A jornada da FURIA chegou ao último mapa, e o desfecho foi ainda mais cruel: pela primeira vez, um representante do CBLOL encerra sua campanha no MSI sem conquistar uma única vitória em mapas. Para falar sobre a campanha, o top laner Guigo comentou mais sobre o momento da equipe em entrevista exclusiva ao Mais Esports.
Vvocê foi uma das peças mais fundamentais para a FURIA ser campeã, muito no estilo de tanks, mas pareceu difícil permanecer esse estilo. Queria saber se você concorda com isso e ouvir a sua avaliação sobre o seu segundo split.
Cara, é meio difícil falar agora, mas acredito que sim. Acho que eu sou um jogador que tem mais a mostrar do que só jogar de tank ou só jogar com os bonequinhos que fiquei jogando o split inteiro.
A minha escolha foi tentar maximizar o máximo possível essas escolhas com as quais eu tava confortável, tentar fazer a minha lane o melhor possível, porque… Acho que, por exemplo, eu virar um jogador que joga de Sion, K’Sante, Renekton, Ambessa blind pick… Do nada você ir pra um Jayce first pick ou um Gnar blind pick, eu vou ter que jogar todas as matchups. Na minha cabeça, isso requer um pouco de tempo.
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Eu acho que o tempo que a gente tinha para esse campeonato era um pouco mais curto. Então foi mais uma escolha minha tentar me maximizar nas coisas em que eu sou bom e praticar, jogar contra os melhores do mundo. Eu achei que ia dar bom. Acho que foi um pouco difícil, de fato. Acho que tentar isso foi um pouco greedy nesse aspecto, mas, no geral, eu não diria que foi horrível.
Falando do seu split mesmo, você sai orgulhoso? Qual é a sua avaliação?
Cara, acho que é positiva no geral. Se fosse comparar com o ano passado, quando fui para o MSI, acho que tive uma série muito boa contra a G2, depois uma série horrível contra a GAM.
Acho que, nesse MSI 2026, pelo menos fui um pouco mais sólido no geral, e esse era um dos objetivos que eu tinha. Mas ainda tenho expectativas maiores para mim mesmo.
Acho que a maior dor da FURIA foi a série contra a LYON. Você colocaria o aspecto mental como o maior problema?
Cara, na minha perspectiva, era um problema que a gente tinha lá no Brasil também, que sempre teve, na verdade. Tipo, a gente tá bem nos treinos e tal, mas chega no dia do jogo e age um pouco mais ansioso, um pouco mais emotivo.
Acho que isso transpareceu bastante na série contra a LYON e, pô, perder os jogos daquele jeito foi uma decepção enorme. Acredito que para todo mundo, sem exceção.
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A série de hoje até que foi divertida. Acho que teve uns momentos em que a gente tava dando match, mas parecia que, quando chegava no calcanhar dos caras, eles começavam a correr. Parecia que estavam sempre dando esse passinho a mais quando a gente alcançava eles.
Mas, no geral, acho que foi uma série em que a gente deu o nosso máximo e tava fazendo as coisas mais junto como time. A série contra a LYON foi um pouco mais desorganizada, um pouco mais ansiosa. Acho que essa foi a principal decepção.
Quando entrevistei o Maestro, ele falou uma frase que você até citou em outra entrevista: “a pressão interna tem que sempre ser maior do que a pressão externa”. Você acha que essa ansiedade também tem a ver com pressão ou é completamente fora do tema?
Ah, com certeza tem a ver.
Jogar em um palco internacional, saber que o mundo inteiro tá te vendo… Pô, jogando contra o fucking Faker aqui, tá ligado? Acho que é um negócio que bate diferente.
Existem muitas místicas de que treino tem que ser igual ao jogo, mas a realidade é que não é. A realidade fala mais alto. É outra emoção, outra forma de dar approach, outra forma de sentir.
Então acho que ter ficado muito tempo longe do stage pesou bastante na série contra a LYON.
