Especial Dia dos Pais: “De Belford Roxo à Islândia”,  Pairiok conta trajetória do filho campeão brasileiro

League of Legends
De:Vitor Ventura-
August 8, 2021

Em uma homenagem do Mais Esports ao Dia dos Pais, conversamos com Marcos Oliveira, mais conhecido na comunidade de LoL como Pairiok, pai do caçador da paiN Gaming, Cariok, atual campeão brasileiro e semifinalista do 2º split.

Naturais de Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ), ele conta como toda a família se envolveu com o trabalho de “Caca”, adotando até o nick para si (Pairiok e Mãeriok), o começo de carreira e o apoio infindável ao filho.

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O “Pairiok” esteve sempre junto de Cariok na caminhada profissional do jogador (Foto: Arquivo Pessoal)
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No começo da caminhada de Cariok, Marcos conta que se surpreendeu quando o filho optou por tornar um jogo, a princípio fonte de diversão, seu ganha-pão e carreira profissional. “Minha filha apresentou o jogo para ele, e a princípio era só diversão, então foi uma surpresa grande e ele levava muito a sério.”

“Às vezes ele se aborrecia, nossa internet não era tão boa e o computador também não era dos melhores, então ele passou por muitas dificuldades para chegar ao profissional que ele é hoje”, relembra.

Pairiok se recorda quando seu filho pediu para que o levasse para o primeiro campeonato, em São Gonçalo, no Rio. Marcos inclusive lembra da sensação de surpresa ao chegar no evento e muitas pessoas reconhecerem seu filho.

Depois que vi aquilo… Todos já conheciam ele, mas ainda não sabiam que eu era o pai dele. Ficamos na plateia assistindo às partidas, uns seis ou oito blocos, primeiro acredito que foi um mata-mata até chegar na final e fiquei muito contente em ver que ele já era tão conhecido. […] Ele e os amigos arrasaram, chegaram, ganharam de todo mundo e levaram o prêmio: um headset da Razer e um diploma que está na parede dele até hoje.

 

Vitória no Circuitinho e ida a São Paulo

“A rotina de Cariok seguiu a mesma”, conta o pai. “Ele sempre foi de jogar, então ele chegava da escola e já ia para o computador. Eu vi que ele precisava de uma internet melhor, então fiquei feliz em ajudar, comprei uma placa de vídeo melhor, contratei uma internet mais rápida… Pelo menos ele não ficava na rua, somos da Baixada Fluminense e ela não é bem vista, então foi bom porque ele não arranjava amizades que não valiam a pena.”

A rotina, no entanto, não continuaria igual por muito tempo. Logo, Cariok e seus amigos, na época atuando sob o nome de Freedom, se inscreveram e disputaram o “Circuitinho”, campeonato Tier 3 que dava vaga no Circuito Desafiante. Na época, o Circuitinho era disputado em três qualificatórios separados, onde a equipe para chegar aos playoffs, precisava ficar entre as oito que mais pontuavam somando essas três ligas.

A Freedom, que já contava com nomes conhecidos hoje no cenário, como o próprio Cariok, Any e Name, teve resultados muito positivos e terminou em 1º, em 3º e novamente em 1º nos qualifiers, o que os garantiu no mata-mata. Na Grande Final do Torneio de Acesso, 3-2 contra a OPK Academy e vaga garantida na Série de Promoção do Circuito Desafiante, onde o adversário seria a KEEP Gaming.

No Relegation do Circuitão, vitória esmagadora por 3-0 colocou Cariok e companhia no cenário profissional de League of Legends brasileiro. A vitória significava um passo gigante para o caçador. De um menino que “nunca tinha saído de casa”, como comentou o pai, veio o convite para ir a São Paulo.

“Ficamos com um pé atrás, não conhecíamos a organização, mas vimos o semblante dele e ele realmente queria aquilo. Nós conversamos com um dos líderes da organização, era o André, da IDM, e ele se mostrou uma pessoa bastante responsável, me passou muita segurança.”

