CBLOL 2026: “Buero não chegava a ser nossa sétima opção”, diz SeeEl

CBLOL 2026: “Buero não chegava a ser nossa sétima opção”, diz SeeEl

Já se foram dois; ainda faltam três. Ao chegar à Vivo Keyd Stars, SeeEl traçou um plano ambicioso de cinco anos para os Guerreiros. No início de seu terceiro ano, o head coach lidera a atual campeã nacional e última representante da liga no Mundial de LoL para a disputa do CBLOL 2026.

Pode-se dizer que a trajetória do australiano no League of Legends brasileiro, até aqui, tem sido de sucesso. Porém, para seguir evoluindo, SeeEl recorre a um outro olhar, voltado aos jogadores dos quais, segundo ele próprio, não conseguiu extrair o potencial máximo:

Para mim, pessoalmente, todos os dias eu penso nos jogadores que não deram certo, nos que não conseguiram evoluir comigo. Essa é a minha responsabilidade.

Só nos últimos dois anos, eu lembro de todos eles: Kisee, Leleko, Guigo, ProDelta, Smiley, Toucoiulle, Tyrin, Telas. Eu me lembro de cada um. Todos os dias a reflexão é: onde nós falhamos com eles e como podemos ser melhores? Essa é a conclusão. Não estamos satisfeitos com tudo.

Em entrevista ao Mais Esports, o head coach dos Guerreiros falou sobre a saída de Trymbi, a chegada daquela que, em sua visão, é a maior contratação da história do CBLOL, a contratação de Buero e o que esperar dos próximos planos da VKS. Confira:

Confira, abaixo, mais trechos do bate-papo com SeeEl.

Você esperava que fosse difícil manter o Trymbi?

Essa foi uma possibilidade, mas estávamos bastante confiantes em assinar novamente. Tínhamos a opção de continuar trabalhando com ele, porém acredito que, de forma mútua, concordamos que, para a carreira dele, o melhor seria retornar à Europa. E foi isso que aconteceu.

Isso pode até soar como uma resposta de relações públicas, mas foi exatamente o que ocorreu. As pessoas não sabem, mas eu e o Trymbi somos muito próximos. Eu trato minha staff e meus jogadores como se fossem uma família, então a decisão foi realmente mútua.

Também disse à Keyd que estava bastante confiante de que conseguiria assinar alguém que considero muito bom, e isso foi algo levado em consideração.

Foto: Reprodução/LoL Esports Flickr.

Eu falei com o Trymbi algumas vezes em 2025, e ele se posicionava como uma liderança da VKS, dentro e fora do jogo. O Kaiwing chegou a assumir esse papel?

Acho que, dentro do jogo, ele definitivamente é um líder. Fora do jogo, ele é bastante vocal em relação às próprias ideias, e nós facilitamos muito esse espaço. Vejo que o Kaiwing tem um perfil parecido, mas eu diria que, fora do jogo, ele atua ainda mais como uma liderança.

Ele tem um perfil muito calmo. É alguém firme, mas também muito autocrítico, o que cria uma atmosfera mais relaxada, porém reflexiva, dentro da equipe. Uma vibração mais voltada à autorreflexão na sala.

Por isso, ficamos até um pouco surpresos, porque a sensação foi de um silêncio quase excessivo.


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Foto: Reprodução/Riot Games.

Mas vocês acham que vão construir outro tipo de liderança dentro do time? Ou reconstruir a função do Trymbi em alguns dos jogadores?

Algo que nós queríamos era um passo à frente de todos os jogadores. Então, definitivamente, não queríamos construir o time da mesma forma que no ano passado. A ideia foi aproveitar muitos pontos positivos, mas talvez distribuir melhor as responsabilidades, de forma mais equilibrada.

Por isso, buscamos que Morttheus, Disamis e Boal dessem um passo à frente. Especificamente, acredito que o Mireu está bem como está, e entendo que essa seja a decisão correta, justamente por se tratar de um novo time.

