Campeã do CBLOL 2026 1º Split, a FURIA venceu a LOS por 3-1 e levantou seu segundo título nacional no League of Legends brasileiro. Depois da série, jogadores e comissão falaram sobre a virada no quarto jogo, o peso da conquista e a preparação para a sequência de torneios internacionais.
Na coletiva, Tatu, Ayu, Guigo, Tutsz, Furyz, Luuukz e Lanterninho responderam sobre o momento do time, a evolução da line, o trabalho da staff e o que a equipe espera do MSI 2026 e da Copa do Mundo de LoL.
Tatu, o que está passando pela sua cabeça agora?
Tatu: Tô feliz, mano, tô feliz. Acho que foi um dos maiores comebacks da minha carreira, assim, esse jogo 4. Eu tava um pouco preocupado com o jogo 5, assim, sendo sincero já. Quando o Guigo morreu na alma lá dos caras.
Mas graças a Jeová, ao meu time e a todo mundo, graças a Deus a gente conseguiu se manter resiliente e achar oportunidades que fizeram a gente voltar no jogo, acho que todo mundo se manteve bem. É normal, assim, quando você erra durante a partida, você começar a dropar, perder confiança.
Muitos jogadores ali, naquela posição do Guigo, de morrer na alma, não dariam o flash que deu no Kennen depois, que garantiu o primeiro Elder pra gente virar o jogo. Inclusive, é um dos pontos mais fortes do Guigo, continuar fazendo o que tem que fazer independente da situação. E graças a Deus deu certo.
De onde vêm as ideias para um time que sempre inova tanto no estilo de jogo? E o que você sente ao conquistar seu primeiro título de CBLOL?
Luuukz: Acho que a gente tem um pool muito grande, então a gente consegue diversificar bastante, então a gente consegue criar várias estratégias. E o ponto forte é que todo mundo entende as condições para executar aquela comp.
Então, por exemplo, uma comp de Nasus, a gente sabe exatamente o que tem que fazer para ganhar com aquela comp, uma comp com TF, uma comp com Ashe e Seraphine.
Acho que a gente consegue diversificar bastante, tanto por conta da habilidade deles de conseguir jogar de vários estilos, quanto com a parte da nossa staff de fazer eles entenderem as condições para executar aquelas comps.
Sobre a segunda pergunta, sinto uma sensação de alívio e de certa realização. Muitas vezes eu me questionei se eu realmente estava no caminho certo, se o que eu ensinava estava certo.
Então eu ficava tipo: “Ainda não ganhei nada, ainda não me provei, não sei se o que eu estou falando realmente está certo, não sei se eu tenho a confiança para falar que eles devem fazer isso, mas já arrisquei bastante.” Então dá uma certa realização e mostra também que eu tô no caminho certo pra algumas coisas.
Claro que eu tenho que continuar evoluindo, é uma das coisas que eu tenho como meta, mas me mostra que eu tô no caminho certo.
Furyz, Com MSI e EWC antes da volta ao Brasil, o que a FURIA pode fazer para que essa sequência não afete o time nas competições e no retorno ao CBLOL?
Furyz: A gente já está acostumado com esse cenário. Inclusive, foi uma pauta no terceiro split do nosso mau desempenho, a gente conversou muito sobre isso. Rolou um burnout no passado, pro terceiro split.
Realmente a gente entendeu que são muitos campeonatos corridos, então depois de jogar dois camps seguidos, a gente precisa ir com calma no CBLOL, porque da última vez a gente voltou fazendo bloco noturno, louco da cabeça. Serviu de experiência, pelo menos pra agora, e a gente entendeu que precisa ir com calma na volta.
A volta do terceiro split vai ser bem devagar. Esse segundo split nosso foi devagar também, a gente começou e foi escalando durante a competição, acho que a gente entendeu um pouco melhor isso.
No segundo game, quando a LOS ganhou, qual foi o ponto alto da conversa com os meninos que fez vocês trazerem esse resultado na final?
Lanterninho: A gente identificou que precisava ter um pouco mais de ferramenta no draft, que a gente montou um draft muito quadrado, tipo, deixava as ferramentas na mão dos caras para eles criarem as situações.
E a gente optou por muito scale. A gente falou: “Ah, vamos mudar um pouco, pegar mais as rédeas do jogo.” E até os próprios players, quando eles chegaram na sala, já estavam com esse feeling igual ao da staff. E a gente mudou totalmente o nosso jeito de draftar.
Como é fazer parte da história da FURIA com esse primeiro título de CBLOL?
Ayu: Agora a FURIA é uma das organizações que tem uma LTA e um CBLOL, né? Acho que nenhuma outra tem isso. A FURIA é uma das únicas que tem LTA e CBLOL. E eu acho que como isso afeta a história da FURIA é que não foi só uma passagem na LTA que fez a gente ser campeão.
