Já falamos da Ahri com Bastão das Eras, mas o competitivo vem tentando inovar demais com o item e de uma forma bastante questionável. A popularidade do alto nível foi transmitida para as Filas Ranqueadas, mas será que vale a pena mesmo?
O caso Bastão das Eras no competitivo
Antes de tudo: o Bastão das Eras já havia ganhado bastante espaço nas Filas Ranqueadas no patch anterior, impulsionado pela popularização da build de Ahri Bruiser. E aí começa uma sequência lógica:
- A Ahri passou a ser jogada mais como Maga de Controle do que como assassina;
- A build com Bastão das Eras funcionou muito bem nesse estilo;
- Então veio a pergunta: por que não testar isso em outros magos de controle?
Na época, os testes nas filas ranqueadas começaram a aumentar só depois das primeiras aparições no Tier 1 competitivo — especialmente no caso que mais vem ganhando força: o Viktor (mas a gente fala mais sobre isso depois).
Já no patch seguinte — que está em vigor no momento em que esta matéria é escrita —, o Bastão das Eras recebeu um buff direto no que tornava o item tão atrativo: a mana e o passivo de restauração de mana/redução de dano
E isso muda muita coisa, visto que reduzir dano é sempre interessante. Porém, isso não torna o item tão surreal, como foi para os jogadores profissionais. Podemos ver isto melhor com o…
Caso Viktor
O primeiro jogador a trazer o Bastão das Eras pro Viktor foi o Jojopyun, mid-laner da Movistar KOI (LEC) — e a estreia veio acompanhada de uma derrota.
Mas afinal, por que Viktor nunca fez esse item na história do competitivo?
A resposta é simples: Viktor é um campeão que precisa de poder de habilidade bruto, aceleração de habilidade e/ou DPS constante. Ele não é um mago de sustain ou que quer ganhar tempo — ele quer impactar constantemente, trazer várias explosões de dano e controlar zonas com a distância.
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Todo mid-laner que usa mana precisa de um item que garanta sua saúde de mana. E, tradicionalmente, o Viktor sempre encontrou isso no Abraço de Seraph, item que combina bem com seu estilo de jogo. Só que isso começou a mudar com a chegada da Tocha das Chamas Negras, que também é feita a partir do Capítulo Perdido e ainda por cima colabora com seu DPS constante.
E qual é o arquétipo histórico que é counter do Viktor? Os campeões que chegam perto dele! Isso não é “reduzido” pelo campeão ter mais ou menos vida, ter mais ou menos “tempo” durante as lutas.
Quer um exemplo? Dá uma olhada na build do Caps, mid-laner da G2, usada um dia antes da tentativa do Jojopyun:
Claro, sem o contexto do jogo, a comparação cai direto pro KDA — e aí o Jojopyun leva vantagem. Quando fez essa build mais resistente, ele terminou com o seguinte KDA:
Jojopyun causou 30 mil de dano em 43 minutos, enquanto Caps ficou nos 19 mil em 29 minutos. Se a gente mergulhar nos números, isso dá 669 de DPM (Dano por Minuto) pro Caps e 683 pro Jojopyun — uma diferença quase irrelevante, ainda mais considerando que o Jojo teve 14 minutos a mais pra inflar essa estatística.
Agora, olhando pra builds: Ahri de bruiser faz sentido. A Raposa de Nove Caudas já tem mobilidade de sobra, então ganhar mais tempo vivo no meio do caos só potencializa seu impacto. Mas aí vem a pergunta: e o Viktor?
Ele é o oposto — um campeão que não pode deixar ninguém chegar perto. Então por que colocar Vida numa build que deveria focar em zoneamento e burst de longe? É obrigação dele (e do time) manter a distância. Tankar não devia estar no plano.
Contraponto: no fim, tudo é sobre execução
Apesar de considerar algumas itemizações um tanto quanto questionáveis — como o caso da Taliyah do ShowMaker, que optou por Abraço de Seraph e Bastão das Eras, priorizando sustain de mana em vez de dano bruto — a verdade é que, no fim do dia, ele é o ShowMaker por um motivo.
Ele terminou a partida com 575 de DPM em apenas 29 minutos e 41 segundos, números relativamente baixos, mas ele foi eficiente no jogo. Às vezes, o que parece estranho na build/números, passa batido quando a execução é de outro nível.