Você não vai encontrar alguém igual ao Trymbi. O Trymbi é um jogador muito especial.

Foto: Reprodução/LTA North Flickr,

Tem tido uma discussão sobre o Kaiwing ser a maior contratação da história do CBLOL. Você acha que é um debate? E qual a sua opinião sobre?

Eu acho que isso nem deveria ser um debate. Ele acabou de sair de uma quartas-de-final de Mundial e ainda está no auge da carreira. Segundo ele mesmo e todas as pessoas ao seu redor, foi o melhor ano da sua trajetória. Talvez, individualmente, ele tenha sido um pouco melhor em 2021, quando jogava pela PSG.

Mas imagine que eu tivesse assinado o Hans Sama para jogar no Brasil. Por que isso seria diferente? Ele conquistou a PCS nove vezes, venceu a liga no ano passado, foi semifinalista do First Stand, chegou ao top 8 do Worlds no último ano e também já foi semifinalista do MSI.

Foto: Reprodução/LoL Esports Flickr.

Ele venceu títulos ao lado de jogadores como Maple, Junjia, River e Karsa, todos em seus respectivos auges.

Então, para mim, não há debate. A pergunta correta é se conseguimos integrá-lo de uma forma que nos permita ter boas performances. Estamos muito curtos de tempo. Começamos a treinar bem mais tarde do que os outros times: iniciamos em janeiro, enquanto muitas equipes começaram em dezembro.

Esse é o nosso esforço agora, de acelerar o processo de treino. Acho que a nossa primeira sessão de treinos foi contra a paiN, e não parecíamos muito bem.


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Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

Com o alto nível de investimento nesta temporada, vencer passa a ser uma obrigação. Como você encara a missão de manter a equipe no topo após o último ano?

Para ser claro, eu acho que todo split é uma obrigação para tentar vencer. É meio absurdo dizer que você precisa separar, não sei exatamente como expressar isso em português, metas de negócios vs metas competitivas.

Na posição em que eu estou, lidando com os dois lados, eu preciso separar essas coisas. Do ponto de vista do negócio, nossos indicadores de performance podem ser menores do que aquilo que buscamos como ambição máxima, mas ainda acima das exigências orçamentárias.

Por exemplo, se tivéssemos um orçamento projetado para um 7º ou 8º lugar, eu diria que, em 2020 ou 2024, estaríamos abaixo do meio da tabela, com certeza.

Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

Se você está investindo em um elenco projetado para 6º ou 7º lugar e eu sou um dos treinadores mais bem pagos, isso não faz sentido. Como treinador, não faz sentido definir meus KPIs para 1º lugar se a estrutura não permite isso, mas também não faz sentido colocá-los em 7º.

Eu sou pago para fazer meu trabalho da melhor forma possível. Por isso, inicialmente colocamos nossos KPIs em 4º lugar, depois ajustamos para 3º e, mais tarde, trabalhávamos com a meta de 2º lugar.

Mas, internamente, e também no que eu dizia aos fãs, nós acreditávamos que poderíamos vencer. E poderíamos mesmo. Então, nós sempre tentamos vencer.

Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

Se você está competindo, você sempre vai tentar ganhar. Isso nunca mudou. No ano passado, esperávamos disputar a vitória em todos os splits, e nossos KPIs refletiam isso. Nós vencemos todos os splits. Nesse sentido, é a mesma lógica.

A única diferença agora é que, antes, o orçamento estava mais concentrado na comissão técnica, e eu tinha uma responsabilidade maior de fazer o time performar acima do esperado. Hoje, os jogadores deram um passo importante em termos de suas próprias condições e compensações, e isso eleva também o nível de cobrança sobre eles.

É assim: “Ei, estamos juntos há um ano, quatro de vocês, e um chegou às quartas de final do Mundial. Então esperamos que vocês se comportem, trabalhem e joguem de uma forma que reflita isso.” Não esperamos ter que pegar na mão de ninguém para fazer a situação funcionar. Claro que a comissão técnica vai ajudar, mas são coisas diferentes.


