LoL: Ranger cita cobranças exageradas da comissão técnica do Flamengo em 2021

League of Legends
De:Bruno Rodrigues-
August 18, 2021

Durante o Combo Podcast, o jogador Ranger, ex-caçador do Flamengo, contou um pouco sobre como era a relação do time com a comissão técnica, que fazia cobranças exageradas em cima de todo mundo mesmo em situações de vitória. No mesmo podcast, o jogador já havia revelado que soube da sua demissão minutos antes do anúncio. 

Ranger revela problemas com a comissão técnica do Flamengo

O jogador revelou que o clima interno estava desgastante, ao ponto de em algum momento todos não quererem jogar devido à forma como as cobranças eram feitas. 

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Pra mim quando um time começa muito bem no campeonato, ou ele tem uma sinergia muito boa, ou os jogadores são muito bons individualmente. Para mim a nossa line-up era muito boa, todo mundo é bom individualmente. Quando a influência da staff começou a entrar na mente dos jogadores, começa a declinar, e no primeiro split foi algo bizarro que eu nunca vivenciei. Lembra o que eu falei do Tabe, que ele era super rígido e tals? No primeiro split foi muito pior, algo em um nível bizarro que eu nunca vivenciei.  

Veja a nossa entrevista com o Tabe, falando sobre a sua passagem pela KaBum em 2019. 

Estávamos só ganhando no campeonato e o clima era de morte, ao ponto de o jogador falar “eu não aguento estar aqui dentro, não quero estar aqui, me sinto mal e estou sendo violentado psicologicamente”, era algo bizarro. Chegou a um ponto de influência tão grande no nosso jogo que a staff chegava “não quero que você nunca ganke o bot, não temos bot lane, não quero que você pise no bot side e o arongueijo do bot não existe”, o nosso time por dentro estava esmigalhado. Jogar o jogo estava difícil, tinha setores que eu não podia pisar, foi um bagulho surreal e eu nunca vivenciei isso. 

Mudanças no segundo split e retorno dos problemas

LoL Ranger
Ranger também falou sobre feedbacks que teve após falar sobre a situação das cobranças. (Imagem: Divulgação/LoL Esports BR)

Ranger ressaltou que no segundo split eles conseguiram amenizar tudo e essas situações aconteceram com menos frequência, mas que em certo ponto o desgaste aconteceu até mesmo o Neturno, que tinha acabado de subir para o time principal. 

Isso aconteceu com todos os jogadores do time em algum ponto, de falarem que não queriam jogar, pedir para subir jogadores do academy. Foi algo surreal. 

Quando questionado se foi passado o feedback para a comissão técnica de que a forma de trabalho não estava legal, Ranger afirmou que isso aconteceu e que ele até recebeu algumas respostas sobre a situação. 

Recebi dois feedbacks. Um foi diretamente da pessoa, que me falou que um ambiente sem estresse, que não te dá vontade de chorar, não é produtivo. O outro foi a pergunta “vocês estão entregando o que está sendo pedido?” Tipo assim, ele dá um direcionamento de que vamos jogar de Caitlyn e pegar 10 barricadas (2 torres), daí conseguimos pegar só uma ele chegava e falava “eu falei para vocês pegarem 10 barricadas, porque pegaram só cinco?”. Tentávamos novamente, não conseguimos e ele falava ‘vocês são retardados? Eu falei para pegarem 10 barricadas, porque não estão fazendo isso?’. 

O caçador ressaltou que às vezes o feedback é dado e o jogador não está rendendo, então é um “malabarismo” definir até onde deve ser levada uma determinada abordagem, quando precisa ser mudada a abordagem e entender o lado do jogador, e quando precisa ser trocada alguma peça, seja ela jogador ou comissão técnica. “É um processo delicado para ver o que é melhor para o time, qual a melhor chance que o time tem de ganhar”.

Ranger disse que acha que a pausa do Absolut, por exemplo, foi justamente por essas situações. Ele ainda complementou dizendo que as cobranças faziam até os próprios jogadores mudarem suas perspectivas sobre os companheiros de equipe e como deveriam jogar. 

Todo dia alguém martelando na sua cabeça que não é para você fazer isso, que fulano está afundando o jogo, jogando errado, que só sabe jogar com dois picks, então você começa a pensar “pô, será que o cara é ruim mesmo? Será que ele está me afundando”. Isso mexe na relação do time, a sua abordagem com a pessoa muda, às vezes você muda o jeito de dar feedback, começa a cobrar mais a pessoa e até muda o seu estilo de jogo para compensar a deficiência de jogo da pessoa, então meio que a estrutura toda do time muda. 

Você pode conferir o episódio do Combo Podcast com o Ranger logo abaixo. O momento em que ele fala tudo o que foi descrito acima é nos 4:13:30.