A gente ainda é um time forte e continua sendo campeão aqui no CBLOL também. Então é mais continuar o legado e mostrar que a gente pode ir por mais e ganhar muito mais títulos. Acho que é assim que afeta essa história.
Como vocês estão se sentindo para essa nova experiência internacional? Vocês se sentem preparados para mostrar um nível maior do que o do ano passado? E você quer a revanche contra a G2?
Tatu: Quero, quero, quero. Quero vencer uma série lá fora, né, porque a gente chegou, bateu na porta muitas vezes, mas não entrou nessa série. A gente ainda não ganhou uma série lá fora, mesmo que tenha sido muito quase as duas.
Então agora, esse time aqui já foi pra fora algumas vezes, a gente já treinou outras vezes contra times lá fora, a gente sabe as dificuldades, o que tem que fazer, coisas que são normais e acontecem, tipo, os horários muito diferentes, alguém vai estar muito cansado, algum treino vai ser muito difícil, então não perder confiança.
E ir bem lá fora, né. Eu sempre falei para os moleques, fiquei brincando aqui nessa reta final, tipo: “Mano, dá para ganhar o MSI, mas precisa ganhar da LOS primeiro.” Agora a gente ganhou da LOS, né? Vamos por mais nesse MSI, mano, vamos por mais, vamos fazer um bagulho bonito.
O Brasil nunca sonhou lá fora. Eu fiz isso no ano passado, a gente não fez quase muita coisa lá, mas agora eu confio que a gente faz alguma coisa, vai ser maneiro. A gente vai bem lá fora, vai dar bom.
Essa maratona com MSI, EWC e a volta ao CBLOL pode gerar cansaço e atrapalhar a busca pela vaga no Worlds? Se sim, como contornar essa situação?
Guigo: Acho que não. No mais talvez geraria um cansaço para o começo do campeonato, para o começo do terceiro split, mas a gente também estava se preparando para esse caso, caso a gente não consiga nenhum dia de folga e tal, a gente vai botar nosso staff aí pra jogar, né? Né, Lanterninho e Luuukz?
Eles ficam falando bastante: “Ah, isso aqui é muito simples, se botar eu pra jogar aí a gente ganha dos caras.” Então essa é a chance de vocês, galera, podem se provar, não tem problema.
Mas, em geral, acho que a gente vai bem hypado pros internacionais e acho que, se acontecer da gente chegar um pouco mais duro, um pouco mais lento no terceiro split, provavelmente vai ser por causa desse cansaço. Acredito que talvez ter um descanso bom seja mais importante que dar a vida para ganhar as primeiras partidas no terceiro split.
[Mais Esports] Furyz, agora você tem um título como head coach de um split inteiro. O que significa esse momento para você, que viveu todas as etapas de staff dentro da FURIA?
Furyz: Acho que muito feliz, óbvio. A oportunidade foi meio inesperada, né, no passado. Faz um ano que eu assumi a vaga do Thinkcard, então acho que a final já foi bem impactante para mim no ano passado. E agora mais dois títulos, acho que em menos de um ano. Então são três.
Foi muito rápido, então nem eu esperava que a gente fosse tão bem tão rápido. Claro que é muito mérito da gente ter um time muito… se dar muito bem junto, e acho que a gente tem uma dinâmica boa, mas é isso, acho que é só bem realizado, não sei se tinha como ter um começo de head coach melhor do que ganhar 3 vezes em 1 ano.
Tatu: Acho que não tem muito essa pergunta, não sei se essa pergunta vai surgir, então vou falar logo. Queria dar um shoutout para nossa staff, acho que eles não têm muita visibilidade, principalmente porque, se somar os followers de todos ali, dá tipo 6 mil, mas eles são muito bons, eles são excelentes, são 3 brasileiros muito bons.
Acho que o Furyz mandou muito bem assumindo o papel de head coach, o Luuukz é um excelente assistant, e o Lanterninho é um ótimo analista, excelente também, né, mas não posso repetir. O Thinkcard tá orgulhoso lá do céu.
[Mais Esports] Tutsz, depois de um período complicado na carreira, passar pelo Tier 2 e participar da reconstrução da FURIA, o que te manteve motivado para chegar até aqui e conquistar seu terceiro título brasileiro?
Tutsz: Acho que quando eu ganhei meu primeiro split em 2020, eu fiquei com um feeling de que eu queria jogar internacionalmente. Então eu meio que não me contentei muito com ganhar aquela vez e depois não ter performances muito boas no geral. Os times também estavam meio esquisitos, né, vamos ser sinceros.
Mas acho que a gente se encontra bastante nesse roster aí da FURIA em 2025. As peças se encaixaram muito bem, muito do mérito vai pro pessoal que montou o time, Maestro, Furyz, Thinkcard. Então a gente mandou muito bem nesse sentido de escolher bem as peças, as personalidades e como o time ia funcionar e jogar junto.