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(Imagem: Divulgação/CBLOL)

Esperamos que a comissão técnica seja a melhor possível, e esperamos que os jogadores também sejam os melhores. A principal mudança está na expectativa em cima dos jogadores, mas a pressão para vencer nunca vai mudar.

É um pouco complexo, eu sei, mas é importante separar essas coisas. As pessoas precisam entender essa diferença. Eu vi uma entrevista recentemente, não lembro de quem foi, acho que de um treinador do CBLOL, dizendo que não acredita nessa ideia de que você não deveria vencer por causa do orçamento.

Eu discordo. Em competição, você sempre deve tentar ganhar. Isso não é uma exceção, é um negócio. Se um time termina em último lugar, ou fora do top 10, e acha que vai ganhar, isso é maluquice. Mas, internamente, do ponto de vista competitivo, como treinador, você sempre vai tentar ser campeão.

No fim das contas, isso depende do seu papel dentro da organização e do nível de responsabilidade que você carrega. E, no meu caso, eu claramente tenho um papel muito grande dentro da organização.

Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

Pensando em casos como o do Buero, existem outros jogadores que tem perfil similar, e que você sente que não foram completamente desenvolvidos?

Vou ser bem direto: o Buero foi a nossa sétima opção. Inicialmente, ele nem chegava a ser a sétima, na verdade, nem estava na nossa lista de observação. Achávamos que ele tinha tido um ano horrível na RATZ.

Na nossa visão, ele parecia mal, as referências eram ruins e a gameplay também. Isso é bem duro de dizer, mas estou sendo honesto. Qualquer pessoa que assistisse conseguiria perceber isso.

Nós avaliamos vários nomes que me interessavam e, dependendo de quem avançava no processo, a lista ia mudando. Por exemplo, eu acho que o Duduhh tem potencial. Ele ainda precisa evoluir bastante no entendimento de jogo, mas, mecanicamente, provavelmente é um dos melhores.

O atirador Duduhh, ao lado direito da imagem, em sua passagem pela KaBuM! IDL. Foto: Reprodução/Vlog KaBuM #8.

Também olhamos para o Netuno, mas não conseguimos chegar a um acordo. Avaliamos o Scuro internamente, analisamos o Kojima e eu também treinei no Kings Lendas por esse motivo. Passei muito tempo observando esses jogadores.

Analisei o Gru também. Acho que ele pode ser um bom AD Carry, mas, hoje, ele não se encaixa no perfil profissional que eu busco para a função.

O que quero dizer com isso é que ele ainda precisa trabalhar mais na comunicação dentro do jogo. Ele é muito tranquilo, o que pode ser perfeito para outro time, mas não era o que procurávamos.


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Netuno estava entre os nomes cotados para o Academy da VKS. Foto: Reprodução/CBLOL Flickr

Então, passamos praticamente por todos os nomes que você pode imaginar. Em muitos casos, os jogadores estavam presos a contratos ou havia dificuldade para chegar a um acordo. No fim, restaram algumas opções finais.

Nesse ponto, o Buero me causou uma impressão de que ele realmente parecia entender que tinha errado no passado e demonstrava muita vontade de fazer dar certo, independentemente do que fosse necessário.

Ele me disse algo como: “Eu errei muito. Se você olhar para o meu último ano, vai parecer ruim, porque eu sou muito novo, mas eu realmente quero fazer isso funcionar”.

Eu pensei: esse cara tem algo em torno de 24 ou 26 anos, não me lembro exatamente, já é relativamente mais velho para o cenário. Ele é streamer e, com certeza, ganharia mais dinheiro ficando apenas na criação de conteúdo.

Poderia viver confortavelmente fazendo YouTube, Twitch ou Kick. Mas, mesmo assim, ele escolheu perseguir a carreira competitiva porque é muito apaixonado por isso. Esse é o meu critério número um.

