De jogador de LoL à manager de Valorant: Blury relembra a trajetória nos Esports

League of Legends
De:Victor Hugo Porto-
December 14, 2020

Em 2014, Daniel Sarkovas começou a carreira no cenário competitivo de League of Legends atuando como suporte. Seis anos depois, agora conhecido como Blury, o paulista se encontrou em outro título de Riot Games e com outra função: Manager da Gamelanders, a equipe mais vitoriosa do Valorant brasileiro.

“É interessante [ver a mudança de carreira]. A vida dá muitas voltas, eu tive uma carreira vitoriosa no LoL pela IMP, mas infelizmente não conseguimos nos classificar para o CBLoL mas ganhamos diversos campeonatos lá. Feliz por ser campeão aqui [Gamelanders], nosso grupo é fantástico, porém deixo sempre claro que isso é só o começo. O foco e a humildade tem que continuar sempre do mesmo jeito. Essa é a essência da Gamelanders”, declarou Blury em entrevista ao Mais Esports.

Blury também lembrou seus primeiros passos no cenário de esports, quando participou do competitivo de LoL ainda no início. “Foi bem interessante porque não tinha esse glamour que existe hoje em dia”, disse.

“Quando comecei a levar o jogo à sério, lá pelo final da season 2, o meu sonho era poder pagar minhas contas competindo. A competição foi o que sempre me atraiu seja em MOBA, FPS, esportes no geral. A ideia que eu poderia fazer isso com mais quatro amigos, morar em uma cara só para jogar e receber para isso era um sonho. Quando expliquei para meus pais que ia trancar a faculdade para ir pra IMP, morar em um apartamento com um quarto para seis pessoas, foi uma loucura. Hoje é tudo diferente, até a motivação da pessoa que quer entrar nesse meio”.

Blury Submarino
Blury atuou pela Submarino Stars, equipe formada por streamers que conquistou o acesso ao Circuito Desafiante (Imagem: Divulgação)

Em 2015, Blury se afastou das competições e começou mais uma nova função no cenário de esports. Por dois anos, o jogador não atuou em partidas oficiais para focar no programa de trainee da Twitch e trabalhou em eventos de jogos. “Eu estava um pouco cansado de jogar o tier 2, uma pena porque foi minha melhor fase mecanicamente falando”, comentou Blury.

Quando voltou a competir em 2017, Blury junto do time que veio a se tornar a Ilha da Macacada – agora FURIA -, conquistou a classificação ao Circuito Desafiante. Porém, nunca disputou um CBLoL em toda sua carreira.

“A gente sempre quer alcançar mais né? Acho que faltou oportunidade para eu ter jogado o CBLoL e mesmo nos times do Circuito Desafiante que joguei, eu sempre tive muitos problemas com organizações. Sempre fui aquele jogador que lutava pelo certo e brigava pelo time nos bastidores, desde coisas como contratos até coisas que faltavam em GH como equipamentos, alojamento etc. Acho que isso pode ter minado um pouco a minha chance em outras organizações por causa desse comportamento, mas não me arrependo de jeito nenhum. É assim que eu sempre fui, aprendi muito com isso e hoje sou um cara mais calmo e sou feliz e realizado no que faço”.

O que Blury faz hoje é o manuseamento dos jogadores da Gamelanders. Antes como o jogador “reclamão”, Blury agora é responsável por manter tudo em ordem para o elenco e a experiência do outro lado ajuda na nova função.

“A experiência na Gamelanders tem sido incrível. Já ter tido a experiência como jogador me ajuda muito como manager. Saber o que o jogador passa e o que ele precisa para desempenhar bem é essencial para esse meu cargo. Eu tenho diversos desafios diários com o time, mas alguns que valem destacar é manejar o relacionamento entre os jogadores e saber lidar com as derrotas”, explicou.

“Um time tem 8 pessoas contando com coach, analista e manager. Se o time não souber lidar com os defeitos um do outro, problemas de convivência, segurar a euforia na vitória e encarar a frustração na derrota, o time eventualmente racha. Toda essa parte fora do game entra como uma avalanche afetando desempenho, comunicação etc…”.

Blury Gamelanders
Elenco da Gamelanders e o manager Blury no intervalo entre mapas da final do First Strike (Foto: Bruno Alvares/Reprodução)

Com experiência como roteirista e diretor do programa de Yoda, amigo de Blury e ex-companheiro de equipe, o manager da Gamelanders não quer começar uma nova função no próximo ano.

“Esse time tem algo que vai além das vitórias e é isso que nos deixa cada vez mais fortes. São todos remando para o mesmo lado, e vamos continuar na mesma pegada para 2021”, projetou.

Blury, que viu o competitivo de League of Legends crescer, agora participa do cenário de Valorant – Ambos títulos geridos pela Riot Games. Blury mostrou animação com o futuro do cenário do FPS.

“A Riot é absurda em tudo que faz e no Valorant não está sendo diferente. Ninguém esperava um competitivo sólido tão cedo no Brasil, porém com o incentivo das organizadoras e da Riot, o jogo tem tomado proporções que ultrapassam as expectativas. Estou muito animado, creio que a cena de Valorant só vai crescer e estou muito feliz por fazer parte da Gamelanders”, finalizou.

Blury Gamelanders
Blury com o troféu do First Strike, conquistado pela Gamelanders (Foto: Bruno Alvares/Riot Games)

Compartilhe!