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“Isso não é sobre a RED, mas sim, sobre o todo”, diz Sté sobre RED MIA

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Na última semana, a RED Canids Kalunga anunciou o lançamento da sua sua nova iniciativa, o RED MIA, centro de treinamento exclusivo para o cenário feminino de Esports. O projeto foi idealizado por Stéphanie Schürmann, e nós do Mais Esports conversamos com ela para entender mais detalhes sobre essa iniciativa.

RED MIA projeto da RED Canids Kalunga
(Imagem: Divulgação/RED Canids Kalunga)

A história até a RED Canids e desenvolvimento do RED MIA

Apesar de Sté fazer parte da RED Canids há pouco tempo, ela tem um longo currículo quando se fala em marketing, com passagens por grandes empresas internacionais como Heineken e Adidas. Ela brincou logo de começo e disse que games não era o seu forte.

Como citei no anúncio eu sempre fui um pouco RED por ser casada com o Felipe (Corradini), mas eu nunca fui dos games e até brinco aqui dentro: gente, se alguém me pedir pra abrir o LoL, eu não vou conseguir fazer essa tarefa.

Somente em 2023 ela decidiu deixar o mundo corporativo e focar um pouco em suas descobertas pessoais, entretanto, foi ai que com a pressão da torcida da RED por causas mais sociais, Stéphanie realizou um estudo e ouviu torcedoras para entender as necessidades da comunidade.

Ano passado, resolvi parar um pouco do mundo corporativo e decidi tirar um tempo pra mim, ao mesmo tempo, a torcida da RED estava cobrando muito da organização quanto a causas, temas mais sensíveis. Foi quando o Felipe (Corradini) me deu a ideia de fazer um estudo pra gente aplicar, mas não foi com aquele pretensão de: “trabalhe aqui”, sabe?

E o primeiro passo foi: ouvir as meninas da torcida da RED. Já conhecia umas duas que tinha visto em algumas finais e pedi pra elas chamarem outras meninas que eram ativas na torcida que eu quero ouvir vocês. Basicamente, eu preciso entender o que vocês passam, porque eu não sei. Daquela reunião eu entendi: eu preciso entrar na RED, em abril do ano passado.

RED Canids novo uniforme
(Foto: Reprodução/RED Canids Kalunga)

O pilar principal: segurança no espaço de trabalho

Antes de criar o projeto, Stéphanie relatou que fez vários estudos, sobretudo com comprovações científicas de que não existe nenhuma diferença entre homens e mulheres durante a prática de esports. Além disso, ela afirmou que seu principal objetivo era criar um ambiente seguro para a comunidade feminina.

A questão para mulher é você se sentir segura em qualquer ambiente para você poder fazer aquilo que você veio fazer.

Seguindo no pensamento de fazer um ambiente confortável, Stéphanie não queria somente entregar uma line, pois segundo ela “Não vou criar o ambiente necessário”. Por isso, ela afirmou que um ambiente de trabalho exclusivo para as mulheres é o mais importante.

Se fosse para entregar somente um time feminino eu conseguiria, pois hoje na RED temos salas que conseguiríamos, mas meu maior ponto era: O quanto elas vão estar confortáveis? O quanto elas estarão focadas só na performance ou se elas vão se preocupar com outras coisas? Por isso o pilar da MIA é o conforto e a segurança.

Estágio da negação

Para criar projetos existem dúvidas e principalmente um auto confronto consigo mesmo. Stéphanie deixou claro que dentro de um sistema machista (da sociedade geral), qualquer coisa que não seja do agrado, gera dúvida.

Ela teve essas dúvidas, teve as vozes na cabeça, mas deixou o “e se” e resolveu manter o sonho, porque isso não é sobre a RED Canids, mas sim sobre um todo.

Aquele vídeo foi literalmente todas as vozes da minha cabeça me dizendo que eu não deveria fazer. Ficava o tempo inteiro ‘se não der certo isso, se não der certo aquilo, se eu conseguir apoio somente para um ano’, mas eu passei por todos ‘e se’.

Quero olhar para frente e ver que a MIA é um lugar de desenvolvimento para o cenário. Isso não é sobre a RED e nunca foi. Inclusive estudei e cogitei não colocar a organização junto, pois isso não é sobre vencer títulos, mas sim, sobre algo que precisa ser feito no cenário.

Camiseta Outubro Rosa, RED Canids Kalunga
(Foto: Reprodução/RED Canids Kalunga)

Por que ir além das proplayers?

Quando vemos alguns projetos normalmente eles trazem o foco para desenvolvimento de jogadoras profissionais, mas na MIA será diferente. Com fóruns voltados para o cenário feminino e desenvolvimento de outras áreas.

Se estamos montando uma estrutura, podemos pensar nela como um todo. Pensamos em soluções simples que podemos ajudar de alguma forma e esse insight veio da própria torcida. Se terei o local para desenvolver as jogadoras profissionais, porquê não ter salas pequenas onde as meninas podem marcar gratuitamente como elas quiserem para se desenvolverem?

Fortaleza feminina

A presença feminina no esports aumentou consideravelmente e vem ganhando seu espaço a cada ano que passa, entretanto, Stéphanie ainda vê que este ambiente pode ser maior e com mais presença nas lideranças.

