A situação da Vivo Keyd Stars não está fácil na Copa CBLOL 2026. Em uma coletiva esclarecedora com o coach SeeEl, ouvimos de fato quais são os problemas da organização. Honesto, direto e sem eufemismos, o head-coach da VKS desabafou sobre o que realmente atrapalha internamente o time de Guerreiros.
“Nunca vi um ambiente de treino tão ruim”, diz VKS SeeEl em coletiva
Vocês perderam para todos os times do topo da tabela. Como você explica o nível atual da Vivo Keyd Stars?
Acho importante que os fãs e a mídia entendam que o nosso treinamento tem sido muito ruim. Essa é a verdade. Como vocês sabem, eu nunca deixei de comparecer a uma coletiva de imprensa após derrotas nos últimos dois anos da minha carreira como treinador — na verdade, nunca faltei a uma coletiva nos últimos seis anos. Ontem foi a primeira vez que não apareci depois de uma derrota.
-Existe um limite para o quanto eu consigo proteger os jogadores. O ambiente de treino e o nível de esforço que vimos na sala de treinamento têm sido alguns dos piores que eu já presenciei, tirando o início do ano passado e o fim de 2024. Eu colocaria isso facilmente entre as três ou quatro piores atitudes e níveis de foco que já vi entrando em sessões de treino. Tivemos uma pausa muito longa depois do Worlds e demos bastante tempo para os jogadores descansarem, mas o nível apresentado quando eles voltaram aos treinos foi completamente inaceitável.
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Estamos passando por muitas dificuldades agora. Pessoas foram disciplinadas nos bastidores e problemas foram tratados, mas pode ser simplesmente o caso de termos cometido erros demais e desperdiçado tempo demais.
Por isso, acredito que os jogos desta semana sejam apenas um curativo, não uma solução real. Eu cheguei a postar um vídeo no Twitter dizendo que tínhamos 10% de taxa de vitória nos scrims, 12% na primeira semana — nas duas primeiras semanas, na verdade — e só agora conseguimos passar dos 50%.
Então, perder para um time como a FURIA é algo normal, apesar do elenco estrelado e do investimento que fizemos como organização. No geral, isso é inaceitável. E quero deixar claro: quando o time está jogando mal, é ainda mais importante ter bons drafts e boas adaptações. Isso tem sido difícil, e eu também cometi alguns erros. No fim das contas, não estamos nada felizes, e esse foi um resultado que sabíamos que poderia acontecer nesta semana.
Vimos o Disamis reclamando bastante do draft no Behind The Stars e ontem tivemos muitas reclamações quanto ao draft. É erro dos jogadores? Do draft? O que tá acontecendo?
Para deixar bem claro: sim, erramos nos drafts, sem dúvida alguma. Isso já aconteceu outras vezes na minha carreira. Por exemplo, no primeiro MD5 contra a paiN no Split 1, eu esqueci de banir Maokai e acabamos tendo que jogar de Rell. Esses erros existem, claro.
Mas eu quero reforçar algo importante: Behind the Stars é um produto editado e polido. Vocês não conseguem ver nem ouvir o que realmente acontece nos bastidores.Quando você perde todos os scrims — ou mesmo quando vence os scrims, mas com um treino de péssima qualidade — o dado deixa de ser confiável. Na semana passada, por exemplo, tivemos 65% de win rate em scrims, mas estávamos morrendo 25 vezes por jogo de cada lado. Jogos com 50 abates. Que tipo de dado é esse? Eu estou ganhando porque compramos jogadores melhores ou porque somos bons no mapa?
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Se você olhar para nossos jogos de ontem e hoje, fica claro: nosso jogo de mapa é vergonhoso. Falta disciplina por completo. Ninguém quer abrir mão das próprias ideias para ouvir o outro. Isso gera dados falsos para o draft. Nada parece ser a decisão certa.
Historicamente, eu sou alguém que vai às redes sociais dizer que o draft foi ruim para aliviar a pressão sobre os jogadores. Mas a verdade é que não estamos fazendo nem o mínimo no treino, e isso aparece tanto no jogo quanto na preparação de draft.
E, obviamente, tudo isso é minha responsabilidade. Mesmo que houvesse problemas pessoais, eu deveria ter feito os jogadores voltarem a treinar em dezembro. Começamos apenas no início de janeiro. Essa é uma lição que aprendemos este ano.
Em 2025, você falou ao Mais Esports a seguinte frase: “O que eu sempre digo pras pessoas que não conhecem esports é: draft é só um canal, um ambiente pros fãs descontarem a frustração, pra não culparem os jogadores. O time melhor sempre vai vencer. A não ser que o draft seja imperdoável — mas isso quase nunca acontece”.
Você considera que atualmente estes drafts são imperdoáveis para ter tantas críticas suas e dos jogadores quanto os drafts?
Como eu digo, há também um aspecto de relações-públicas nisso tudo (a resposta). Eu sou um treinador que normalmente assume a pressão para si. Acho que essa é talvez a segunda ou terceira vez na minha carreira que falo algo assim. A última vez que me lembro foi no fim de 2024.
Os drafts, na maioria das vezes, eram totalmente jogáveis. Por exemplo, o argumento contra o draft de ontem é que Pantheon e Ahri deveriam atropelar o Yone na lane — um matchup extremamente favorável para eles, mas ainda assim ele (Yone) saiu da lane 50/50. Então por que perdemos? O draft faz diferença quando o time está uma merda imensa. Talvez você consiga ganhar um ou dois jogos com um draft incrível. E, sim, isso é algo que eu poderia ter feito melhor.
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Mas, para um treinador do meu calibre — alguém que já treinou na Europa, América do Norte, Oceania e agora no Brasil, e que já trabalhou com mais de 100 jogadores de ligas principais ao longo da carreira — não é aceitável cometer esses erros. Esse é o padrão que eu cobro de mim mesmo.
O que estou comunicando pra você, comissão técnica, imprensa e aos fãs é que existe um problema muito mais profundo. Precisamos ter mais fome de vencer. Precisamos querer ganhar mais do que qualquer outra coisa. Isso, para mim, é o ponto mais importante e nós não estamos fazendo isso. Esse é o verdadeiro problema.
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