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LoL: Mellisan; campeão mundial, doutor de matemática e humilde agricultor

Maximilian Rox
publicado em 11 de dezembro de 2021, editado há um mês
League of Legends

Sempre me lembro de uma jogada de Janna que fez mudar minha concepção do que é ser um suporte excepcional em League of Legends. E sempre pairou a dúvida de onde andaria essa pessoa que marcou tanto o LoL internacional nos seus primeiros dias de competitivo.

Assim como muitos dos veteranos do League of Legends internacional, o esquadrão da Fnatic que venceu o primeiro Mundial de LoL sempre é lembrado nas listas pré-mundial. Nós fizemos isso, lembra? Mas pouco se sabe o que aconteceu com eles depois dessa vitória de mais de dez anos atrás.

Foi assim que tentei o contato com Melissan — o primeiro suporte campeão mundial de League of Legends. E confesso que não esperava muito ao mandar uma mensagem no Facebook para Peter Meisrimel perguntando se, de fato, era ele o mesmo que já esteve ao lado de Shushei e os companheiros da Fnatic levantando um cheque de US$ 50 mil pela vitória no primeiro grande campeonato da Riot Games.

LoL Fnatic Season 1
Melissan, à esquerda de todo o grupo, junto da Fnatic na vitória do primeiro Mundial de League of Legends. Foto: Divulgação/Riot Games

E não é que era ele mesmo?

LoL e Melissan, “quase uma vida passada”

Nada indicava que aquele Peter já foi um campeão mundial de League of Legends. Sua foto de perfil era de um rapaz tranquilo e sorrindo enquanto apontava para um grupo de vaquinhas encostadas em uma mureta de madeira, como qualquer pessoa curtindo seus dias na tranquilidade do interior e fugindo da cidade.

Hoje aquele mesmo Melissan que já vestiu a camisa da Fnatic e jogou muito de Janna é um doutor em matemática aplicada. Com PhD finalizado e tudo. E, além de tudo isso, com uma skin de agricultor quase desbloqueada.

“Embora eu ainda jogue alguns jogos de computador, eles não são mais uma parte tão importante da minha vida”, explica ele durante a entrevista rápida em texto pelo próprio Facebook.

“Eu gosto de cultivar vegetais (muitos pimentões este ano), ler, fazer quebra-cabeças no PC ou em jogos de tabuleiro, cozinhar. Também comecei a jogar xadrez online há um tempo, muitas coisas diferentes”, explica.

Toda essa história de dez anos atrás é algo incomum para ele já. “Considerando o quanto minha vida mudou desde então, parece que aconteceu em uma vida passada. Para mim, é um fato engraçado que as pessoas descobrem de vez em quando ou que é mencionado ocasionalmente, mas não muito mais”, continua.

E ele explica que não sabe como é visto o seu nome disposto entre tantos nomes de peso que já passaram na comunidade. “Não tenho certeza de como isso é visto na comunidade LoL, o jogo era muito diferente naquela época”, lança.

E como era diferente, hein?

Quem era o Faker da época?

“Nunca pensei que [o cenário] fosse ficar tão grande naquela época”, continua ele. League of Legends tinha acabado de sair da fase Beta e nem tinha um servidor brasileiro. Agora, a final do Mundial bate recorde ano após ano, chegando ao pico de 73 milhões de espectadores em 2021.

E como era diferente jogar de suporte. “Naquela época, as opções de suporte eram bem limitadas, pois haviam poucos itens de suporte e nenhuma maneira real de obter ouro”, continua. Enquanto hoje os suportes tem vários itens com missões e formas de distribuir sentinelas pelo mapa, em 2011 os poucos suportes tinham que investir do próprio bolso para wardar por aí.

Ainda tinha outra complicação: somente dois itens davam “gold por minuto” (Heart of Gold e Philosopher’s Stone, relembre aqui) e eram a compra obrigatória dos suportes — além claro, da bota.

LoL Melissan
Melissan enquanto jogava o primeiro campeonato Mundial de LoL. Foto: Facebook/Fnatic

“Suponho que seja muito mais difícil hoje em dia, dado que a competição é muito mais alta e há muito mais jogadores”, continua Melissan.

“Assistindo aos jogos de muito tempo atrás, o nível de mecânica é de dar risada em comparação com agora. Naquela época, quando o jogo ainda não estava tão bem dominado e o streaming ainda estava em seus primeiros dias, os jogadores podiam se sair muito bem sendo um pouco mais criativos, apresentando novas ideias e estratégias inovadoras”, completa.

Mesmo assim, um jogador se destacava e poderia ser digno do posto de “Faker daquela época”. “Pode ser Shushei no auge”, explica. “Ele tinha um jeito de vencer e dominar suas lanes mesmo com escolhas não convencionais”, finaliza.

fnatic LoL Melissan Shushei
Shushei ao centro com sua barba que era marca registrada. Ao lado direito dele, Melissan. Foto: Facebook/Fnatic

Hoje em dia, Mellisan não pensa mais em voltar a jogar como antes. Ele não encosta no League of Legends há quase seis anos, embora tenha tentado jogar um pouquinho de Teamfight Tactics.

Se esse mundo já é diferente demais para ele, que já achou sua caminhada pelos cálculos e hortas, pelo menos sabemos que ele teve seu pequeno parágrafo escrito nessa história.

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