqui hoje.

Mudanças de processos e forma de trabalhar da Vivo Keyd Stars

Quando você fala dessa mudança de modo de trabalhar, é um processo que começou desde que entramos, pois não adianta querermos trocar tudo de uma vez só, são processos que levam tempo para crescer, então, por exemplo, só o quadro de colaboradores nosso aumento seis vezes de outubro de 2022 pra cá, então todo o crescimento de uma empresa gera dúvida, se cresce desorganizado precisamos parar, olhar para trás, dar uma organizada, ver pra onde estamos indo, mas acho que conseguimos fazer isso em 2023. 

Tenho muita experiência no League of Legends, estou no cenário desde que ele existe, e foi muito aprendizado novo. As franquias trouxeram um novo modo de operar, pensar, negociar com os jogadores, então usamos esse ano de 2023 para nos acostumarmos com todas essas mudanças que ocorreram. 

Por falar em franquias, como foi o impacto de a Keyd ter ficado de fora?

Tinham organizações que estavam aí há muito tempo, nós basicamente capinamos o cenário, então não só a Keyd, várias organizações acabaram não entrando, mas é engraçado que agora a gente vê que quem não estava acabou entrando no lugar dessas organizações que foram escolhidas no lugar, então acho que foi um ajuste de percurso do universo para colocar tudo no lugar certo. Eu não estava na Keyd na época, mas com certeza você ficar fora de um lugar que ajudou a construir dói bastante.

Uma Keyd menos “passional” e mais “profissional”

Eu nem diria que é uma mudança menos passional (da Keyd), diria que é uma mudança zero passional, zero família, e não é que a gente não se goste, mas é que ter sucesso em um negócio grande é muito difícil. Quando olhamos o esporte eletrônico, vemos organizações gigantescas que ainda estão tentando descobrir qual o melhor modelo de negócios, nós também estamos. No fim das contas a torcida só vê 40 minutos de resultado final na partida, mas para aquilo poder acontecer, tem diversas outras pessoas de diversas áreas em operações para aquilo desenvolver, então para fazer a gestão de todos e manter todos na mesma página é muito difícil.

Tivemos que trazer muito desse olhar mais corporativo para que pudéssemos quebrar essa barreira de desenvolvimento. Como vamos sentar com uma grande marca para discutir patrocínio, conversar sobre um relacionamento que vai envolver grandes trocas de dinheiro, se você não estiver no mesmo nível de profissionalismo de empresa que essa empresa que está pagando para você? Essa relação nunca vai acontecer.

Papel de cada um dos três CEOs da Keyd

Quem toca o dia a dia da empresa sou eu, em todas as áreas, o Pedro é muito ativo na parte de estratégia de esports e o Edu na parte de esports no geral. Dentro do LoL optamos por um caminho diferente do que os times estão fazendo, no sentido de montar um projeto a longo prazo que de fato tenha pessoas com experiência naquilo que queremos fazer dentro do time. Quando você traz isso, também temos que aceitar novas ideias, não adianta eu trazer um campeão da LEC, que ficou em quinto lugar no Mundial, se simplesmente vamos querer fazer do nosso jeito.

Hoje, dentro da parte esportiva, estamos muito mais em um papel de observador, entendendo as metodologias e dando um feedback mais estratégico, e quando falamos isso não estamos falando sobre o jogo, mas sim sobre como é a melhor forma de construir um ambiente vencedor, como passar feedback. Hoje acreditamos que temos pessoas muito capacitadas para que elas consigam desenvolver isso ao nível de time.

Por que fazer essa mudança de estratégia, se a Keyd estava tendo sucesso em outras modalidades?

Em qualquer competição, quando você vence, sempre vai existir o fator competência, que é muito predominante, e também o fator sorte. O que fizemos foi pensar: “como conseguimos criar uma metodologia que reduza ao máximo esse fator sorte para que o fator competência seja predominante?”, pois a competência está muito mais no nosso controle. Não é ignorar o que está sendo feito, mas conseguir olhar pra frente e pensar em como conseguimos criar uma forma em que não importa as pessoas, que a gente não precise contratar necessariamente o melhor jogador do momento, pois podemos contratar um novato e ensinar esse cara a ser muito bom.

Quando olhamos para esportes no Brasil, é muito a profissão de treinador, não existe uma faculdade pra isso, é necessário fazer muitas especializações, tem um curso ou outro que dá algum diploma, mas é algo que você aprende no dia a dia. Quando olhamos para fora onde o esporte está muito desenvolvido, às vezes a profissão do cara já é ser técnico de esporte na faculdade, e essas pessoas possuem uma metodologia. Então olhamos muito pra fora pra ver como conseguimos trazer esse aspecto para os esports no Brasil.

