Após fazer história no cenário com o Combo Podcast, os hosts Schaeppi, Djoko e Prieto estão de casa nova. Agora eles representam o MD3 Podcast, que traz o mesmo formato e propósito do programa anterior, mas com uma estrutura maior e sob a tutela dos estúdios Flow.
O MD3 Podcast é transmitido no canal do Flow Games toda segunda-feira, ainda sem um horário fixo devido à agenda dos convidados. No momento da publicação dessa matéria, quatro episódios já foram ao ar: TitaN, Sacy, PDRM, Wendel Lira e Xero, que é o mais recente e teve tradução simultânea.
Em entrevista ao Mais Esports, Schaeppi abriu seu coração e falou sobre toda a jornada do Combo: dificuldades, evolução, episódios preferidos e propósito do programa. O narrador do CBLOL também contou como foi o contato com o Flow Games para a criação do MD3, como está sendo experiencia e também os planos para o futuro do programa.
Início com o Combo Podcast e evolução no decorrer dos episódios
O Combo não foi o primeiro Podcast do trio Schaeppi, Djoko e Prieto. Quem é “oldschool” vai lembrar o Podcaster, um programa que debateu um tema fixo a cada episódio. Essa proposta é totalmente diferente do Combo e MD3, que trazem o formato “mesacast”, por isso os três hosts tiveram que mudar muitas coisas para o Combo.
No Combo o formato passou a ser o de mesacast, em que o assunto é o convidado e não algo já pré-determinado. Tivemos que aprender a conversar de maneiras diferentes, extrair as conversas de quem estava lá e, o mais importante de tudo, deixar o convidado confortável.
Deixar o convidado confortável é o que o trio busca a cada Podcast. De acordo com Schaeppi, eles querem que as pessoas se sintam acolhidas e a vontade para falar sobre qualquer assunto da forma como quiserem.
Nosso objetivo e diferencial era buscar fazer com que aquela conversa fosse igual às que tínhamos nas casas dos jogadores, em uma resenha de bar, nos eventos que nos encontrávamos, momentos em que tudo era falado porque existia um sentimento de segurança e companheirismo. Essa era a proposta do Combo e é a proposta do MD3 hoje em dia, criar um espaço em que as pessoas se sentem a vontade de abrir o coração e comentar coisas que nunca haviam comentado, porque ali será um ambiente em que além de estarem sendo ouvidos, estarão sendo abordados de uma maneira que não será distorcida.
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Schaeppi continuou falando sobre todo o aprendizado que teve durante os mais de 88 episódios do Combo que foram ao ar. As mudanças foram várias, desde alteração na forma como falam com o convidado até modificações estruturais do programa.
Tivemos um universo de mudanças e evolução no decorrer dos episódios. Se você pegar o primeiro, com o brTT, e o último, com a Daiki, mudou completamente, seja no jeito que a gente se porta, na quantidade de vezes que interrompemos o convidado ou o ouvimos, saber ter o jogo de cintura lidar com um assunto que percebemos que foi insensível ou que o convidado não queria falar, ou até fazer render um papo que não estava rendendo. Durante todo esse um ano, a gente literalmente aprendeu a como lidar melhor com as pessoas e fazer com que elas se sentissem melhor.
Aprendizado “na marra”
Durante todo esse tempo, Schaeppi, Prieto e Djoko tiveram que ir “refinando” o Combo Podcast em vários pontos. Eles não eram responsáveis apenas por apresentar o programa, cada um tinha funções secundárias para que tudo pudesse funcionar.
Como o Combo era uma coisa muito embrionária, todo mundo ali fazia muitas coisas. Eu, por exemplo, era o produtor do Podcast, eu que chamava convidados, fazia agenda, fazia todo o trâmite desde quando ela chegava até ela ir embora, O Prieto falava com os patrocinadores, ia atrás de fazer os contratos, combinar as entregas. O Djoko por já ter um canal de Youtube há muito tempo, cuidava muito desse aconselhamento de como tinha que ser os cortes, o tempo, a minutagem.