Foto: Reprodução/Redes sociais.

Sempre que falo com um jogador, a primeira coisa que observo é o quanto ele quer evoluir e o quanto está disposto a se dedicar à indústria. A pergunta principal, para mim, é: até onde ele está disposto a abrir mão de coisas para tentar vencer? Pessoalmente, eu abriria mão de praticamente tudo para ganhar, e acredito que já provei isso ao longo dos anos.

Quando percebi isso nele, fui conversar com o treinador assistente do Academy e perguntei o que ele achava do Buero. Inicialmente, eles não gostaram dele. Eu fiz com que ele fizesse uma entrevista, e o nosso técnico assistente era manager da RATZ. Ele também disse que não gostava dele, mas seguimos para a entrevista.

Na prática, ele estava muito abaixo na lista. Chegamos a um ponto em que restavam três nomes finais que não vou mencionar por respeito a eles, e então eu sugeri: “Vamos testar esse cara”. Fizemos várias entrevistas, e todos que inicialmente tinham uma visão negativa acabaram me dizendo que se surpreenderam positivamente.

Em determinado momento, o scamber disse que queria jogar com o Buero. Para mim, isso foi decisivo. Se o suporte do Academy queria jogar com ele, se as pessoas que antes não gostavam passaram a apoiar a ideia, se eu sentia que ele queria mais do que qualquer outro candidato e, olhando para o jogo dele, via boas mecânicas, então existia potencial ali.

Ele clica bem, bate bem, mas ainda morre muito, comete muitos erros e toma decisões ruins no mapa. Mas é exatamente por isso que estamos aqui. É para isso que existe o projeto. Vamos dar uma chance. Então, é uma aposta, uma grande aposta.

scamber, suporte da VKS Academy, teve papel importante na contratação de Buero. Foto: Reprodução/Riot Games.

Gostaria de saber como você se enxerga na conclusão de seu plano de cinco anos na VKS. Como estará o coach SeeEl e a organização daqui a três anos?

Cara, eu acho que nós dois erramos bastante. Eu, pessoalmente, errei muito. Estamos aprendendo todos os dias, essa seria a principal conclusão. Nem a VKS nem eu pretendemos ser uma organização perfeita.

A verdade é que muitas organizações tentam parecer perfeitas, mas cometem muitos erros, escondem problemas e não mostram isso ao público. Nós somos abertos. O que estamos dizendo é que não somos perfeitos, mas vamos melhorar todos os dias.

A VKS, hoje, eu acredito que seja uma das maiores investidoras no CBLOL, preciso confirmar esse dado, mas tenho quase certeza. É uma organização que cresce ano após ano, em base de fãs, números e valor de marca.

Também são os campeões mais recentes e têm um dos maiores níveis de investimento dentro do cenário competitivo. Isso mostra uma evolução enorme.


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Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

Nós dois reconhecemos que erramos bastante e estamos trabalhando para corrigir esses erros. Ao mesmo tempo, fui extremamente privilegiado por ter contado com Smiley, Benvi e Biel, assim como com a chegada do Mireu no último momento, no último split.

Também fui muito privilegiado por ter tido Luuukz e Mitohara no início do split. Isso nos ajudou a criar bases importantes no nosso jogo.

O Luuukz, por exemplo, é incrível em alguns aspectos, especialmente no trabalho de nível 1. Hoje, ele está na FURIA. E, claro, também fui muito feliz com o investimento no Boal, que deu certo. Não estou maluco, ele trabalhou muito duro.

Então, sim, eu me considero muito privilegiado, e nós, como organização, também. Vamos continuar trabalhando duro.

Quando começa a Copa CBLOL 2026 1° split?

A Copa CBLOL 2026 começa no dia 17 de janeiro. A grande final da competição está marcada para cerca de um mês depois, para o dia 28 de fevereiro.

Foto: Reprodução/LTA Sul Flickr.

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