Transparência da Keyd com a torcida

Acho que, no final das contas, esportes eletrônicos é sobre você conseguir criar um relacionamento, você conseguir criar uma comunidade, não é sobre quantas pessoas você atrai para assistir a um jogo seu. Cara, isso é importante? Isso é muito importante, mas é o quão próximo você consegue estar com os torcedores, e qual a quantidade de torcedores que consegue estar próximos de vocês, e só conseguimos isso a partir do momento em que temos transparência.

A transparência pode ser benéfica, pode acabar doendo, mas no fim das contas, por exemplo, se o Behind the Stars não fosse uma ideia muito boa, ele não seria copiado pelos 10 times do CBLOL, pois a Keyd faz isso desde lá o começo, e no fim das contas todo mundo precisa entender que um time campeão não é só 1000 flores, existem problemas, mas o que vai determinar um time campeão ou não, não é o que ele faz nos momentos de felicidade, mas sim como ele resolve os problemas e o quão rápido ele faz isso, e o primeiro passo para resolver um problema é saber que ele existe, e se quem está dentro do time não são capazes de falar sobre problemas, ele não é resolvido.

Então a nossa transparência é muito sobre isso, somos muito gratos pela torcida que temos, fazemos isso por eles, mas também fazemos por nós, se conseguirmos ser transparente com esse tipo de conteúdo, entendemos que temos mais velocidade para resolver os problemas.

Como montar um elenco que esteja alinhado com a estratégia de longo prazo?

Vamos olhar o LoL como exemplo, dentro do que a gente entendia, do que queríamos pro LoL, pensamos que qualquer time que montássemos, se você olhar para a janela, a briga está em torno de grandes jogadores que foram campeões, e os valores de transferências e salário estão escalando muito rápido. O ponto é: adianta montar um time que tem cinco jogadores consagrados, se por trás não tem uma coach staff que consegue lidar com esses jogadores? É uma pergunta que não sei a resposta, mas se olharmos para os esportes tradicionais, se você lembrar aquele time que tem uma grande sequência de vitórias, todos eles se consegue lembrar do treinador.

É necessário um tempo para desenvolver, e claro, você não vai ganhar campeonatos sem jogadores bons, mas um jogador vai ganhar um jogo, o conjunto de jogadores ganha um campeonato. O que fizemos para montar o nosso time foi procurar um nome que entendesse isso que estamos falando, e ao olhar para o Brasil, acabamos entendendo que talvez não tenha essa pessoa aqui. Começamos a olhar pra fora, conversei com alguns treinadores, mas não dava aquele “clique”, de pensar igual com a gente.

Chegada do treinador SeeeL e scout de jogadores

A primeira vez que conversei com o Seeel, e é até engraçado, pois depois acabou viralizando com o Mitas e eu tenho até que agradecer ele, pois estávamos falando com o SeeeL bem antes, mas foi todo esse episódio que o Mitas criou que mostrou para o SeeEl que o brasileiro é louco por LoL, então obrigado Mitas, se não fosse isso ele não teria visto o quanto brasileiro gosta de LoL.

Conversamos com ele, estávamos muito alinhados, mas a partir disso precisamos olhar como iríamos montar o time. Olhamos para os jogadores que tínhamos, como queríamos montar um time, e fomos bem analíticos. Grande parte do nosso processo de Scout usou inteligência artificial, Deep Learning das soloQ do Brasil, Europa, Coreia, e no primeiro momento nem olhávamos os nicks dos jogadores.

Propositalmente removemos os nicks dos jogadores para evitar qualquer tipo de “panelinha”, e depois que chegamos em uma lista menor, aí sim fomos olhar os nicks, pois precisamos combinar o número com o perfil do jogador. Será que esse jogador vai aceitar os pensamentos que temos? Conversamos com vários jogadores, mudamos bastante, mas quando chegamos no final do processo percebemos que tínhamos o time ideal.

Por que não trazer coreanos?

Quando falamos de cultura, esse foi um dos motivos que olhamos com um pé atrás para o mercado coreano. Os jogadores lá são muito bons? São fantásticos! Mas quando a gente olha a diferença cultural, e não é só a comida, mas até como se fala com as pessoas, barreira da comunicação.

Avaliamos esse conjunto de fatores e no fim conseguimos montar o time que queríamos, um mix entre jogadores com jogadores que tínhamos dentro do elenco, que possuem o potencial de serem os melhores, mas também trouxemos jogadores com mais experiência internacional, que poderiam chamar a responsabilidade, como é o caso do Toucouille, e jogadores que são muito bons dentro do jogo, mas que também cumprem um papel fora do jogo. Hoje temos o Smiley, que é um dos primeiros a chegar e um dos últimos a sair, ele puxa todo mundo na agenda, motiva todo mundo e mantêm a galera pé no chão.

