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Embora o nome do projeto seja Wakanda Streamers, o coletivo não se fecha somente a esse ramo. Com o objetivo de reunir, integrar e fortalecer a comunidade preta, o projeto tem conquistado seu espaço no meio dos Esports e também atua fora dele.

Fundador da Wakanda Streamers, Tales Porphirio conversou com o Mais Esports e detalhou os objetivos do projeto que teve início após um “teste de pescoço” em uma plataforma de streaming.

“O teste do pescoço é que você, quando está passando na rua, só estica o pescoço para olhar por dentro da loja e faz a contagem de quantos negros tem ali dentro e o cargo que eles ocupam. O nosso trabalho surgiu de uma necessidade, que é algo histórico. Quando fui procurar outros streamers pretos, foi uma dificuldade enorme para achar”, declarou Tales.

Junto dele, Vinicius Oliveira, que streamava na época, também é fundador do projeto. A dupla começou a ir atrás de influenciadores para formar uma rede de comunicação entre negros e até nomes como Rashid e Emicida divulgaram o coletivo, o que alavancou a Wakanda.

Atualmente, a comunidade já se expandiu para muitos outros assuntos. No seu Twitter, Tales citou uma divisão em Ministérios como Artes, Fotografia e Cultura. Assim, os pretos que desejam estar em contato com essas áreas e em constante aprendizado, além de fomentar esse senso coletivo.

Wakanda Streamers fora das streams

O projeto leva no nome e na história da fundação a relação com as streams. No entanto, Tales viu a necessidade e a oportunidade de levar esse trabalho para fora do mundo dos games e inseri-lo na rotina dos negros.

“Nós divulgamos criadores de conteúdo como ilustradores no Instagram, vendedores de roupas, humoristas, músicos, arquitetos, vendedores de tapioca. É uma questão de comunidade para tentar fortalecer esse fluxo de informações”.

“Você está com fome? Temos vendedor de tapioca, entregador de pizza. Fazemos isso para sanar a exclusão econômica que existe. É difícil conseguir um emprego por causa da cor de pele. Se fizer um levantamento, confirmará o que vários estudos dizem. O preto recebe menos, a mulher preta ainda menos, isso quando são contratados. O projeto vem para sanar isso. Queremos trazer um fortalecimento sem a visão da competitividade porque tem lugar pra todos”, explica.

A responsabilidade nas streams

Em um momento de protestos acerca da importância das vidas negras mundo afora que resultaram em publicações de organizações e influenciadores dos Esports, Tales reforça a responsabilidade que esses criadores de conteúdo têm sobre seus viewers.

“O projeto tem valores, é composto por segmentos. O streamer, ao fazer o conteúdo dele ao vivo, está alcançando um público e ele gera não só um entretenimento, mas também um impacto. As opiniões dele têm impacto, tudo o que a pessoa fala vira jargão. A pessoa é idolatrada”.

Poucos streamers e influenciadores pretos

O meio dos Esports e dos jogos carece de nomes pretos. Poucos são os streamers de sucesso e os jogadores no cenário. Tales aponta que esse paradigma é um reflexo histórico.

Ele relata as dificuldades de negros alcançarem cargos mais altos, de serem majoritariamente destinados a empregos subalternos, o que dificulta a entrada em meios caros como das streams.

“Vai ver o preço de um computador gamer. Vê as necessidades de um streamer preto. Muitas pessoas da comunidade preta começam a trabalhar muito cedo. Não digo só de computador e de equipamento. Ao falar de fotografia, uma câmera você pode começar com R$2 mil a R$5 mil reais e ainda precisa de outros equipamentos, do aprendizado, para começar a trabalhar”, comenta.

Caso Dz7

Tales cita diversos casos de ataques racistas tanto em streams quanto nas redes sociais ao projeto devido a cor preta dos participantes, mas avisa que o “ideal é muito maior que qualquer coisa”.

E foi uma brincadeira de mau gosto que voltou a impulsionou o projeto nos últimos dias, principalmente o streamer Dz7. Durante uma stream, um espectador realizou uma doação falsa de R$4 mil para Dz7 e ele chorou ao vivo, sem saber que era mentira.

Tales comenta sobre o apoio que a comunidade da Wakanda deu ao streamer e qual é a verdadeira importância da divulgação do vídeo além do choro de Dz7.

“Nosso apoio foi essencial. O que ele passou foi muita sacanagem. Vai muito além do espetáculo de divulgar o vídeo dele chorando. O choro dele carrega toda a bagagem, toda a luta que ele teve, a crença que depositou naquela profissão de streaming e que ele concilia com sua profissão oficial”, disse Tales.

A situação teve um final feliz. Milhares de pessoas foram para a stream de Dz7, divulgaram sua transmissão e outros fizeram doações, como Gaules que doou os R$4 mil, além de ter anunciado que irá divulgar streamers pretos durante todo o mês de junho.

Como fazer parte da Wakanda

Para fazer parte da Wakanda, basta entrar em contato com o projeto ou os fundadores e pessoas designadas que lidarão com o pedido “sem grandes empecilhos”. O coletivo “não tem recursos para fazer pagamentos”, portanto, o trabalho será voluntário.

“Eu não cobro participação, não cobro taxa, nada de ninguém para entrar na Wakanda Streamers e nem pretendo. Se eu começar a cobrar, começo a gerar exclusões também”, finalizou.

A Wakanda Streamers está presente no Twitter, Instagram, Facebook e no Discord.

wakanda streamers
Foto: Wakanda Streamers/Reprodução