De 3 anos pra cá a gente vê uma evolução, mas ela é muito lenta perto de um mercado que está em ascensão notória. O meu sonho com o RED Mia é viabilizar um lugar em que mulheres até mesmo de outros times, que não sejam pro players, possam agregar e se sentir seguras e somando ao cenário.

Ela mencionou que a gestão da maioria dos times de esports tem contatos entre si, mas não é comum ver uma rede de mulheres tão forte. Assim, ela não colocou somente gestoras de times, mas toda a presença feminina do esports, independente da área.

Os CEOs de times acabam tendo uma comunicação muito grande entre eles até pela questão de compra e venda de jogadores, mas para as mulheres não encontramos isso. Não sei quantas mulheres temos hoje em cada time/organização/veículos, se elas estão em posições de liderança ou não. Então, isso também é sobre trazer essas mulheres para perto e incomodar.

Paciência e empatia

Sté citou em seu texto após anúncio do projeto a paciência e a empatia, mas conhecemos a realidade não só do cenário. Ou melhor, a realidade do mundo é diferente. Como vai ser trabalhar essa empatia?

Não coloque expectativas de que eu vou resolver o mundo porque sozinha eu não consigo mudar tudo. A MIA é um movimento, mas não resolverá tudo e por isso, tenho muito respeito pelas mulheres que vieram antes de mim e as que virão depois, pois estamos todas juntas para chegar em lugares melhores e maiores.

A Sté explica que o RED MIA é um passo de um movimento, e não uma resolução do problema. E quando ela pede a paciência e empatia, não é porque o machismo dentro do cenário é diferente do mundo corporativo, “É bem parecido, pra falar a verdade”.

Só que na visão da Head de Marketing, a comunidade é muito acostumada a dizer o que pensam, mas sem muito filtro.

A torcida quer resultado, vai brigar com a RED para ter resultado, mas nesse projeto é necessário ter mais empatia porque as meninas não tiveram a mesma base que os homens tiveram para chegar onde chegamos. E, por isso, é necessário um olhar mais carinhoso.

Novo office da RED Canids
(Foto: Reprodução/RED Canids Kalunga)

A malditona da Vila Mariana

É importante destacar que o RED Mia também ficará na Vila Mariana, então o meme se mantém! Ele ficará a uma distância segura do CT da RED, ainda que não muito distante. Mas em que pé está o projeto?

Assim a gente não tem um Mundo Ideal ainda e tem muita coisa estamos correndo atrás. Temos algumas expectativas em criar algumas coisas, por isso que eu falei de paciência.

Não é um projeto que eu vou lá contratar as meninas, colocar a camiseta e vou falar ‘gente tá pronto!’ Vamos precisar de um pouco mais de tempo para conseguir fechar tudo e ter tudo que a gente gostaria, mas eu já posso dar um spoiler… Nossa grande expectativa é estar em setembro no terceiro split. Então, ainda esse ano, mas não é tão rápido quanto as pessoas gostariam assim.

Além disso, Sté afirmou que o objetivo da RED é montar três lines femininas/inclusivas nas modalidades de League of Legends, VALORANT e CS2.

Nossa maior prioridade é LoL, depois VALORANT e por fim, Counter-Strike.

Integração com o mundo misto: por isso RED e não só MIA

Apesar de terem centros de treinamentos diferentes, a RED buscará trazer as trocas de experiências entre os times femininos e mistos para fomentar ainda mais esse crescimento.

A nossa ideia é realmente pensar que não é só MIA, mas RED para ter essa troca e até por isso, pensamos em locais perto um do outro.

É sobre a comunidade inteira – da torcida da RED e das outras também

Atualmente no cenário de LoL, por exemplo, vemos uma comunidade feminina em crescente e a RED já fez alguns projetos como trazer embaixadoras e fazer alguns projetos voltados para o público feminina. Por fim, Stéphanie falou o quanto o RED MIA pode ser da comunidade e o que podem esperar.

Esse projeto já era da comunidade! Ele nasceu, pela comunidade nasceu pelo pedido. Todo mundo tinha uma expectativa e esse projeto já nasce pensado para torcida e eu acho que para o futuro é reforçarmos isso. A ideia que a gente consiga cada vez mais reforçar isso dentro da MIA e como conectar tudo.

Não é só sobre a torcida da RED, mas é sobre a comunidade inteira. Por isso que é tão importante ter todo esse espaço para criadoras de conteúdo e para qualquer mulher que queira se desenvolver de alguma forma. Só fui a porta-voz porque, literalmente, eu não jogo, não sou Gamer, não sentia as coisas que elas sentiram no ambiente, no cenário de esports, senti em outros momentos, mas não dentro da comunidade. Então acho que a ideia é realmente ser voz para todas.

O lançamento do RED MIA pela RED Canids Kalunga representa um passo significativo para a inclusão e o desenvolvimento das mulheres no cenário de Esports.

Ao integrar diferentes áreas além das jogadoras profissionais e promover a troca de experiências entre os times femininos e mistos, o RED MIA não apenas fortalecerá a presença feminina, mas também reforça o compromisso da comunidade em busca de um espaço mais inclusivo.

Raquel Ferreira

por Raquel Ferreira

Publicado em 04 de abril de 2024 • Editado há 2 meses

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