O dia 6 de julho de 2013 ainda está vivo na memória dos fãs de League of Legends. Naquela tarde na Coréia do Sul, um jovem Lee “Faker” Sang-hyeok estreou na OLYMPUS Champions Spring 2013 para atordoar o cenário mundial com mecânica, reflexo e agressividade. Do nada, tirou da cartola uma solokill para cima de Kang “Ambition” Chan-yong e deixou um cartão de visitas para o adversário.
Faker prosseguiu para conquistar todos os troféus possíveis. Foram seis campeonatos nacionais, três Mundiais, dois Mid Season Invational e diversos torneios de menor escalão. A cada ano que passava, ficava claro que o Rei Demônio Imortal elevava o nível dos companheiros ao mesmo tempo que exibia performances individuais incríveis. Por esse motivo, todo mid laner que apareceu desde então veio com o fardo de tentar igualá-lo.
Rasmus “Caps” Winther ganhou notoriedade recentemente pelas apresentações na Europe League Championship Series, no MSI e no Mundial. Antes de subir para o profissional, ganhou o apelido de “Baby Faker”. Similarmente, Gwak “Bdd” Bo-seong era apontado como “a segunda vinda de Faker” por desempenhos espantosos em treinos. Até mesmo Jeong “Apdo” Sang-gil, que basicamente não jogou competitivo, foi comparado por causa da superioridade na fila ranqueada.
O discípulo original, porém, era Song “Rookie” Eui-jin. “Faker Jr”, era como o chamavam. E não à toa: ele tinha apenas dezessete anos quando estreou pela kt Rolster Arrows e mesmo assim apresentava uma champion pool grande. Ao longo de 2014, totalizou onze campeões — dentre eles Orianna, Yasuo e Lulu — e só ficou atrás de Faker e Bae “dade” Eo-jin nesse quesito.
Os Arrows de Kim “Ssumday” Chan-ho, Lee “KaKAO” Byung-kwon, Rookie, Noh “Arrow” Dong-hyeon e Ha “Hachani” Seung-chan eram um grupo agressivo. Eles procuravam por lutas sempre que possível. Às vezes esse estilo sairia pela culatra e eles seriam neutralizados completamente. Foi o que aconteceu nas quartas de final do HOT6iX Champions Spring 2014, quando entregaram vantagens contra a CJ Entus Blaze e saíram do torneio. Mas quando tudo clicava e eles conseguiam converter as jogadas de risco em algo mais, o resultado era algo como o título do Summer.
A caminho da taça, Rookie precisou avançar por três séries completas de cinco jogos contra NaJin White Shield, SK Telecom T1 S e a campeã reinante Samsung Blue. Sempre que necessário, selecionou Yasuo e mostrou a razão pela qual merecia ser cotado como sucessor do melhor do mundo. Foram quatro ocasiões, sendo uma no Blind Pick do último game da final.
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Mesmo após ganhar em Busan, a equipe não foi capaz de se classificar para o Mundial. Acabaram perdendo para a NJWS na Korea Regional Finals. O valor deles, contudo, ainda estava alto. Eles haviam vencido a liga mais competitiva do mundo e, individualmente, KaKAO e Rookie eram deuses. Não foi surpresa, portanto, quando foram anunciados na Invictus Gaming, durante o Êxodo Coreano.
Boa parte dos jogadores que foram competir na China tinha a intenção de lucrar. A Coréia não pagava bem, enquanto havia rumores de que as organizações da LoL Pro League bancavam salários na casa dos seis dígitos. Lee “Flame” Ho-jong e dade, por exemplo, passaram o primeiro ano confortáveis com o banco ou com a mediocridade. Até mesmo KaKAO, parceiro de Rookie, não parecia estar muito empenhado fora de Summoner’s Rift.
O mid laner, no entanto, se mostrou animado com a ideia de jogar em solo chinês. Foi um dos primeiros a arriscar mandarim em streams e entrevistas. Foi também visto com frequência cantando músicas no idioma e rapidamente se tornou favorito entre os fãs da região. A impressão era de que ele não precisou nem de uma semana para se adaptar.
Como um time, a proposta da IG era de colocar a dupla jungle-mid para rotacionar e criar jogadas ao redor do mapa. A alvinegra era tão boa quanto se podia esperar de uma esquadra de comunicação dividida. Tirando a poderosa EDward Gaming, aqueles com imports eram inconstantes e na maioria das vezes tinham dificuldade em lutar de forma coesa. Era o caso também de Vici Gaming e LGD Gaming.
No que concerne títulos, Rookie percorreu os dois primeiros splits sendo ofuscado por Heo “PawN” Won-seok, Kim “Deft” Hyuk-kyu, Gu “imp” Seung-bin e Choi “Acorn” Cheon-ju. O mais longe que a IG pôde chegar foi na terceira colocação, tanto no Spring como no Summer. Mesmo assim, foi suficiente para arrebatar o último seed e qualificar para o Mundial.
Antes de o torneio dar início, a China era considerada a melhor região devido à vitória da EDG no MSI. Rookie, por sua vez, foi ranqueado como quinto melhor jogador do mundo e — com apenas Fnatic de ameaçador pela frente — era cotado para ir longe. Mas logo a IG se viu perdida com o meta de europeu, foi devastada pelos demais membros da chave e deu adeus ao palco internacional.
Mesmo com mais um fracasso e outra temporada sem chegar no Mundial, estava claro que Rookie era um dos melhores meios do mundo. Até quando esteve no fundo do poço, em 2016, foi nomeado MVP da fase regular do Spring. Por anos teve um time ruim, mas dessa vez tinha nomes de qualidade no próprio entorno. Realisticamente, 2017 era um ano de reconstrução até a chegada de Jackey, que seria a última peça do quebra-cabeça para a volta ao sucesso.
E ele realmente foi. A IG capitaneada por Rookie dominou o ano completo da LPL, ainda que tenha falhado diante da Royal Never Give Up e não conquistado nada localmente. O público sabia da capacidade da line-up, que tinha lane phases fortes e esmagava o Early Game. O coreano, ainda por cima, foi o MVP dos dois splits, nos quais tiveram marca de dezoito vitórias e apenas uma derrota.
Rookie também teve uma aparição no Rift Rivals, onde pôde demonstrar as habilidades em duelos contra Faker e Son “Ucal” Woo-hyeon. Nessas duas oportunidades, ele por si só conseguiu virar lutas de Galio e Irelia e manter a IG no jogo. E é claro que o que fez no 2018 World Championship provou que ele realmente é o melhor.
Jogou contra Kim “Candy” Seung-ju, Yoo “Ryu” Sang-wook e mais impressionantemente Luka “Perkz” Perković, Ucal e Caps. Não perdeu uma única fase de rotas e, em vez disso, escancarou todos os match-ups. Se o formato fosse diferente e o prêmio de melhor jogador valesse para o torneio inteiro — e não apenas para final — , ele facilmente teria sido eleito MVP.
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O choro de Rookie após a final foi uma libertação de todos esses anos sem títulos, sendo o único farol de esperança num time caindo aos pedaços. Ele era incrivelmente bom, mas não podia mostrá-lo porque não se classificava para o cenário internacional. Quando teve a oportunidade, agarrou-a com todas as forças e foi disparado o melhor do torneio.
Rookie é o melhor do mundo. Ele é de fato o Faker Jr. E agora tem o ingresso para se juntar aos melhores da história.
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