Cara, falando sobre essa série contra a T1, é um sentimento curioso. A FURIA não ganhou nenhum mapa, primeira vez que o Brasil vivencia isso, mas, ao mesmo tempo, foi a primeira vez que a gente aplicou um ace na T1. Que sentimento fica? Porque é muito estranho, enquanto entusiasta, nem como jornalista.
Cara, acho que meu sentimento é muito parecido também.
Principalmente eu, que tô dentro do dia a dia, dos treinos, ouvindo as coisas que a gente pode fazer. Então, no geral, tô sentindo um grande mix de emoções, mas a maior de todas, com certeza, é a decepção referente à primeira série.
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Você viveu vários internacionais, não só o último pela FURIA, mas também os da RED. Como você destacaria esse internacional em relação aos outros?
Cara, de longe… Tirando os jogos, tirando realmente o torneio, eu diria que foi o melhor internacional de treinos que eu tive. Acho que a gente, como time, tava muito unido. No começo, a gente tomou muito pau contra os times muito bons, mas conseguiu scrims muito boas.
Eu, pelo menos, nunca tinha chegado a jogar contra LCK Tier 1, Tier 2, LPL Tier 1, Tier 2. E sinto que conseguimos isso nesse período em que ficamos aqui treinando. Foi uma experiência muito foda. Claro, no começo a gente tava apanhando bastante, mas dava para sentir que tava evoluindo, aprendendo, ficando louco com as coisas dando errado.
Consequentemente, a gente foi melhorando nos treinos, co “nseguindo ganhar dos caras. Internamente, eu tava me sentindo muito bem com o time e com as pessoas.
Mas, de longe, a série contra a LYON foi provavelmente a maior decepção que eu já tive jogando.
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Você pode me dizer qual foi a vitória de treino que mais te deixou hypado? Contra quem foi? Ou a situação, não necessariamente uma vitória.
No finalzinho, perto do jogo contra a LYON, a gente treinou bastante contra times da LPL.
Um dia antes e dois dias antes do jogo, a gente pegou dois times diferentes da LPL e ganhou esses dois treinos jogando bem, jogando conciso.
No primeiro dia eu já fiquei muito feliz. “Nós tá chegando nos caras, Furyz!”, não sei o quê. Aí, no segundo dia, a gente ganhou de novo. Nossa confiança tava no talo para chegar arregaçando a LYON.
Acho que essas duas scrims foram muito boas para o time.
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Querendo ou não, Guigo, é mais uma eliminação. Decepção virou uma palavra-chave. Só que a gente tava até falando na live: eu sinto que vocês estão cansados de falar a mesma coisa, enquanto a gente tá muito cansado de ouvir as mesmas coisas. Existe algo novo para falar sobre o problema, uma possível solução, um novo aspecto para toda essa mística do porquê a gente não consegue dar esse passinho a mais?
Cara, apesar de esse torneio ter sido uma bosta, eu diria para continuar prestando atenção na gente nesse EWC. Eu acho que a gente consegue se redimir. Acho que ainda não acabou tudo, entende?
Minha vontade é só jogar mais. É chegar nesse EWC arregaçando os caras, arregaçando G2, AL, e mostrar algo diferente. Essa é a única coisa em que eu penso no momento.
A peteca então ainda não caiu, né?
Não, não. Com certeza não.
Tem algum recado final?
Acho que é isso, mano. É tudo que eu tinha para falar.
Se for deixar alguma coisa para os fãs, para a galera que torceu pelo Brasil, eu queria dizer muito obrigado para todo mundo.
Acordar… Que horas são agora? Umas três, quatro da manhã?
5h43 neste momento.
Tô perdidinho. (risos)
Mas queria agradecer todo mundo. Obrigado por acordar cedo, obrigado por vir torcer. Eu sei que foi um grande desapontamento a série contra a LYON, mas saber que ainda tem gente acordando às cinco da manhã para ver uma série contra a T1 dá bastante gás para a gente também.
Então é isso. Queria agradecer a torcida e o apoio.
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