Do jogador genial e personagem controverso ao comandante técnico da RED Canids, já são mais de 10 anos de carreira de Tockers no cenário brasileiro de League of Legends.
Mesmo com tanto tempo de estrada, não é comum ver o head coach da Matilha ter uma reação mais explosiva diante das câmeras, como aconteceu após a derrota para a LOUD na Copa CBLOL 2026, na última semana.
Em entrevista exclusiva ao Mais Esports, o técnico da RED afirmou que a repercussão passou longe de lhe agradar, mas que já imaginava que o momento poderia viralizar após a gravação:
Cara, sinceramente, odiei que isso repercutiu. Eu prefiro as coisas, às vezes, mais chilling, mais no anonimato ali. Mas, quando eu percebi que tinha uma câmera me gravando, já imaginava o que isso poderia desencadear.
Confira, abaixo, mais trechos do bate-papo com RED Tockers.
Não sei se vocês tinham essa estatística, mas já eram 700 dias sem a RED vencer a Vivo Keyd Stars. Essa sequência sem vitórias serviu como combustível para vocês ao longo da semana?
Cara, a gente queria muito ganhar da Keyd, até pelo split passado, quando não conseguimos vencer eles. Mas, em relação ao que aconteceu antes de eu entrar, ou até dos moleques mais novos chegarem, acho que isso não serviu como combustível, não.
A gente estava igualmente focado na LOS também, então não teve como dar uma preferência para a Keyd. A vontade maior era mais pelo que aconteceu no último split do que necessariamente por essa estatística, que, lá dentro, a gente nem sabia.
O que explica o early game tão forte de RED e LOS neste meta e o que você espera desse confronto?
Cara, acho que é o mesmo motivo para os dois times. Ambos têm ótimos laners. Principalmente a gente, não tenho dúvida de que temos os melhores laners do campeonato.
Não existe mais swap, então muitas coisas que antes eram mascaradas por isso deixaram de existir. Agora você é obrigado a jogar a lane, a ter boas respostas para os campeões do meta, e nisso a gente tem se saído muito bem.
Na LOS é um pouco parecido. Eles também têm bons laners. O Zest tem conseguido ótimas performances, e o Feisty, apesar de não ser um grande laner, é alguém que joga muito para o mapa. Ele faz esse “meio-campo”, abrindo espaço para o Zest e para a bot lane jogarem melhor.
Essa característica, hoje, é o que faz os dois times terem early games tão fortes.
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Falando sobre laners, o Kaze foi muito bem hoje e vocês puniram bastante as side lanes da VKS. Como é o trabalho de potencializar aquilo que vocês já fazem bem, sem deixar de evoluir em outros aspectos do jogo?
Cara, sinceramente, a side lane nesta season está um pouco menos relevante do que foi na season passada. Antes, com 8, 9, 10 minutos, o jogo de side lane já começava. Hoje, isso só vai acontecer lá pelos 13, 14 minutos e ainda por pouco tempo, porque logo já nasce o Arauto, já nasce o Dragão, então a side lane perde um pouco de importância.
Essa era uma força nossa, que a gente consegue explorar menos agora. Mas acredito que, neste jogo em específico, passou muito mais pelos picks. A gente tinha Pantheon e Bardo, o que já impede eles de jogarem side lane com liberdade, e eles vieram de Yone, que depende um pouco disso, além de um Rumble, que também é vulnerável.
Então, nosso draft favorecia bastante o controle de mapa. Eles precisavam esperar as lutas em torno dos objetivos para conseguir jogar, mas acabaram forçando lutas com a gente antes mesmo desses momentos. Aí ficou relativamente fácil para a nossa composição punir, e a gente conseguiu construir a vantagem antes mesmo das grandes lutas.
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O Rabelo comentou na coletiva que o foco do trabalho dele nesta semana foi muito mais mental, por conta de uma queda de confiança. Como foi esse trabalho, de forma mais específica, para recuperar o mental do jogador?
O Rabelo é um excelente jogador. Mas todo jogador que começa a duvidar de si mesmo acaba passando por altos e baixos, pode ter algumas semanas turbulentas.
Isso era algo que eu e o BeellzY já tínhamos identificado, mas ainda não sabíamos exatamente como resolver. Então, obviamente, a gente tem conversas — conversas sobre como lidar com a cobrança, mas também sobre como um pode ajudar o outro a se colocar para cima, a se apoiar.
Porque, no fim das contas, é sempre a gente contra eles. Então a gente precisa se ajudar, seja a staff com os jogadores, seja os próprios jogadores entre si. Essa foi uma conversa que tivemos a semana inteira: sobre se levantar, sobre fazer bem um ao outro.
Foi, inclusive, um papo que tivemos pouco antes do jogo. O próprio BeellzY chamou e disse: “Cara, acho que identifiquei o problema e consigo resolver”. Então, principalmente, muitos méritos do BeellzY por ter ajudado o Rabelo essa semana. Acho que os dois fizeram um trabalho muito bom.
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Após a conversa pós-derrota para a LOUD no RED to Hunt, algumas pessoas compararam seu perfil ao do Fernando Diniz, conhecido por cobranças mais duras. O que você achou da comparação e da repercussão?
Sobre a comparação com o Fernando Diniz, que eu acho bem forte, com certeza não é correto eu me comparar com um treinador de futebol que tem muito mais experiência. Além disso, acho que são tipos de cobrança diferentes.
Eu não cobro tanto no dia a dia. As cobranças que eu faço são mais pontuais. Eu prefiro ser pontual na cobrança. Obviamente, nunca vou falar que está tudo bem, mas também não sou alguém que faz cobranças duras diariamente.
Tento levar mais na conversa, em algo que o próprio jogador reconhece que está errado e resolve por conta própria. Acho que, em alguns momentos, eu só acabo fazendo cobranças mais acaloradas. Então não diria que me comparo nesse sentido.
No geral, eu sou bem chill. Só, pontualmente, faço cobranças um pouco mais fortes.
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Você fez parte do Exódia, período em que a pressão nos esports foi muito debatida na comunidade. Você enxerga paralelos entre aquela fase da sua carreira e essa conversa mais recente?
A nossa pressão na época do Exódia era bem intensa, porque a gente se cobrava muito internamente. Aquilo também era, de certa forma, a nossa diversão.
Mas, ao mesmo tempo, hoje eu não acho que fazíamos isso da maneira mais correta. Acho que é necessário ter um pouco de leveza, ter um ambiente bom, um ambiente descontraído. Isso dá mais liberdade para os jogadores e também faz com que o processo, ao longo do tempo, seja muito mais sustentável, para não virar algo passageiro, um “fogo de palha”.
Eu gosto que os jogadores consigam se divertir. Gosto que eles tenham essa capacidade de manter um clima legal, porque isso ajuda a construir algo mais longo, mais duradouro, em que todos estejam dispostos a se sacrificar mais.
Mas, ao mesmo tempo, tudo tem limite. É importante encontrar esse equilíbrio. E eu acho que, se a gente achar esse ponto, vamos ser um time duradouro, capaz de performar por muito tempo, se divertir, fechar jogos e manter a seriedade ao mesmo tempo.
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