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Cariok chegou ao CBLOL com a IDM em 2018 (Foto: Riot Games Brasil)

Pairiok conta também que estava preocupado com a conclusão dos estudos do filho, já que faltavam poucos meses para ele se formar no Ensino Médio. Foi então que André garantiu que Cariok terminaria os estudos, colocando o jogador sob sua tutela e mantendo contato constante entre Caca, em São Paulo, e a família no Rio de Janeiro.

Com o voto de confiança dos pais, Cariok partiu para a capital paulista onde começou sua caminhada na 2ª divisão do LoL nacional, mas que não seria muito longa. Depois de um 2º split de 2017 ruim, a etapa no ano seguinte foi derradeira para a IDM, que não só chegou à Final do Circuitão, como derrotou o Flamengo, garantindo a vaga direta ao CBLOL como campeão da segunda divisão.

Cariok vai à Islândia para o MSI

Pulamos alguns anos, direto para 2021, quando Cariok foi campeão do CBLOL pela paiN Gaming e foi à Islândia disputar o Mid-Season Invitational. Seu pai não contém a emoção ao falar da conquista do filho, além dos novos horizontes que ele conheceu por causa dela.

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De “menino que nunca saiu de casa”, Cariok atravessou o mundo e disputou o MSI na Islândia (Foto: Riot Games)

“Ele nunca teve ambição de ser pro player, mas quando ele entrou ele dizia ‘pai, não quero parar por aqui, quero ser cada vez melhor.’ E quando ele foi para a Islândia… Difícil até de conter a felicidade de ver ele lá, representando o Brasil, é um sonho. […] Ele pode ir pra China ainda?!”, empolga Marcos, avisando que a família toda já está pronta para ver os jogos de madrugada.

Pariok e Mãeriok: apoio ao filho até no nick

Uma das coisas que mais chamou atenção da comunidade foi quando os pais de Cariok assimilaram o nick do filho aos seus próprios, originando assim o Pairiok e Mãeriok. Marcos Oliveira explica que essa foi uma forma carinhosa de abraçar o filho na sua caminhada.

“Muitos pais não conhecem, há também aqueles que conhecem, mas não apoiam… Então é uma maneira de incentivar outros pais a fazerem o mesmo. Não tem nada melhor do que fazer algo que você gosta e as pessoas que você ama te apoiarem nisso. Você vai fazer ainda melhor! Nós, acreditando nele, ele passa a acreditar ainda mais nele mesmo.”

Bastante presente nas redes sociais (principalmente interagindo com Cariok), Marcos comemora as mensagens positivas que costuma receber da comunidade e, claro, da torcida da paiN.

“O carinho que a torcida tem por ele, reflete em nós e somos muito gratos por isso. Também ficamos muito felizes de conseguir representar uma parte dele nas redes sociais, é maravilhoso ver o carinho que as pessoas têm por ele. A paiN, a torcida… Nós nos identificamos como um fã-clube família mesmo”, afirma o agora emocionado Pairiok.

Pairiok e as duas filhas
Família de Cariok se faz presente e literalmente veste a camisa (Foto: Arquivo Pessoal)

Por fim, visivelmente orgulhoso não só do filho que criou, mas de toda a família que o cerca, Marcos Oliveira exalta ainda mais seu círculo: “Vou te falar uma verdade.”

Eu tenho três filhos, duas filhas e o Cariok e sou muito grato a Deus por todos eles. Eles são maravilhosos para mim, é um prazer que… Sabe, tem gente que tem filho, mas tem suas desavenças, mas nós não, todos nós cinco somos muito ligados uns aos outros, sempre estamos compartilhando a alegria e isso é incrível, sou muito grato aos filhos que eu tenho.

Depois de assistir, com orgulho, o filho sair de Belford Roxo em direção à São Paulo e conquistar o Brasil, não há dúvidas de que, não importa o que aconteça no futuro de Cariok, nem mesmo se o destino chama-lo para fora do país, ele sempre contará com o Pairiok na torcida.