Os esportes, do campo ao mouse, emulam sentimentos intensos: da euforia de uma grande vitória ao fundo do poço de uma derrota amarga. Orgulho, tranquilidade, esperança, decepção, frustração, raiva… Já vi todos eles em entrevistas recentes. Nem sempre, porém, há espaço para histórias de superação, especialmente no League of Legends.
Logo, a trajetória única de Envy torna sua história muito fácil de ser contada. O jogador, que foi o último colocado do CBLOL 2024 2º Split com a LOS, se viu sem espaço no Tier 1 e disputou o qualificatório para o Tier 2 no início de 2025, pela Chicago Bullas, que viraria Dopamina E-sport. Em seu split na equipe, chegou a ficar de fora dos playoffs do Circuitão.
Duzentos e noventa e um dias após sua última partida pela Dopamina, e depois de recuperar a confiança em uma boa passagem pelo Flamengo, onde alcançou o Torneio de Promoção 2025, Envy foi campeão ao receber uma oportunidade na LOUD, que precisou realizar uma troca emergencial após divergências entre Mago e o head coach da Verduxa, Raise.
Subitamente, Envy estava de volta ao Tier 1. E, com duas vitórias sobre a RED Canids na Copa CBLOL 2026, o mid laner de 27 anos voltou ao topo da principal divisão do League of Legends brasileiro — um cenário em que chegou a imaginar que não voltaria a atuar.
Ainda não caiu a ficha de que eu sou campeão. Sei lá, tá ligado? Foi do nada.
Mas toda a jornada, desde quando me ofereceram ficar como reserva na LOS (em 2025), eu decidi não aceitar e ir pra Dopamina, pegar a vaga e tentar dar o meu melhor pra mostrar minha gameplay. Depois fui pro Flamengo, cheguei bem perto de subir… foi tudo bem suado, bem difícil.
Teve momentos em que eu achei que não teria mais chances. Não sabia se alguém ainda olharia pra mim e apostaria em mim. Mas graças a Deus eu não desisti. E graças à LOUD também, que me chamou.
Fico muito feliz por ter conseguido ajudar eles e, principalmente, pela oportunidade que me deram.
Em entrevista exclusiva ao Mais Esports após o título, Envy falou sobre a conquista ao lado da LOUD e projetou o First Stand 2026, torneio em que representará o CBLOL 2026 no primeiro evento internacional do ano. Segundo o mid laner, apesar da ausência de Faker, há expectativa para enfrentar Chovy — que está no grupo dos brasileiros na competição:
Bom, infelizmente o Faker não vai estar, né? É o sonho de qualquer mid laner jogar contra ele. Mas também tem outro grande mid da geração, que é o Chovy. Acho que todo mundo quer enfrentar ele também — então, com certeza, é um dos nomes.
Caps, VicLa, knight… Eu quero jogar sempre contra os melhores. Primeiro no treino, né? Tomar um cacete nos treinos, melhorar… E dar jogo no stage. Não quero só apanhar no stage.
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Confira, abaixo, o bate-papo completo com o mid laner da LOUD.
Você chegou a pensar em parar de jogar? Teve alguém que te manteve firme durante os períodos difíceis?
Eu entrava no Google, via alguns cursos pra fazer alguma coisa. Tentava achar algo interessante, que eu pudesse gostar, mas não achei nada até agora. Ainda bem que eu também não vou precisar pensar nisso por enquanto.
Quem me manteve forte fui muito eu mesmo. E também, óbvio, minha família. Minha mãe e meu pai sempre me apoiam.
Ela sempre falava, na época em que eu tava tentando chegar no CBLOL, que eu me esforçava muito e sacrificava muita coisa também. Falava pra eu continuar fazendo a mesma coisa, que ia dar certo. Sempre dizendo que ia dar certo.
E também, como eu moro sozinho, teve uma época em que minha mãe não tava aqui. Ela ficou comigo nesses últimos dois meses pra realmente me ajudar. E, nesse tempo, era quando eu mais pensava. Quando você tá sozinho, é quando tem mais tempo pra pensar e matutar as ideias na cabeça.
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É até perigoso pensar demais. Era sempre uma batalha constante. Tipo, tô num ponto bom agora e fico num ponto ruim depois de perder. Acho que isso é muito da competição, é muito League of Legends. Um dia você tá no céu, no outro tá no inferno — e isso muda muito rápido.
Então você tem que valorizar muito bem o presente, o momento em que você tá agora. Pensando até agora, tipo: beleza, sou campeão… Mas e aí? Não acho que mostrei tudo que eu sou, tudo que eu podia mostrar. Eu sei que tenho muito a melhorar. Posso evoluir muito ainda com esse time.
Também sei que esse foi o nosso melhor LoL até agora, mas acho que a gente pode jogar bem mais, bem melhor. Então o objetivo agora já é pensar em como evoluir e melhorar.
Você comentou que não esperava jogar de novo com o RedBert. Algum motivo específico?
Não tem nenhum motivo específico. Eu só não achei que a gente teria essa sorte, ou coincidência, de jogar junto de novo. Achei que o nosso tempo já tinha passado. Mas, aparentemente, não. Ainda bem que a gente vai ter mais histórias pra contar por aí.
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E como tem sido a sua inclusão com o restante do time?
Foi bem tranquilo, todo mundo é bem aberto comigo. O playstyle dessa LOUD é muito fácil.
Então eu entrei meio que com isso em mente. Na final da upper eu já tinha entendido um pouco como eles jogavam, mas depois fiz mais quatro treinos e deu pra pegar de vez o jeito certo que eles jogam, o jeito que eles gostam de jogar.
É muito tranquilo, muito simples. Eu acho que é o League deles. E também… não tem outra palavra: é natural. É um League natural, muito fácil de entender e de se adaptar.
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Vocês são muito resilientes, tanto dentro de jogo quanto fora. Como você encara essa característica, mas agora pensando que a LOUD terá adversários mais fortes?
Eu acho que esse grupo é bem resiliente. Eles entendem muito bem quando é hora de trocar, quando é hora de recuar e estancar o sangramento. Então eles não deixam o jogo simplesmente escapar das mãos enquanto estão atrás.
Eles se agarram a toda e qualquer oportunidade. Se você erra por um segundo, a gente já tenta punir. Acho que é nesses erros do outro time, e também jogando a defesa básica do jeito certo quando você está atrás, que surgem as chances de voltar pro jogo.
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Último recado para a torcida brasileira que vai te apoiar neste First Stand?
Bom… eu quero agradecer à LOUD por me dar essa chance de novo, de estar jogando no Tier 1, que é meu sonho. Até agora, acho que é mais questão de me acostumar mesmo.
Eu ainda sonho em ser o melhor. Ainda sonho em jogar contra os melhores. Muito obrigado, LOUD. Muito obrigado a toda a torcida que apoiou, à minha família… é isso.
Agora a gente vai representar o Brasil no First Stand.
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