CS:GO: Uma (quase) nova FURIA e uma INTZ além do “samos” são necessárias no major

CS:GO: Uma (quase) nova FURIA e uma INTZ além do “samos” são necessárias no major

xand, da INTZ, comemora rodada vitória contra a Sharks no minor (Foto: StarLadder)

Pela primeira vez na história, o Brasil tem três times na disputa de um major de Counter-Strike: Global Offensive. Dois deles entram na primeira fase do StarLadder Berlin Major – em situações completamente diferentes.

Atual 9ª melhor equipe do mundo, a FURIA Esports está entre as favoritas para encontrar a MIBR na fase de grupos. A INTZ eSports, por sua vez, debuta no mundial em meio a uma fase complicada.

O StarLadder Berlin Major começa nesta quinta-feira, às 7h. O estágio The New Challengers tem 16 equipes lutando por 8 vagas na fase de grupos – que contará com cobertura in loco do Mais Esports.

UMA (QUASE) NOVA FURIA

Entre os 10 melhores times do mundo no ranking da HLTV desde junho, a FURIA não pode ser mais considerada uma surpresa. Vice-campeã da 7ª temporada da ECS e recém promovida para a ESL Pro League, a equipe brasileira entra no StarLadder Berlin Major tendo seu avanço para a fase de grupos dado como certo por grande parte da comunidade.

Toda essa pompa pode ser positiva. Para a FURIA, ela significa que a equipe é bem diferente daquela que não conseguiu avançar à fase de grupos na IEM Katowice no início do ano. De lá para cá, o time disputou oito presenciais internacionais – incluindo eventos como a DreamHack Masters Dallas e a ESL One Cologne.

Se a experiência conta em favor de Andrei “arT” Piovezan e companhia, a exposição atrapalha. Nas duas melhores campanhas da equipe em competições tier 1, às finais da ECS e o Masters, a imprevisibilidade característica do quinteto era surpresa – hoje ela não é mais.


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FURIA durante o minor americano do StarLadder Berlin Major (Foto: StarLadder)

Para vencer, não basta que a FURIA faça o mesmo de antes, é preciso ir além. Avanços na smoke e entradas rápidas estão visadas – campanhas decepcionantes na Moche XL Esports e na ESL One Cologne mostraram isso. Em conversa com o Mais Esports no Encontro das Lendas, Kaike “kscerato” Cerato disse que o time já tem tomado precauções quanto a isso.

“Estamos nos reinventando mais, jogando com times que não jogávamos e em um nível diferente. Estamos aprendendo coisas novas e a ESL One Cologne foi muito importante para isso, aprendemos a jogar contra a Na`Vi e times assim, aprendemos como eles jogam e como podemos moldar nosso jogo”, contou kscerato.

“Acredito que não precisamos reinventar completamente o nosso estilo de jogo. Só precisamos incrementar coisas. Não precisamos tirar nada do que já é feito, pois fazemos muito bem. Só precisamos mesclar mais o estilo de jogo passivo com o agressivo”, completou.

É uma situação bem diferente da de fevereiro. Para ir a fase de grupos do major pela primeira vez, a FURIA precisa utilizar da experiência obtida recentemente e saber dosar a imprevisibilidade, para que seu essência não se torne um fardo.

ALÉM DO SAMOS

A INTZ poderia entrar em seu primeiro major em uma fase menos conturbada. Recém rebaixada para a ESEA MDL, a equipe ainda vive a expectativa de perder sua maior estrela, Vito “kNg” Giuseppe, depois da competição.

Se tem um time que pode dar bem em meio a essa situação, esse time é a INTZ. Foi em meio a jogos emocionantes e viradas – e gritos de “samos brasileiros” -, que os Intrépidos mostraram força para buscar vitórias improváveis, como a diante da DreamEaters na repescagem. Transformar esses acontecimentos em combustível é um fator essencial e, com personagens vocais como kNg e Alessandro “Apoka” Marcucci, a INTZ tem capacidade o suficiente para isso.

A garra e a vontade, porém, não são suficientes para conseguir colocar um time na fase de grupos do torneio mais visado do ano. Além de motivação, a INTZ precisa corrigir alguns dos problemas que assolam a equipe – sendo o map pool o mais notável deles.

Nos últimos três meses, a falta de um mapa de confiança tem afetado a INTZ em séries mais longas. Train, Mirage e Nuke têm sido as principais escolhas da equipe, mas o aproveitamento nessas é de pouco mais de 50% – por mais que o número seja positivo, não há aquela sensação de segurança. Além disso, o time tem apresentado um sério problema no lado defensivo da Nuke – vencendo apenas 38% dos rounds disputados como CT no período.


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kNg comemora rodada do minor americano (Foto: StarLadder)

Outro fator que pesa contra os Intrépidos é a falta de um bom retrospecto na lan. Jogando presencialmente com essa escalação, a INTZ venceu 50% dos rounds nos quatro eventos que disputou. Em nenhum deles o time teve uma campanha empolgante – sendo eliminada na fase de grupos da DreamHack Open Rio e caindo nas semifinais dos dois minors disputados.

Como vantagem, a INTZ tem a habilidade individual. Claro que a narrativa de que kNg é quem “carrega” o time é válida, mas os últimos meses têm mostrado um crescimento no desempenho de Alexandre “xand” Zizi. De maio para cá, o jogador acumula um rating de 1.07, superando Marcelo “chelo” Cespedes – antes a estrela secundária da equipe. A expectativa é que kNg continue mantendo os números de carregador, mas a guinada nas estatísticas de xand pode ser uma arma extra.

Para contrariar o histórico recente, a INTZ terá muitos desafios a serem superados – os mapas e o retrospecto são alguns deles. Como grande trunfo, o time tem o grito, o samos e kNg – mesmo que seja pela última vez. Se quer a vaga, esses podem ser fatores determinantes, mas não os únicos.


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