No geral, também queria agradecer bastante a confiança da FURIA, né, porque querendo ou não foram uns 3 splits que não tiveram resultados muito bons, então seria muito fácil trocar a mid também, mas acho que eles sempre me deram esse voto de confiança, então sou bem grato a eles por isso.
E é isso, no geral, estou muito feliz com o time. Acho que esse ano a gente ainda tem muito mais a conquistar, então é isso, é uma gratidão por tudo que aconteceu. E eu dei um pouco de sorte de ter times muito bons, tá ligado?
Tatu, a virada no quarto jogo demonstrou uma grande resiliência da FURIA. Essa maturidade é a principal diferença em relação à equipe que conquistou o título anterior? E em que momento vocês perceberam que a partida estava nas mãos da FURIA?
Tatu: Sim, sim. Com certeza, essa lineup tá muito mais resiliente. A gente tinha muito problema de virar jogo atrás antigamente e também tá muito mais inteligente dentro de jogo. Acho que a gente tá mais racional.
Tanto que no jogo 3 a gente tava numa situação ruim, o draft não foi tão legal assim, e mesmo assim a gente conseguiu se manter. No jogo 2, a gente conseguiu se manter e quase ganhar o jogo lá, num roubo de Baron, decidiu na última fight, quem sabe poderia ter sido um 3×0.
Mas isso só aconteceu porque a gente não fez coisas que não faziam sentido, nem se desesperou por estar atrás, etc. A gente jogou bem consciente, bem racional, então acho que essa é uma diferença muito grande e são os pontos principais pra se manter lá fora também.
Tutsz, na LTA vocês vieram pela chave inferior e hoje chegaram pela superior. Como é viver esses dois lados e que diferenças você sente entre eles?
Tutsz: Acho que no primeiro split lá junto, ano passado, nosso time era bem mais… Não sei como é que eu posso falar. Acho que o pessoal só… A gente sabia lutar muito bem, a gente meio que não tinha um macro tão bom, mas acho que no geral a gente amadureceu muito como time esse ano.
Acho que, por exemplo, esse tipo de comeback ano passado seria mais difícil da gente ter. Essa consciência toda que a gente tem hoje, o leque de jogadas que a gente tem hoje é bem maior.
Então acho que faz sentido ano passado a gente ter vindo da lower, porque eu sinto que a gente era um time muito mais só de fight no geral, e acho que a gente é um time muito mais inteligente hoje em dia. Acredito que a gente amadureceu bastante, é um time bem melhor do que o time do ano passado.
Tatu, você tinha enfrentado o Curse e as estatísticas não estavam muito a seu favor. Como foi esse confronto e como o Luuukz conseguiu te ajudar nessa posição?
Tatu: Não tava a favor? Não. Melhor ainda, velho. Contra tudo e contra todos. Cara, acho que a gente entende bastante o que o Curse quer fazer. A gente tem uma boa matchup contra ele, eu tenho uma boa matchup contra ele.
Acho que ele não se dá muito bem geralmente. Então, sendo sincero, a gente tava bem confiante pela jungle. Acho que eu queria mais entender como eles iam pra série em relação ao Zest, em relação às fights.
As lanes deles são muito agressivas, então o mais importante pra gente era ter um plano de como lidar com as lanes deles. Se a gente ia querer gankar cedo, trackar a ward pra ver se eles vão fazer algo errado, se a gente consegue punir essa agressividade deles. E é isso. Tem alguma coisa que eu não respondi?
Ah, sobre o Luukz, o coach Edilson. A gente chama ele de Edilson, porque ele é o maior charlatão da história. Ele fala que, se ele tivesse nascido na Coreia, ele que seria o Faker hoje em dia. Que em 2011 ele já dava late invade, que ele inventou a jungle, que ele solava o Faker quando o Faker veio pro Brasil, que ele jogava no NA, era top 1 com 200 de ping.
Aí a gente vai ver ele jogando hoje, bicho tá velho, bicho tá velho. Mas ele é esforçadinho, ele é um cara que enche muito o saco de todo mundo.
Tipo, ontem a gente teve um treino muito estranho, e aí mesmo com um treino estranho, ele chegou no Jojo e falou: “Jojo, acho que você tá intando muito.” E aí chegou no PC dele lá e começou a encher o saco do Jojo. Jojo: “Cala a boca, Luuukz.” Aí o Luuukz: “Cala a boca você, Jojo, porra, tá de sacanagem?” Aí eles começaram a discutir lá até que chegaram na conclusão.
E ter um cara que faz isso é muito importante. Ter um cara que consegue manter todo mundo desconfortável, um cara que consegue manter todo mundo querendo evoluir, ativo, etc., enchendo o saco de geral. Acho que é essencial isso, ele faz muito bem. Ele é um bom coach pra jungle também.
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