Muito trabalho, muito cansaço e muito aprendizado. Schaeppi contou que foi nessa correria que todos eles aprenderam a como “converter” o formato dos Podcasts atuais para algo que fosse bom para os esports.
Não adiantaria a gente só replicar o que era feito nos outros Podcasts, tínhamos que trazer tudo isso adaptado para os esports eletrônicos. Apanhamos de diversas maneiras como fazer isso, como abordar determinadas coisas, até irmos refinando para chegar nessa leveza e sincronia que temos hoje.
Como absorver as críticas no começo do Combo Podcast
Parte da evolução do Combo também veio das críticas dos espectadores, mas para Schaeppi não foi fácil de lidar com algumas delas, já que o próprio diz que se “deixa levar facilmente” por coisas negativas.
Eu já falei isso publicamente, sou uma pessoa que me deixa levar muito por coisas negativas. […] Na internet as pessoas esquecem que tem uma pessoa do outro lado, ela só enxerga o seu avatar e esquecem que estão debatendo, discutindo e brigando com um ser humano, por isso às vezes pesam a mão em algumas coisas. O Combo teve as críticas construtivas, as críticas que era só rage sem nenhum fundamento, e as críticas que tinham alguma positividade, mas eram feitas de maneira um pouco exacerbada.
Justamente não ter um Podcast de esportes eletrônicos naquela época com o formato de mesacast, Schaeppi perdeu as contas de quantas vezes se pegou explicando como era o formato do Combo para o público, devido a algumas críticas que o programa recebia.
Durante vários momentos no Combo e principalmente no início eu ficava tentando explicar para o pessoal como funcionava o Podcast, porque a comunidade de esports nunca teve um Podcast mesmo, sempre teve programas que eram outra pegada e outro estilo, então estavam acostumados com o formato, principalmente com uma mesa tão cheia: eram três hosts mais um convidado no mínimo, então pelo menos quatro pessoas conversando. era muita coisa, mas também estávamos aprendendo a fazer isso da melhor maneira possível.
O narrador revelou uma das críticas que mais faziam nos comentários e como eles absorveram ela para melhorar o programa.
Antigamente uma das reclamações que acontecia com frequência é que a gente cortava muito os convidados no meio da fala deles, e isso foi algo que absorvemos bastante. Essa crítica foi feita de formas educadas e grosseiras, então as que eram feitas de maneira educada sempre procurávamos absorver e colocar em prática, mas as grosseiras eu aprendi a descartar, mesmo que tivesse alguma coisa positiva ali. Não somos de ferro, então evitamos ficar interagindo e lendo coisas que são grossas, mas sempre lemos bastante.
Schaeppi chegou a pedir para sua namorada fazer um “filtro” antes de ele ler os comentários, pois certas mensagens o impactavam mais do que deveria. Ele também contou que o Youtuber e influenciador Castanhari o ajudou bastante a lidar com tudo isso, justamente por ter um perfil parecido com o dele.
Chegou uma época que eu até pedia para a minha namorada ler antes e dar uma filtrada para ver se não tinha coisas muito pesadas, acabou culminando em vários outros pontos da minha vida, eu vinha de uma complicação e outras coisas. Durante esse tempo eu até conversei com o Castanhari, que também tem o perfil muito parecido comigo, de se abater com as críticas negativas, então ele me ajudou a enxergar melhor como absorver essas críticas para o Podcast.
Conheça um pouco mais sobre o Schaeppi no episódio em que ele foi o convidado do Combo:
Apesar de tudo isso, o narrador do CBLOL fez questão de ressaltar que as críticas que foram feitas de uma forma legal foram muito importantes para a evolução do Combo e também de como eles estão fazendo o MD3.
