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Opinião: CBLOL acerta em cheio nas franquias, mas terá grandes desafios em 2022

Vitor Ventura
publicado em 28 de dezembro de 2021, editado há 24 dias
League of Legends

O ano de 2021 é histórico para o League of Legends competitivo no Brasil. Isso porque foi o ano que inaugurou o Sistema de Franquias no CBLOL, um caminho que outras regiões pelo mundo já começaram a percorrer, com o objetivo de criar uma Liga financeiramente mais saudável, além de revelar novos talentos para o futuro.

CBLOL/Academy
CBLOL Academy revelou mais de 40 novos atletas em 2021 (Imagem: Victor Macedo/Mais Esports)

Quanto à meta de revelar mais jogadores para o competitivo da região, o ano de 2021 já foi positivo, com nada menos que 41 novos rostos aparecendo pela primeira vez nos circuitos oficiais da Riot Games Brasil.

Um problemão logo no primeiro ano

Apesar disso, nem tudo são flores e as Franquias já começaram com problemas também, mais especificamente e recentemente, a apuração feita pela ESPN sobre o Flamengo eSports. De acordo com a reportagem, o rubro-negro está passando por problemas internos, com pagamentos de salários e despesas dos contratados pela Simplicity, quem gerencia o projeto do Flamengo.

Tais problemas resultaram até em falta de comida para o elenco Academy, e não só isso, a apuração do portal revelou acusações de chantagem feitas por Jed Kaplan, direcionadas ao coach, Abaxial.

Abaxial
Abaxial foi alvo de chantagens dentro do Flamengo (Foto: Riot Games)

Ainda segundo a ESPN, algumas das informações já eram de conhecimento da Riot Games Brasil, que enviou um comunicado à imprensa, declarando que “está analisando as informações recebidas e avaliando o caso cuidadosamente”. A publisher disse ainda que manterá a comunidade informada dos desenvolvimentos da situação.

Atualização na matéria sobre o Flamengo

Em stream, Asta, atual caçador reserva da organização e que jogou em 2021 pela equipe Academy, rebateu algumas das informações dadas a ESPN. De acordo com ele, mães que faziam comida aos jogadores por vontade própria, e que a falta de ingredientes se deu porque elas queriam fazer pratos diferentes, cujos ingredientes não eram de rotina da cozinha da organização.

O jogador também disse que gastos como gás de cozinha que uma das mães teve, foi reembolsado pelo Flamengo, mas que a compra de panelas não foi reembolsada, o que na visão dele, também deveria ter sido. Asta também fala falou sobre a falta de salário, e que isso aconteceu apenas em um mês, sendo o atraso de uma semana.

Continuação do texto original

Esse é o caso talvez do maior problema em mãos da Riot Games Brasil, logo em seu primeiro ano de Franquias, envolvendo uma das maiores equipes do competitivo, principalmente se considerarmos o tamanho de sua torcida. A empresa deverá tomar muito cuidado ao analisar este caso, pois envolve informações delicadas e importantes, que ferem toda a ideia de segurança e solidez das Franquias.

Quando o Sistema foi implantado, a Riot Brasil gostaria que as organizações tivessem segurança por não sofrerem rebaixamento, mas também que os jogadores tivessem um piso salarial, além de um mínimo de condições para a atuação profissional e competitiva. Tais informações apuradas pela ESPN podem deixar o Flamengo em posição delicada no acordo.

time de LoL do Flamengo no Maracanã
Flamengo promoveu quatro jogadores do Academy para disputar o CBLOL 2022 (Foto: Divulgação/Flamengo)

É importante que todos nós, incluindo membros da imprensa e torcedores, fiquemos atentos ao desenvolvimento deste caso.

O acerto da Riot Games com o CBLOL

A Riot Games já começou acertando em decisões difíceis, como no caso envolvendo a KaBuM!, a Netshoes Miners e a aquisição de ambas pela Magazine Luiza. A Riot Global possui uma regra para prevenir o conflito de interesses entre equipes em todas as ligas do planeta, que diz que é proibido uma mesma empresa/investidor ter relações diretas e indiretas com mais de uma equipe, independente se são da mesma região ou não.

KaBuM CBLoL
Time quatro vezes campeão do CBLOL, a KaBuM! continua no cenário (Foto: Riot Games)

3.5.1 Relação entre Equipes: Nenhum dono de time, gerente ou afiliado de um dono pode controlar, direta ou indiretamente, ou ter interesse financeiro direto (ex.: ser dono) ou indireto (ex.: um acordo contratual), ou ser um funcionário ou membro de mais de uma organização participante de uma liga profissional de League of Legends.

Depois que a Magazine Luiza anunciou a compra da KaBuM, após já ter adquirido a Netshoes (principal patrocinadora da Miners, equipe do CBLOL pertencente à E-Flix), por via de regra é analisada friamente, era certo de que uma das organizações sairia do CBLOL, talvez se juntando, mas certamente abriria uma nova vaga nas Franquias.

O que ocorreu foi algo alternativo: a Riot optou por confiar nas duas orgs na manutenção da integridade competitiva e deu o prazo de um split para a E-Flix retirar a marca da Netshoes da Miners. Tal decisão envolve não só o cumprimento da regra, mas também a empatia para com a própria liga. Explico: a Netshoes é a principal patrocinadora da Miners e mandar a organização encerrar esse patrocínio com o início do split tão próximo, poderia acabar com a saúde financeira e toda a estabilidade da equipe, prejudicando gravemente a Miners, não só durante o 1º split de 2022, mas nos próximos, dadas as possíveis dívidas financeiras causadas pelo rompimento.

netshoes miners - CBLOL 2021
Miners poderá contar com a Netshoes até o fim do 1º split de 2022 (Imagem: Divulgação)

Com a decisão, a Riot Brasil protegeu a própria liga, protegendo a Miners, que terá tempo para encontrar um novo patrocinador.

Com isso, é importante mostrar que diante da pressão do novo Sistema e expectativas do público, será fundamental que a publisher proteja sua liga do imediatismo que assombra o esporte no Brasil, tanto tradicional quanto eletrônico. A proposta das Franquias em si é o longo prazo.

Não só isso, também é fundamental que o público, os fãs do CBLOL que agora poderão assistir aos jogos presencialmente de forma inédita, compreendam que os resultados não são imediatos. Acredito fielmente que o próximo Faker pode estar no Brasil, mas não é apressando o processo que o encontraremos.

CBLoL 2021
Logo do CBLoL 2021 (Foto: Riot Games/Reprodução)

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