No último sábado, a Vivo Keyd Stars foi eliminada da Copa CBLOL 2026 após a derrota para a LEVIATAN. Além disso, a série marcou a estreia do mid-laner Qats no Tier 1. Como foi a experiência para o multicampeão do nosso Tier 2? Qual é a sua percepção sobre a VKS?
Todas essas respostas você confere na entrevista exclusiva conduzida pelo Mais Esports no dia 14 com o debutante entre os Guerreiros.
O que você achou da sua estreia?
Eu acho que, no Tier 1, o macro é muito mais rápido, muito mais decisivo. E eu senti que a gente estava um pouco lento hoje. Bem lento, na real.
Mas, falando mais sobre a minha estreia, foi uma coisa muito rápida, né? Porque eu tive muito pouco treino, muito pouco tempo para treinar. Treinei só um dia, e se acostumar assim é meio difícil. Acho que, do que eu podia apresentar, apresentei bastante. Mas, claro, poderia apresentar muito mais se tivesse tido um pouquinho mais de tempo.
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Você recebeu uma missão muito difícil. Como você falou também, pouco tempo de preparação. Quando você chegou hoje no stage, tinha algum foco específico do que fazer dentro de jogo?
Não foi passado nada especificamente para mim. Foi mais que eu jogasse o meu jogo, que eu pudesse mostrar minhas coisas.
E, a princípio, nos primeiros dois jogos, eu estava com a mentalidade de esperar que eles fizessem, que o jogo acontecesse. Mas, a partir do segundo jogo, comecei a me impor muito mais na comunicação e falar o que eu queria, porque senti que a gente estava muito parado. A gente precisava de algo que guiasse ali.
Então eu falei um pouco mais. Dei um pouco mais de instruções no pré-game: “Acho que vou precisar disso aqui, eles estão jogando basicamente assim, assim, assim”. Eu já tinha uma noção boa de como o jogo poderia engrenar um pouquinho mais.
E você sente que isso impactou?
Acho que no terceiro jogo, sim. Mas, no quarto, por causa do começo difícil que a gente tinha na comp — foi counter mid, a gente tinha um Smolder — era muito mais complexo construir vantagem e dominar o mapa. O mapa era muito difícil de jogar nesse último jogo.
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Cara, falando em questão de mapa, o SeeEl acabou de vir da coletiva e falou que chamou o Bwipo para ajudar. Você falou que só treinou um dia, mas chegou a receber algum tipo de instrução desse coaching do Bwipo ou não?
Não diretamente. Mas a gente, do Academy, tem acesso aos reviews do CBLOL, então eu acompanhava muita coisa e absorvia bastante do que ele falava para o Mireu.
Por exemplo, acho que o primeiro game só ficou um pouco difícil para eles porque eu estava criando bastante tempo na side, exatamente por causa disso do Bwipo.
Conseguimos defender nossas visões melhor e depois transferir para a side. Por isso foi um jogo com bastante tempo. Acho que foi o primeiro, se não me engano, ou foi o quarto, não sei.
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A gente que é da imprensa ou faz costream sempre vai ter uma visão de fora sobre problemas e méritos. A Keyd vive uma crise e, querendo ou não, você está “próximo”, mas de fora também.
Eu estou no meio-termo ali (risada).
Exato! Queria ouvir de você, com essa visão de meio-termo, o que acha que aconteceu com a Keyd?
Bom, olha: na minha opinião, estando no meio-termo, eles estão sofrendo um processo de adaptação pós-Worlds. Mesmo com todo o tempo desde o Mundial, ainda estão tentando se acostumar a esse novo estilo de jogo.
Antigamente o Trimby tinha muita participação; hoje isso é meio que distribuído para todo mundo. Em algumas pessoas há a tentativa de compensar, fazendo um pouco mais, mas não precisam — aí outra pessoa tem que começar a falar e ela não está falando tanto. Fica um jogo meio confuso; às vezes nem todo mundo está na mesma página. Antes ele falava tudo e a galera seguia; hoje é muito distribuído para todo mundo. É a minha opinião, pelo que eu vejo.
