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Opinião: Além do “Dia da Mulher”, o espaço feminino no esports

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Quando decidi escrever sobre o Dia da Mulher fiquei um pouco perdida sobre o que falar, pois não queria cair nos discursos que vemos todos os anos em que “comemoramos” a data. Minha ideia era mostrar que o esports é o nosso espaço e não devemos ser exaltadas somente em dias comemorativos.

Mesmo com um avanço nítido que tivemos da presença feminina nos jogos eletrônicos, esse caminho ainda é duro e caminha lentamente. Decidi colocar as situações que eu, Raquel, passei para entender que este espaço é meu.

Como eu entendi que o VALORANT era o meu lugar, como Mulher?

Tenho certeza que se você é mulher e está aqui neste texto, pelo menos uma vez você passou por um tipo de situação constrangedora dentro desse mundo, seja em partidas onde mandaram você “ir lavar a louça”, te xingaram de “p%t@”, ou até mesmo fora do jogo onde questionaram sua capacidade profissional, a roupa que você usava, as suas vontades ou qualquer outro estereótipo que a sociedade nos faz enfrentar.

Se você é homem e está aqui, saiba que tudo que falei anteriormente são coisas diárias que acontecem com a gente. Isso não começou hoje e não vai acabar amanhã, mas precisamos entender o porquê de tudo isso, na minha perspectiva individual.

O meu crescimento para chegar ao esports e desafios pessoais

Isso começa bem antes do cenário de esports, vou me usar como exemplo. Quando eu era criança, minha família nunca me ensinou a jogar ou a gostar de videogames, entretanto, os melhores presentes que meus irmãos ganhavam eram jogos, consoles e computadores.

Sempre ganhei bonecas, casinhas, jogos de panelinha e de cozinha. Além disso, eu tive contato com computadores, Discord, Twitch, somente em 2020, quando me vi presa em casa durante a pandemia e já não tinha mais o que fazer.

Em 2022, me lancei de cabeça para buscar meu reconhecimento profissional e, como todas as outras mulheres, comecei a sofrer por machismo e assédio, e não entendia o porquê de tudo isso acontecer.

Mas eu não desisti! E, sabe o motivo? Eu tinha certeza de que ali era o lugar que eu deveria e gostaria de estar, que precisaria superar todas as minhas crises de ansiedade e sensação de incapacidade para ter o meu espaço.

Muitas vezes recebi comentários maldosos que falavam e questionavam como eu entendia sobre jogo e me senti rebaixada em relação a homens que faziam exatamente o mesmo trabalho que eu.

Este texto não é para falar somente sobre o problema que acontece, mas é para todas as pessoas que acham que somos incapazes e inferiores aos homens que fazem parte do cenário. Além disso, não tiro o mérito de nenhum deles que lutaram e conseguiram ganhar seus espaços, mas afirmo que para nós o caminho é muito mais longo.

Quando comecei a escrever, lembrei de uma aula de Jornalismo Esportivo que tive durante a minha graduação e me recordo que ali mesmo fui descredibilizada pelo meu próprio professor, por entender algo que ele não entendia, mas o questionamento que o fiz foi primeiramente sobre como a cultura da nossa sociedade impôs nosso crescimento e agora, que estamos finalmente ocupando os espaços que antes já deveriam ser nosso, somos atacadas.

O importante aqui não são comparações, pois acredito que cada pessoa tem a sua forma de crescimento, mas como somos apresentadas diante de um mercado machista. Muitos debates aparecem quando se fala da representatividade de mulheres no esports e os comentários sempre são os mais deploráveis possíveis.

Pesquisa Game Brasil 2024 mostra que mulheres são maioria nos jogos digitais

Segundo a Pesquisa Game Brasil 2024, atualmente as mulheres representam 50,9% entre os consumidores de jogos digitais. Apesar de não haver uma discrepância grande entre os números, somos maioria no consumo de games.

Com esse número em alta, conseguimos ver mulheres presentes nos mais diversos tipos de plataformas como console, computador e mobile, alcançando posições de destaque no mundo, tendo que superar o contexto que ainda é uma pauta de que “jogos são coisas de homem”.

Alguns exemplos de mulheres que contribuem para o crescimento feminino no eSports e que são únicas para este mundo por suas capacidades e não por seu gênero.

