A RED Canids atropelou a LEVIATAN e se colocou ainda mais isolada no CBLOL 2026 1º split: seguem sendo invictos de série, mas mais que isso também são invictos em mapas. Para entender mais das mudanças, momento atual e muito mais, o Mais Esports entrevistou de maneira exclusiva a mente por trás desse planejamento – o Coach Tockers.
Você sai satisfeito com a atuação da RED contra a LEVIATAN?
Satisfeito é uma palavra muito forte. Acho que não é novidade para ninguém que o jogo 1, obviamente, não saiu do jeito que eu gostaria. Mas também entendo que foi uma situação um pouco atípica hoje.
Por conta do horário, a gente chegou aqui no estúdio muito cedo. Acho que, assim, a gente chegou aqui umas 4 horas antes do jogo e… cara, tu sabe como é a mente, né? Se tu não tá focado, tá distraído, muito agitado, em horário diferente, tu acaba perdendo um pouco do foco. E eu sinto que a gente entrou no primeiro jogo muito agitado.
E essa agitação também fez a gente ir muito atrás da… eu até postei no Twitter agora, da dopamina barata.
2×0 vs lev hoje e seguimos invictos, o jogo 1 a busca pela dopamina barata foi muito forte mas conversamos no intervalo pra nao acontecer mais
jogo 2 acalmamos um pouco, jogamos bom macro e nas condiçoes
gg red e zynts é craque
— tockers (@tockerslol) April 14, 2026
Aquelas interações sem sentido que não vão ganhar nada. A gente acabou morrendo. O Stepz, no jogo 1, falou que tava bem tonto.Então ele disse que estava com um pouco de dificuldade de se concentrar, de focar.
Então tudo isso acabou se tornando um jogo bem caótico. Mas, com as mudanças do time, esse split foi justamente para esse tipo de situação, em que, por exemplo, o Stepz não teve um jogo bom, o bot errou uma, duas vezes, mas eu olho para o top e meu top tá 30 CS na frente, solo o cara. Então sempre vai vir de algum lugar esse salvador do jogo, e isso me deixa feliz.
Fora o jogo 2, que eu acredito que pouquíssimos ou nenhum time de CBLOL conseguiria executar uma comp daquelas igual a gente executou. Então não vou ficar só chateado hoje, teve seus lados positivos, sim.
Tem um detalhe que eu queria ouvir de você sobre o Zynts. Você comentou em uma coletiva que a primeira semana dele nos tryouts não foi tão boa, depois evoluiu e teve apenas dois dias de treino antes do CBLOL. Como você identificou, em tão pouco tempo, que ele era o nome certo para o projeto?
Cara, o Zynts é um cara fantástico, porque ele é muito jovem. E, se tu olha a mentalidade dele, o dia a dia, o jeito que ele faz as coisas, ele parece um veterano. Parece que tem uns 25 anos e treina de terno, sabe?
Ele faz as coisas da maneira que tem que ser. Ele tem a mentalidade correta. Ele faz tudo da maneira que realmente deveria ser feito. Acho que, se eu tivesse em termos de profissionalismo, mentalidade… ter mais jogadores como Zynts no time seria incrível nos dias de treino, sem dúvida.
Essa evolução dele passa por ele realmente saber usar os momentos, usar o dia a dia para evoluir. Ele é um cara dedicado: joga o treino, acaba o treino, joga solo queue e depois joga mais duas ou três horas de 1v1 por dia.
o cara nao cansa de trabalhar, assim que eu gosto https://t.co/NblxYW4j4n
— tockers (@tockerslol) April 14, 2026
Então, assim, a evolução dele não é do nada. Quando eu vi ele nos tryouts, eu falei: “cara, ele tem alguma coisa”. Mesmo ele jogando mal, eu vi ele morrendo, mas percebia os incentivos dele dentro do jogo, eu já conseguia ver que ele estava no caminho certo.
E depois que ele começou a trabalhar comigo, com o BellzY, todos os dias ali, a gente dando feedback, olhando as coisas dele, e ele começou a viver também o Tier 1, foi muito rápido. E só de ver a lane phase dele essa semana é simplesmente bizarro o que ele ainda vai fazer.
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Em uma live recente, você comentou que não estava feliz com o early game do time. Hoje já está próximo do ideal?
Está melhorando, é algo que a gente vem trabalhando bastante. A gente não depende do early game para ganhar jogos, como na line passada. Acho que deu para ver isso nesse jogo de Azir e Gwen. Eu sei que muita gente vai falar que era a Leviatan, mas é um time que já deu trabalho para muitos outros.
Eles têm, inclusive, o early game como uma das forças, e a gente conseguiu fazer bem a transição do early para o mid game, controlar os assignments, puxar rotações para gerar recurso em um dos carries, não morrer… todas essas coisas são muito difíceis de executar, e conseguimos.
