Parte do processo de evolução após uma derrota é se perdoar por ter perdido. Após a derrota por 3-0 para a Hanwha Life Esports, em entrevista exclusiva ao Mais Esports, Rodrigo, analista da G2, falou sobre como o time lida com os tropeços — e como a FURIA pode aprender com isso.
Segundo o treinador, o ponto principal depois de uma derrota pesada não é se prender ao resultado, mas manter a confiança e entender o que ainda pode funcionar no stage:
Eu acho que o mais importante é não desacreditar. Se os treinos vão bem e a preparação também, é manter a confiança em alta. Então, acho que depende muito de pessoa para pessoa, no geral. Mas o mais importante é isso: o sentimento que a gente sempre transmite, tentando ser bastante otimista e positivo.
Rodrigo também explicou os drafts, apontou falhas de conexão no jogo 1 e projetou a sequência da lower bracket. Confira, abaixo, o bate-papo com o analista da G2 Esports.
Qual foi a ideia por trás dos drafts que vocês trouxeram hoje?
Eu acho que a Hanwha Life joga muitos magos no bot, no geral. Então, a questão do draft 1 era saber que eles provavelmente jogariam de Ziggs com a lane comp. A gente tentou deixar aberta a opção da Seraphine, por exemplo, jogando de AD, porque, se eles errassem o matchup do bot, a gente poderia pegar Ashe no 3.
Depois, Seraphine AD com um suporte que dá match na Camille é bastante bom. A Camille, por exemplo, não teve muito impacto no jogo. No geral, a gente até ganhava algumas fights no late game, mas eles simplesmente lutaram melhor. Pela forma como o jogo se abriu, eu acredito que, com Warwick, Seraphine e Ryze, a gente tinha um front to back bastante forte para receber o dano e o engage deles. Então, no primeiro jogo, foi mais isso.
Nos outros, acho que foram simplesmente picks que a gente já mostrou bastante. No jogo 2, o Zeus também deu blind de Anivia top, o que não é algo que muita gente faz. A gente também estava preparado com o pick de Yasuo, que já treinamos bastante.
No geral, também foi diferente porque eles fizeram algo diferente, que é Anivia top blind. É algo que a gente também faz e que é mais comum na Europa. Mas não é algo muito estranho para a gente, no geral. Então acho que foi isso.
De resto, tirando o draft 1, que parece mais estranho, acho que a gente seguiu bastante a linha do que costuma seguir.
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No jogo 1, mesmo com uma composição que parecia responder bem à Camille, o que explica a Hanwha Life ter encontrado saídas no mid game?
Eu acho que, no jogo 1, o Labrov e o SkewMond não estavam jogando tão conectados. Eles não estavam fazendo a mesma play juntos muitas vezes. Isso fez com que a gente começasse uma jogada e um dos dois estivesse atrasado. Por causa disso, eles capitalizaram bastante.
Definitivamente, eles são bons. Então, quando você comete esses deslizes, é o suficiente para definir uma fight, por exemplo. Pela forma como o jogo se abriu, a gente provavelmente deveria ter ganhado aquele 3v3 no top.
Depois, foi a sequência que eu mencionei: acho que jungle e suporte não estavam muito alinhados. Mesmo ganhando algumas fights, a gente teve uma luta que forçou no T2, que foi muito ruim.
No geral, foi mais isso, jungle e suporte não estavam bem alinhados no primeiro mapa.
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Depois de outra derrota dura para um time asiático, o sentimento é parecido com o de outras campanhas em que a G2 conseguiu se recuperar?
Definitivamente, a nossa sample size contra os times asiáticos, tanto em jogos oficiais como em scrims, é bastante boa. Então, nesse nível, a gente sempre vai estar muito confiante de que pode ganhar de qualquer pessoa aqui neste torneio.
Eu acho que hoje, simplesmente, a gente não deu show up como time, como unidade. Então acabamos perdendo. Mas definitivamente ficam algumas learnings, como sempre. Quando você perde, é sempre importante aprender.
No geral, a confiança continua lá em cima, porque, de novo, a gente já jogou muitas vezes contra todos eles e sabe que consegue ganhar de todos. Então, a nossa confiança nunca vai ser abalada porque perdemos uma seriezinha assim. Acontece no dia.
Depois, é só focar na preparação e provavelmente jogar contra a T1, eu acho. Fazer o milagre, talvez. E a FURIA também.
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Como é esse processo de se perdoar rápido depois de uma derrota e manter a confiança para o próximo jogo?
Eu acho que depende muito da motivação das pessoas. É importante continuar motivado e acreditar. Acreditar é sempre o mais importante, porque, se você vai para o torneio sem acreditar que consegue ganhar de ninguém, você não vai ganhar.
Então, é sempre acreditar e fomentar esse sentimento. Pelo que ouvi dizer, a FURIA estava indo bem nos treinos, então é só eles manterem a cabeça erguida e saberem o que precisam fazer para ganhar no stage.
É sempre um pouco diferente, porque o pessoal dá FF mais rápido nas scrims. Eu até vi eles comentando isso, e é vida. Vão ter picks que forçam essas situações nos treinos. Então, é saber o que ganha no stage, o que ganha em scrim e como traduzir isso.
Vocês chegaram a treinar com a FURIA neste campeonato?
Não, dessa vez a gente não conseguiu. A gente até treinou contra outros times do BR que estavam dando bootcamp, mas o nosso horário com a FURIA não foi compatível no geral.
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Como vocês encaram agora a sequência da lower bracket, seja contra a T1 ou contra a LYON?
Assim, eu pessoalmente não ligo muito para revanche contra o NA. Sinto que a gente não tem que provar nada. Se jogarmos contra eles, vou ficar feliz em jogar o nosso melhor e buscar a vitória, mas não é algo em que eu pense: “Ah, eu quero a revanche contra o NA”.
Eu quero, principalmente, jogar muito contra a T1 e ganhar deles, porque é um time com bastante história, com o Faker e tudo mais. Então, acho que seria um objetivo legal eliminar a T1. É mais nisso que estou pensando agora.
Se vier a LYON, que venha a LYON, mas não tenho essa coisa de revanche contra eles.
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Como tem sido, para a sua carreira, mostrar mais do Rodrigo além do analista da G2 nos vlogs e criação de conteúdo?
Cara, para mim, é bem legal a experiência que eu fiz com os vlogzinhos. Se você não viu, vai ver. Acho uma experiência interessante.
Quando eu era mais jovem, também fazia bastante edição de vídeo e sempre pensei na criação de conteúdo. Então, agora estou simplesmente vendo se dá para fazer uma coisinha ou outra. O foco vai ser sempre a competição, então, por exemplo, no nível dos vlogs, agora não deve aparecer muito.
Mas é algo que acho engraçado de fazer quando você tem tempo, porque, no fundo, a gente está em uma indústria de entretenimento. Então é importante entreter os fãs, e eu tento sempre entreter quem eu alcanço, sejam os brasileiros ou o pessoal que fala inglês, no geral.
Está sendo uma experiência engraçada, tocando nessa parte de quando eu era mais novo e trabalhava bastante com isso. Então está sendo bom, engraçado.
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