Eu, Prieto e Djoko tínhamos várias reuniões sobre como iamos conduzir, o que precisamos mudar, e como eu já disse, o formato do Podcast mudou várias vezes, tiramos intervalo, tiramos a pausa para a comida ali, entre outros pontos, porque no final das contas estamos fazendo um programa para o público, então não adianta não escutarmos eles. Todas essas mudanças trouxeram frutos positivos que estão sendo colhidos no MD3 Podcast, Schaeppi contou que a recepção do público foi positiva em um nível que o impressionou.
Uma super-equipe e estrutura para fazer o MD3 Podcast acontecer
Como já citado, um dos pontos para o trio fechar com os estúdios Flow é a expertise deles, que já estão no mercado há alguns anos e ditam a tendência de Podcasts. Schaeppi comentou que vários lugares tinham “boa intenção”, mas que os projetos ainda estavam muito embrionários, por isso eles (Schaeppi, Djoko e Prieto) novamente teriam que cuidar de muitas coisas fora das câmeras.
O narrador explicou que, para cada episódio do MD3 acontecer, tem uma grande equipe por trás fazendo várias coisas, e isso deixa os três hosts mais “livres” para fazer os seus trabalhos sem ficarem sobrecarregados.
O profissionalismo dos caras é surreal. Eles possuem uma equipe gigantesca, para fazer o MD3 ir ao ar temos o Rondoni, que é nosso operador/direto de ao vivo, às vezes o Otávio que fica lá com ele. Temos o Phoenix que é o CEO do produto Flow Games e fica lá todo episódio, temos o Ronaldo que é o nosso diretor de parcerias e produto (e também fica lá), tem o técnico de câmera, tem o produtor, enfim, é uma galera gigante que faz aquilo ir para o ao vivo. Nós só temos que sentar lá e fazer o nosso trabalho, pois eles possuem todo esse mecanismo certinho para fazer tudo acontecer.
Outra coisa que o surpreendeu nos estúdios Flow foram as tecnologias próprias, por exemplo, conseguir jogar qualquer mensagem do chat na tela em tempo real.
Eles têm alguns mecanismos ali que não temos na Riot! Quando estamos ao vivo conseguimos clicar em qualquer mensagem do chat e mandar ela imediatamente para a tela, isso tudo feito pelo celular em um app que eles mesmos criaram. Eu acho isso incrível, nem televisão tem isso em muitos lugares, geralmente tem que pegar a mensagem, recortar e colocar dentro de uma HUD, lá não, é direto, você clica na mensagem e vai para a tela. São várias tecnologias exclusivas que eles fizeram, é incrível, eles têm uma estrutura que quando você assiste, fica impressionado, mas quando está lá fica mais ainda, é surreal!
Hosts com personalidades diferentes, mas que se completam
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Schaeppi, Prieto e Djoko possuem personalidades diferentes e, de forma indireta, acabam exercendo “papéis” diferentes no MD3 Podcast. O narrador contou que isso não é intencional, mas que realmente acontece e é um dos pontos positivos do programa, pois eles se completam na personalidade e, consequentemente, na conversa.
Durante a entrevista, ele resumiu um pouco de como é essa personalidade dos seus companheiros de bancada:
Schaeppi
Eu faço o papel da parte mais emotiva, questiono os convidados do porque fizeram algo, também acabou sendo um pouco do guia, abro o Podcast, fecho ele, normalmente faço a virada dos assuntos, então fica na minha mão esse termômetro de como conduzir o assunto.
Djoko
O Djoko a gente brinca que é a enciclopédia, ele lembra de tudo, lembra de X pick na final, de como aconteceu, ele é o cara que estava lá dentro, que vai lembrar da jogada, questionar o porquê aquilo foi feito, a parte mais estratégica.
Prieto
O Prieto a gente brinca que é o “noob” da bancada, ele está ali para ser a visão do público, ele é o cara que está ali para chegar e perguntar “Por que vocês fizeram isso? Por que tomaram essa decisão?”, aquela pergunta que nunca iríamos imaginar por já estar no meio dos esports, mas que é vital para o assunto se desdobrar. Ele também é muito importante porque traz uma visão não só de “noob”, mas também de empresário de fora dos esports. Ele é dono da Seven Kings, então às vezes faz algumas perguntas do porque o contrato foi feito de tal forma, como a negociação é feita e coisas do tipo.