No início, o early game era, sim, um problema, muito por conta da comunicação com o Stepz. Querendo ou não, ele é um rookie, então ainda não entende tão bem as matchups.
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Então é algo que todos os dias a gente vem conversando com ele, para que entenda as matchups, como funcionam as interações e como isso impacta o jogo dele.
Na medida em que fomos praticando mais e ele foi entendendo melhor as lanes, nosso early game foi evoluindo. Ainda está longe do que eu gostaria, mas, ao mesmo tempo, não precisamos ter o melhor early game do mundo para ganhar jogos.
Aos poucos, com mais prática, com o Stepz ganhando experiência e as lanes jogando melhor, isso vai evoluir cada vez mais. O meta também está um pouco estranho, então essa parte acaba sendo mais difícil. A jungle está bem volátil, como deu para ver nos últimos dias, e ainda estamos nos adaptando a isso.
Você sente que está “exorcizando um demônio” ao ver o Kaze finalmente vencer com Azir?
Cara, assim, acho que nas outras vezes o Azir do Kaze foi um pouco… em alguns casos, meio forçado. Acho que ele não tinha tanta maestria com o campeão. A gente acabava forçando em situações em que não deveria.
Às vezes a gente também se deixava enganar pelos resultados de algumas scrims, em vez de olhar realmente para a maestria com o campeão. Mas, recentemente, ele vem mostrando jogos de Azir que têm me surpreendido bastante. Até eu e o BellZy comentamos: “cara, a gente vai ter que pegar esse Azir”. Ele realmente aprendeu, porque agora dedicou tempo, jogou muita solo queue, reviu partidas, estudou. Ele colocou esforço para dominar o campeão, e isso foi algo que a gente acompanhou no dia a dia.
Então não foi nem exorcizar um demônio. Acho que foi mais o esforço dele sendo recompensado. Era algo que frustrava bastante ele, não conseguir ganhar com o Azir. Sendo um jogador tão talentoso, era um campeão que ele deveria ter, e foi algo que ele trabalhou bastante.
Acho que foi mais um demônio pessoal do que algo para a gente. Porque ele se dedicou muito para dominar o Azir e vem melhorando bastante com o campeão.
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Sobre expectativa: a comunidade olha para a RED e pensa “tomara que não seja outro 3×0 na final”. Isso é discutido internamente?
Cara, isso foi algo que eu deixei bem claro desde o momento em que propusemos a mudança da line. Eu falei que não adianta fazer o que estávamos fazendo (alcançar finais) e chegar nos momentos decisivos sem performar. Por isso, sugeri mudanças que eu acreditava que o time precisava para combater esses “demônios”.
Com certeza é algo que eu falo constantemente. Não foram só as mudanças, mas também o dia a dia e os treinos.
Às vezes eu falo: “rapaziada, isso aqui é o tipo de coisa que, se a gente continuar fazendo, vai chegar no momento decisivo e não vamos performar de novo. Não é assim que a gente tem que treinar, precisamos fazer diferente”. E é uma mudança que eu sinto no dia a dia.
Então não é algo que a gente ignora ou finge que não existe. Sabemos que os momentos decisivos não foram como gostaríamos, e isso é algo que precisamos resolver no dia a dia. É no treino que vamos corrigir o que não funcionou nas finais.
Ao mesmo tempo, hoje eu sinto que estamos jogando de forma muito mais controlada. Temos muito mais clareza do que estamos fazendo dentro do jogo e sabemos lidar melhor com as situações. E acredito que isso, quando chegarem os momentos decisivos, vai nos dar mais confiança para tomar decisões e puxar o gatilho. Então, com certeza, não é algo que a gente trate como inexistente. A gente sabe que foi um problema e isso é discutido constantemente.
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Essa RED parece menos agressiva e mais controlada. Você está mais orgulhoso com essa versão do time?
Sem dúvida.
Os jogos que a gente vem fazendo me agradam muito mais. Esse jogo 2, por exemplo, de Azir e Gwen, é o tipo de jogo que me agrada bastante. Eu sei que não é fácil, e pode até ter parecido tranquilo porque o meu top laner simplesmente amassou o Sion.
Mas, ainda assim, não é tão simples pilotar essa composição quanto parece. E a gente conseguiu encontrar soluções, venceu o jogo de outras formas. Antes, éramos muito instáveis nas lanes e nas skirmishes, então dependíamos de um padrão específico para ganhar, o que, sinceramente, dificultava bastante até o draft. Eu tinha mais dificuldade para draftar e encontrar essas situações.
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Hoje eu sinto o time muito mais livre. A gente consegue explorar mais opções, e estou muito satisfeito com o ritmo que estamos seguindo. Temos treinado muito bem — às vezes até demais.
E estou feliz. A gente pode ir muito longe.
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