Mais investimento e olhar para os jogadores da casa

Estamos investindo mais do que no ano passado, sem dúvida nenhuma, mas acho que a gente também fez movimentos muito inteligentes, por exemplo, ao mesmo tempo que a gente trouxe o Smiley, que é um jogador que tem mais experiência, que tem tudo isso que a gente falou, e ele tem mais experiência inclusive de vida, a gente tem dentro do nosso Academy o Morttheus, que para as pessoas que acompanham o League of Legends, sabem que esse cara tem um potencial absurdo.

E a gente já fez isso no finalzinho de 2023, já preparando para que, quando esse cara estourar, ele já esteja comigo. Então, a gente também não tá olhando só pro talento quando ele explode, porque quando esse cara explode, ele merece ganhar dinheiro pra caramba, mas a gente tá olhando pro mercado para pegar jogadores no início de carreira.

Então, por exemplo, hoje a gente tem também nosso Academy, que tem isso; se você for olhar, nosso Academy teve uma reformulação muito grande em relação ao ano passado, de jogadores, a gente pegou um perfil muito mais “vamos desenvolver”, inclusive incluindo comissão técnica.

Olhares para a base da base

A gente também já tá olhando pro mais abaixo ainda, o trainee. Como que a gente consegue pegar os jogadores ainda mais cedo, porque, eles absorverem e entenderem tudo isso que a gente está criando, também não é uma coisa da noite pro dia.

O jeito que você dá feedback, como você recebe feedback, a quantidade de treino que você faz, as coisas que são importantes, a gente também precisa entender que não é só o cara ser bom no jogo, ele não vai conseguir ser um atleta se ele não conseguir entender que todo esse entorno também é importante.

A pressão de uma década sem títulos de LoL na Keyd

Cobrança por vencer sempre vai existir, ninguém monta um time, um draft ou qualquer coisa que seja pensando em perder o jogo, todo mundo quer ganhar, a diferença é como você entender o resultado de não vitória. Nós estamos dando o melhor para tentar vencer esse ano? Sim! Existem chances? Sim também, a diferença é que se nós não ganharmos esse não, não vamos considerar que o projeto é um fracasso, pois é exatamente o que o SeeEl falou, estamos construindo algo que seja duradouro, e para isso entendemos que é um processo, que talvez no primeiro split existam problemas de equipe, de coisas para encaixar o time, e nem sempre conseguimos resolver esse problema em uma semana, por exemplo.

A torcida precisa entender que queremos muito ganhar, estamos dando o nosso melhor para isso, mas vai estar tudo bem se não vencermos esse ano, mas entendermos que conseguimos evoluir, cumprir os nossos objetivos de aplicar essa metodologia para virar um time melhor para o segundo ano. É muito diferente de times que claramente abrem mão da vitória, é o contrário, queremos muito vencer, mas entendemos que tem um processo ali, pode ser que ele seja mais rápido? Pode, mas existem várias outras variáveis na equação. Nosso foco é sim em um processo a longo prazo, nossos jogadores têm mais de dois anos de contrato, temos um longo contrato com o SeeEl, então realmente estamos olhando para construir algo de verdade a longo prazo.

Pressão da torcida e patrocinadores

Foi como eu falei, todo mundo quer ganhar, mas não é necessariamente a vitória que vai dizer se evoluímos ou não. É uma avaliação muito difícil de explicar, mas podemos ficar em quarto lugar e entender que evoluímos tudo o que entendiamos que precisávamos evoluir, não ganhamos o campeonato, mas foram por detalhes que já identificamos o problema, mas, em contrapartida, pode chegar em um momento em que chegamos na final, perdemos, olhamos para trás e pensamos “poxa nós fugimos tanto do caminho que estávamos buscando” que esse segundo lugar pode ter uma sensação ainda mais distante do nosso objetivo que o segundo lugar. Então é muito mais sobre o processo e transparência, e sentamos com o nosso time de comunicação para definir novas abordagens para conseguir mostrar isso ao público.

Estamos todos bem alinhados em usar esse ano como um “laboratório” de forma inteligente. Estamos dando o nosso melhor e queremos vencer, mas se não for campeão vai ser um desastre? Não vai ser um desastre.

Bruno Rodrigues

por Bruno Rodrigues

Publicado em 23 de fevereiro de 2024 • Editado há 5 meses

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