A FURIA está invicta e nas palavras proferidas pelo Guigo no palco do CBLOL 2026 foi “bootcamp diff”. Dessa vez, em entrevista exclusiva ao Mais Esports, o top-laner das Panteras comentou sobre a difícil reta-final do ano de 2025, mais sobre a passagem na Coreia e atual momento individual e coletivo.
Guigo você dominou nessa match-up de Jax contra Zaahen do Robo! O que dizer?
É, mano. Os caras tão voltando agora, despreparado, e eu tava lá ralando na Coreia!
Você acha então que esse bootcamp foi, de fato, bem benéfico até pra pegar essa mudança de season?
Cara, sim — o que mais mudou foi o mapa, né? Não teve tanta mudança em champion. Então boa parte do que era meta lá na Coreia — eu diria uns 80% do que a gente jogava na pré-season — se manteve pra essa season nova. Foi bem útil, pelo menos pra mim, né?
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Você acha também que o fato de vocês não terem treinado, só terem jogado LoL pode ter feito um bem pra cabeça? Porque eu ouço muito sobre times treinarem contra, por exemplo, times do Tier 2 e aí churrascarem. Você acha que isso fez diferença?
Na minha visão um pouco mais profissional, eu acho que uma coisa não tem muita relação com a outra. Inclusive jogar solo queue talvez seja mais estressante, porque você tá num ambiente menos controlado: você não sabe se numa partida vai ter um Teemo jungle, um main Nidalee ou, sei lá, o Tatuzão de Wukong falando tudo.
Então, na minha cabeça, jogar só solo queue é mais estressante. E mesmo scrimando contra times piores, você tem que fazer um bom trabalho, ter um objetivo no treino — senão não tem por que de estar ali, né? Pra mim não faz muito sentido.
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Conversei com o Tutsz no Media Day e ele focou muito na palavra constância. Como foi esse trabalho interno entre este e o último ano?
Acho que todo mundo sentiu o desapontamento que foi o terceiro split. Eu, pelo menos, senti muito — fiquei pra baixo, porque a gente sentiu que melhorou muito quando jogou EWC, quando jogou MSI; então, ter perdido os playoffs do jeito que foi — foi 0-6, não foi nem uma série 2-3 — foi bem duro pra todo mundo. Acredito que o fato de todo mundo, tirando o Jojo — né, esse desgraçado — ter se comprometido a fazer o bootcamp também demonstrou isso: mostrou que a gente queria fazer diferente.
A gente sentiu o gosto de ganhar uma vez e queria voltar pra ganhar de novo; então acho que todo mundo sentiu bastante os últimos playoffs do terceiro split.
E como foi perder o Thinkcard e ter a promoção do Furyz para head-coach?
Não sei exatamente o que aconteceu entre o Thinkcard e a FURIA, mas acho que todos os jogadores acreditavam que ele ia se manter pra esse ano. Na minha cabeça, existia o pensamento de que, se o Thinkcard saísse, o que seria que ia acontecer, né? Porque no split que a gente foi campeão quem assumiu na reta final — semifinal e final — foi o Furyz, e na minha cabeça ele tinha feito um puta trabalho. Então, quando eu parei pra pensar nisso, senti que tava em boas mãos.
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Ayu e Tatu me falaram na coletiva que vocês têm se inspirado muito na T1 e tem focado em trazer um League of Legends bonito. Me explica essa frase.
Cara, eu acho que isso tem um pouco de dedo do coach Luuukz, o assistente do Furyz, que entrou agora junto com a gente. Eu já conhecia ele lá pela VKS e, na minha opinião, fazia um bom trabalho. Inclusive ele tá enchendo bastante o saco do Tatu, e eu acredito que grande parte da melhora que a gente teve no Tatu já no começo desse split foi por causa do Luuukz. Ele é um cara bem metódico, que dá bastante importância pro joguinho mais controlado, mais por visão — usar a vantagem que a visão e o mapa te dão pra conseguir mais ouro, mais controle de mapa, pra poder ter um engage na frente dos caras.
Então acho que isso é bastante dedo do Luuukz, e acho que todo mundo também tá se esforçando pra — como é que eu posso dizer? — tentar incrementar essas ideias dele, não só deixar entrar por um ouvido e sair pelo outro.
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Guigo, eu sei que Tierlist é um bagulho meio vazio, mas muita gente te colocou como o melhor top laner. Você se considera hoje o melhor top laner do Brasil?
Cara, eu diria que, na minha visão, o melhor top no começo do campeonato ia ser o Boal. Pelo que o Boal mostrou lá fora e nas finais do terceiro split, ele tava sendo o melhor tanto em lane quanto jogando com jungle e no trabalho de macro — tava fazendo um papel bem bom. Mas senti que agora, nesse começo, provavelmente os dois melhores estão sendo o FNB e eu.
Acho que o FNB não teve um jogo tão bom ontem, mas pelo que experienciei em scrim, o FNB é o cara que eu vejo ser mais consciente no mapa, que tem as matchups mais estudadas. Sinto que ele também tem alguns truques na manga que às vezes deixam o jogo meio caótico ou fazem a gente pegar uma fight que não espera — então acho que o FNB tá mandando muito bem.
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Você falou da força do FNB, mas quais são as forças do Guigo?
Cara, eu acho que o bootcamp me ajudou muito, pessoalmente. Acredito que uma das fraquezas que tive — que ficou evidente no MSI e na EWC — foi a lane phase. Eu tinha umas ideias de lane meio mais greedy, achando que ia me dar bem depois, mas hoje os tops focam muito em ter os melhores primeiros minutos possíveis e uma fase de rotas estável. Depois que seu boneco pega um ou dois itens, você tem muito mais controle, mais poder no jogo — a parte mais frágil é a lane phase.
Era algo que eu não dava tanta importância, então ir pra Coreia e experienciar jogadores que te punem na lane — que te fazem dar um B atrás, ficar uma wave atrás, perder uma plate — fazia eu ficar atrás o jogo inteiro com o cara jogando super bem, e era difícil voltar. Essa experiência me ajudou muito nessa percepção: lane phase é uma parada que importa muito; se isso estiver estável, eu sinto confiança pra saber o que fazer no jogo depois.
Guigo, algum recado final para os torcedores da FURIA que estão felizes da vida?
Eu gostaria de falar pra vocês continuarem tendo bastante confiança na gente. Acredito que a gente tá numa fase tão boa quanto a do segundo split, quando fomos campeões. E por a gente também estar falando só em português, acho que o trabalho tá mais eficaz — a gente se entende melhor discutindo em português. Então é isso: confiem na gente; eu acho que vão vir coisas legais pela frente.
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