Recomeçar nunca é fácil, mas Bárbara “Babi” Micheletto trocou os halteres pelo microfone. Formada em educação física, a paulistana de 28 anos deixou a profissão como personal trainer em 2018 para se dedicar ao filho e, de casa, começou uma nova vida como streamer.
Nos últimos meses de 2018, porém, Babi não se contentou com as transmissões de suas próprias partidas e decidiu explorar um campo que ainda é praticamente inabitado por mulheres: a narração de Counter-Strike: Global Offensive.
“No começo foi tudo muito assustador. Era algo muito novo e eu não sabia se ia conseguir”, contou Babi em entrevista ao Mais Esports.
“Eu entrava no computador e chamava a reeh para estudar [narração]. A gente assistia transmissões e narrava alguns rounds. No começo foi difícil”, completou.
De acordo com Babi, o tempo de estudo disponível é limitado, mas ela o usa para observar transmissões nacionais e internacionais. A rotina atual é dividida entre assistir durante a tarde e narrar na parte da noite.
Os padrinhos e a parceria
O interesse de Babi pela narração aconteceu durante uma partida “meio mé” de um torneio nacional.
“Quem estava fazendo a transmissão era o qeP, mas não lembro o comentarista. Me prendeu muito e eu achei aquilo incrível. Foi aí que eu passei a ver com outros olhos esse mundo por trás. Sempre enxergamos só os jogadores, times e não damos atenção para os casters. Comecei a dar uma estudada e acabei me apaixonando pelos bastidores de uma partida”, explicou.
Ricardo “qeP” Fugi, inclusive, é um dos “padrinhos” de Babi. Além do narrador, o veterano Luis Felipe “Savage” Hessel também faz parte deste seleto grupo.
“Meu primeiro feedback foi, inclusive, numa live do Sav. A partir daí, meu estudo vem sendo insano em cima do feedback dos dois. Qualquer dúvida pergunto com eles. Considero eles demais e aprecio muito o trabalho deles”, contou Babi.
“Eles já estão inseridos no meio há muito tempo e a opinião deles pesa um pouco mais. Eles me explicam muita coisa e, todas as dúvidas que tive até agora, foram sanadas pelos dois. Eu vim de times e não tinha bagagem nenhuma de narração, entrei crua. Todas as críticas e feedbacks são bem vindos, mas a opinião dos dois pesa bastante nas minhas decisões”, completou.
Além dos padrinhos, Babi tem uma parceira: Renata “reehplays” Bagnato. A streamer, que também deu seus primeiros passos como comentarista em 2018, tem auxiliado a narradora nas transmissões e nos estudos.
“Quando eu pensei em narrar, postei no Twitter e ela veio falar comigo. Ai eu pedi ela em casamento na narração”, brincou Babi. “Até o fim do ano, nós estávamos bem dispersas, fora do foco que eu queria. Aí conversamos e definimos o nosso objetivo. O que pudermos fazer juntas, iremos fazer”, continuou.
Estilo impressionível
Assim como os narradores do esporte tradicional, os casters de esports têm seu próprio estilo e seus bordões únicos. Com Babi não é diferente. Quando questionada sobre seu modo de narração, ela diz que adota o “formal descontraído”.