Uma mistura de tristeza e felicidade com várias das revelações feitas nos programas
O Combo Podcast fez história no cenário de esports nacional e trouxe diversos convidados para contar suas histórias, muitas delas jamais contadas ao público até então. O programa também gerou muitas discussões, denúncias e expôs diversos casos tristes do cenário.
Mesmo já sabendo de muita coisa, Schaeppi afirmou ficado impressionado e triste com muito do que foi contato ali.
Muitas histórias contadas ali eu já sabia, mas muitas eu também não sabia, por exemplo, todas as histórias do Flamengo. Tudo me deixou triste e com raiva, porque além de Caster da Rioter eu sou advogado. Claro, eu não atuo desde 2014, mas mesmo assim essas coisas me revoltam muito, pois acima de tudo eu sou muito apaixonado no LoL. Já recebi proposta de outros jogos, de ir para a televisão narrar futebol, mas eu não quis, eu quero ficar aqui, é uma das minhas maiores paixões, então quando eu escuto essas coisas eu fico triste e com raiva.
Público maior, mais comentários positivos, estrutura gigante e pessoas experientes por trás; tudo isso já é boa parte do que qualquer Podcast almeja quando está começando, e já está feita no MD3. Mesmo assim, Schaeppi vê com clareza quais são os próximos passos a curto e longo prazo.
Nossos planos futuros envolvem o curto e longo prazo. Começamos com um episódio por semana, mas quero que consigamos fazer isso virar dois em algum momento, queremos abranger mais os esports, ter mais conversas. O MD3 em si ainda não tem um patrocínio, apesar de o Flow Games ter, então queremos captar um patrocínio próprio, mostrar que a comunidade está lá para ver, que os números estão excelentes. Queremos mostrar para as marcas que o MD3 é um projeto incrível para termos esse apoio e fazer o programa chegar mais longe, esse é o nosso objetivo a curto prazo.
A longo prazo o narrador alça voos mais altos e com destinos internacionais. Ele contou que o Flow permite chamar convidados de qualquer lugar do Brasil, pois eles arcam com os custos necessários para trazê-los, então ele deseja levar o programa para edições especiais em outros países.
A longo prazo temos planos bem fora da caixa. Queremos fazer coberturas presenciais, seja no Major do Rio de Janeiro, por exemplo, ou na final do CBLOL, e quem sabe até fazer cobertura de algum evento internacional, seja o que for, queremos pegar MD3 e tornar ele massivo. […] Meu sonho no futuro é internacionalizar, começar a fazer essas viagens e fazer um MD3 especial na Europa ou na Coréia, por exemplo, fazer um podcast com gente da LEC, da LCK. É um sonho distante, mas é o que queremos, fazer com que a comunidade abrace o projeto, fazer com que muitos queiram estar lá no podcast, não só para aparecer, mas porque é foda, é daora, é gostoso.
Recado final de Schaeppi para todos os leitores
Para finalizar a conversa, Schaeppi deixou uma mensagem final para todos os leitores e
Cola com a gente, chama quem ainda não conhece para conhecer o programa, participa, estamos abertos para receber as perguntas, para interagir com o público. Você que está lendo essa entrevista, engaja com a gente, se você ama os esportes eletrônicos, se quer fazer isso maior, façam os projetos ao seu redor ficarem maiores, e nem falo só do MD3, se um cresce, todos crescem!
Onde assistir o MD3 Podcast
O MD3 Podcast é transmitido no canal do Flow Games toda segunda-feira, ainda sem um horário fixo devido à agenda dos convidados. Em algumas semanas, também podem ter episódios extras às terças-feiras.
Você pode acompanhar o Twitter do Flow Games para ficar ligado na agenda, ou mesmo seguir Schaeppi, Djoko e Prieto em suas redes sociais.