Só uma dúvida: você falou muita participação no jogo. É só comunicação? Porque lembro do Trimby rotacionando de Renata level 3 para matar o Roamer. Então é dentro de jogo também ou só comunicação?
Acho que é mais comunicação mesmo.
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Em relação a você, Qats, sentiu o gosto de “eu tenho nível para o Tier 1”?
Cara, eu senti. As lanes foram bem balanceadas. Acho que o que mais afetou foi a sincronia entre as peças, né? A midlane não é 1v1 — é 3v3 (mid, jungle e sup). Acho que a gente não estava tão de acordo sobre o que queríamos e precisávamos, então rolavam muitas faltas de comunicação.
No 1v1 eu tava bem; o problema foi mais o que poderíamos ter feito com o jungle e o sup. Acho que meu maior defeito é não comandar tanto essas partes: meio que dependo que eles saibam que eu preciso de algo. Eu falo, mas às vezes não fazem do jeito que eu preciso; não passo urgência. Acho que esse é o meu maior defeito.
Um exemplo é aquela situação do jogo 2, você de Orianna no segundo Arongueijo?
Sim, exemplifica bem. Tirei o flash do cara e toda a condição dele com a ult. A única coisa que eu precisava era esperar jungle e sup jogarem e eu só ficar ali controlando a situação.
Mas eu desrespeitei um pouco e eles já flasharam em mim, fizeram tudo.
Então você não comunicou exatamente a situação?
É, eu não consegui acompanhar ali, sabe? Não dei instruções claras do que precisava. Falei: “ah, o cara tá sem flash, tirei toda a condição dele”, mas e aí, vai fazer o que com isso, tá ligado? Eu poderia ter falado mais: “ó, preciso que coloque ward aqui, fica aqui comigo, eu puxo essa wave, a gente pega o aronguejo”.
Eu poderia ter sido mais proativo, mas não dei nenhuma ação — só a informação, e não o que poderia ser feito com ela. Acho que podia ter me imposto mais; estava com muito medo de atrapalhar o jogo nos primeiros jogos, mas depois, com o 0-2, pensei: pô, tenho que fazer algo. Aí comecei a falar um pouco mais sobre o que fazer.
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Foi diferente trabalhar com o Coach SeeEl nessa situação?
Mais ou menos. O que deu pra perceber é que parecia muito mais sério: a situação, tipo, nós estávamos mal — todo mundo tenso, ninguém falava nada, um clima meio estranho.
No Academy é: “Guys, estamos mal, mas nós podemos fazer isso”, e tinha muito mais direcionamento, sabe? Você se sente mais seguro fazendo as coisas no Tier 2. No Tier 1 é como se fosse: “não posso errar, não posso errar” — tem que ser a coisa certa. Tipo isso, sabe?
Deu nosso tempo e queria deixar um espaço para você falar o que quiser, o que estiver no seu coração, Qats.
Eu estou muito feliz de poder ter demonstrado um pouco de mim e as pessoas me conhecerem mais, conhecer quem é o Qats, porque é uma coisa que, nesse ano, eu tô tentando fazer mais, né? Aparecer mais e falar as coisas que eu penso, guiar um pouquinho a comunidade.
E receber todo esse apoio que o brasileiro, em si, é… todo mundo é muito chegado, assim, né? Então é uma coisa muito boa, e eu sou uma pessoa que sei filtrar bastante quando um torcedor só tá bravo e quer falar tipo: “Você tá jogando mal” e coisa assim do gênero, do que é a realidade do que precisa ser dito. Sabe?
Então é mais isso mesmo: meus agradecimentos. Agradeço por tudo mesmo, por ter tido essa oportunidade, as pessoas que tanto falaram bem quanto falaram mal — as pessoas que esperavam mais, outras que esperavam não tanto. Eu entreguei o que eu podia nessa série, com o pouco tempo que eu tinha, e é isso.
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