Nyvi Estephan

Pioneira como mulher nos esports, hoje Nyvi é uma das maiores inspirações para mulheres do cenário, inclusive para mim. Eleita pelo eSports Awards 2019 como a terceira melhor apresentadora de jogos eletrônicos e a maior host da América-Latina, em uma entrevista à ESPN, em 2020, Nyvi afirmou que seu objetivo não era ser diferente, mas sim trazer outras mulheres simplesmente por seus anseios e não por seu gênero.

Christine Potter – Potter

Se tornando uma das melhores jogadoras de Counter Strike, a primeira coach mulher a se tornar campeã mundial de VALORANT foi Potter. No cenário do FPS da Riot Games, atualmente muitas pessoas a intitulam como “Mãe”. Durante o Champions 2023, questionada por mim durante a coletiva de imprensa após receber o título, ela deixou um recado a todas as mulheres que lutam todos os dias pelo mesmo espaço.

A minha mensagem para todas as mulheres é, se arrisquem! Na minha carreira, houve vários momentos onde tive medo e vocês precisam se arriscar, especialmente quando são novas e pretendem chegar ao topo.

Potter campeã do Champions 2023 com a EG
(Foto: Divulgação/Riot Games)

AMD

AMD foi a primeira brasileira a receber uma skin no Counter-Strike, a Glock Bullet Queen, produzida no Brasil. Quando ela foi presenteada e realizava uma transmissão ao vivo, em 2020, ela disse:

Da mesma forma que pode existir um cara incrível, pode existir uma rainha. Significa muito que não importa o quanto as pessoas falam que não podemos estar ali… Nós podemos sim!

Amanda é uma grande defensora da presença feminina no cenário de esports desde muitos anos e hoje atua como caster de CS2.

Fogueta

Fogueta foi a primeira narradora do League of Legends. Além disso, hoje ela atua como comentarista do CBLOL Academy ao lado de outras mulheres como Lahgolas e Tabs. Durante o 2v1 podcast, a caster falou sobre a pressão que teve quando teve que mudar de função.

Suuhgetsu

No campo da acessibilidade, especialmente de linguagem de sinais, que tem outros nomes em outros países, não esqueci de trazer também Suuhgetsu, que trouxe para o CBLOL uma ação pioneira no mundo de esports. Hoje ela é coordenadora de Libras dos dois principais jogos da Riot Games, no Brasil. Além disso, ela é a CEO do Libras no Esports, um canal dedicado para inclusão de pessoas surdas no esports.

Suuhgetsu intérprete de Libras LoL e VALORANT
(Foto: Divulgação/Prêmio Esports Brasil)

Sabrinoca

Pelo lado das criadoras de conteúdo, poderíamos citar diversas mulheres presentes no cenário. Entretanto, optei por falar sobre Sabrinoca, mulher trans que cresce a cada dia e hoje, dia 8 de março foi anunciada como criadora de conteúdo da paiN Gaming. Seus conteúdos com humor e também suas transmissões de jogos variados a tornou a brasileira mais assistida do mês de fevereiro, com 469 mil horas assistidas.

Sabrinoca Streamer
(Foto: Divulgação/Sabrinoca)

À todas que veem os nossos trabalhos como inspiração

Aproveitando para citar várias outras mulheres que trabalham no esports, como a Roberta Coelho, CEO do MIBR, a Anna Donlon, atualmente a única mulher na direção executiva do VALORANT e a Beatriz Coutinho que foi a minha referência como jornalista.

Além disso, mencionar todas as mulheres que trabalham comigo aqui no Mais Esports, 100% competentes e com um trabalho incrível (obrigada Ju, Dudinha, Thays, Lya, Sah e Nid) e único em cada área que seja.

A finalização deste texto é mais uma reflexão para todos vocês que chegarão a ler. Todas essas mulheres chegaram onde estão pelos seus esforços e por superarem as barreiras dos machismos enraizados, mas tenho plena certeza que elas não alcançaram seus lugares por serem mulheres, mas sim por suas capacidades e dedicação.

Recentemente, eu, como jornalista, recebi várias mensagens de outras mulheres que sonham em estar neste mundo e não fazem ideia do que fazer.

Muitas com receios e medos de como a comunidade vai enxergar e como elas vão conseguir chegar onde tanto sonham. O meu recado para vocês é que infelizmente ainda vamos sofrer por situações como estas, mas nunca deixe de fazer o que ama e nem que alguém te impeça de ir até o lugar que é seu!

Nós precisamos de você, porque isso não é sobre SER mulher, mas sim estar no NOSSO espaço.

Raquel Ferreira

por Raquel Ferreira

Publicado em 08 de março de 2024 • Editado há 4 meses

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