CS:GO: 2020, o conturbado ano do MIBR

CS:GO
De:Bruno Martins-
December 22, 2020

Em 2020, com diversas trocas de jogadores e a continuação do core com FalleN, fer e TACO, o MIBR não conseguiu desempenhar um bom CS:GO, o que foi minando a confiança da equipe e da torcida. Derrotas para equipes poucos expressivas no cenário mundial colocaram o MIBR em lugar no qual não era o seu por sua história e conquistas.

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MIBR teve um ano conturbado. Foto: Reprodução

Mesmo com jogadores renomados, com qualidade acima da média e que todos sabiam do potencial, a equipe não conseguiu evoluir. A cobrança de torcedores, imprensa e personalidades, com razão, foi virando uma bola de neve até que a pressão foi demais para os dirigentes suportarem.

Além desse episódio, uma série de processos contribuiu para um ano do MIBR muito aquém das expectativas, com muitas polêmicas, maus resultados e, por fim, uma revigorada na equipe com a adição de novos jogadores. O Mais Esports relembra agora como foi o ano conturbado do MIBR.

O começo do ano

O MIBR começou o ano com FalleN, fer, TACO, kNg e meyern, um bom elenco, com jogadores renomados e uma promessa argentina. No entanto, os resultados não apareceram nas primeiras competições. Foi o início do fim do MIBR que conhecemos, pelo menos no diz respeito aos jogadores.

Mesmo com um 2019 abaixo do normal para uma equipe que já fora diversas vezes campeã, o 2020 começou com uma ponta de esperança para os torcedores. No entanto, com as constantes eliminações e mal desempenho nos campeonatos o hype foi diminuindo e a pressão para cima dos jogadores só foi aumentando.

A cada competição, uma nova eliminação. E a cada nova eliminação, mais cobrança. Isso virou uma bola de neve que nunca mais iria acabar, pelo menos até a saída do core multicampeão.

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Formação do MIBR no começo de 2020. Foto: Divulgação

Excessivas trocas de players

Uma das ações mais criticadas pela comunidade eram as insistentes troca de jogadores. E isso não é exclusividade do ano de 2020, já que desde que foram contratados pela tag brasileira, em 2018, isso acontece. Saídas precoces de Stewie2K, tarik, boltz, felps entre outros são exemplos. A excessiva troca de jogadores não permitia uma evolução de um elenco específico.

Se algum jogador não dava certo, era substituído. Esse movimento é perigoso: não dá chance da escalação se conhecer, evoluir na comunicação e no teamplay e pode deixar desconfiado algum outro jogador que venha a compor a equipe no futuro.

As mudanças não provocaram a queda da equipe. Não sozinha. Ela foi mais um elemento, em um conjunto, que levou à dissolução da equipe.

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meyern, quando era jogador do MIBR. Foto: Divulgação/MIBR

Falta de comunicação

Outro ponto importante levantando era a falta de comunicação da organização com o público brasileiro. Essa questão foi levantada, principalmente, por Gaules em uma de suas streams. Outras personalidades, imprensa também criticavam o posicionamento da marca.

Parafraseando o streamer brasileiro, os dirigentes do MIBR deixavam o elenco lidar com todas as questões, seja de jogo ou de administração. Com isso, as críticas eram direcionadas aos jogadores e dead, que representava o staff da organização.

Assim como nos esportes tradicionais, questões extracampo interferem no andamento e no desempenho da equipe em campeonatos. A cabeça dos atletas não conseguem focar na questão esportiva, pois sempre há algo para ser resolvido, que não diz respeito ao jogo em si.

Polêmicas

Dentro do servidor, o MIBR se envolveu em algumas polêmicas. Tanto com equipe americana, quanto com conterrâneos, a equipe que foi capitaneada por FalleN deu o que falar no cenário do CS:GO mundial.

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FalleN, ex-jogador do MIBR. Foto: Stephanie Lindgren

O primeiro episódio aconteceu com a equipe da FURIA. Durante uma partida na Inferno valida pela BLAST Premier: Americas Finals, houve uma discussão entre as equipes que começou com um erro no servidor no qual FalleN e fer ficaram travados e não conseguiam jogar. Sem saber do ocorrido, os jogadores da FURIA continuaram a rodada, o que foi criticado por jogadores do MIBR.

O segundo episódio, e mais grave, foi a polêmica partida contra a Chaos. Inspirado, o jogador leaf da equipe americana foi acuso pela torcida de usar trapaça durante o jogo contra o MIBR na cs_summit. Até FalleN, após ver o clipe da jogadas, admitiu que o jogo do adversário era suspeito. A situação não pegou bem para a imprensa do cenário internacional, que criticou durante os jogadores do MIBR.

Seguindo com a polêmica, o perfil da Chaos começou a fazer brincadeiras com a comunidade brasileira. Os próprios jogadores também não ficaram quietos após a partida. Mesmo com meses passados da partida, atletas da Chaos alfinetavam o MIBR o quanto podiam.

Bug do coach

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Dead pela SK Gaming (Foto: HLTV)

E não foi só na questão esportiva que o MIBR não ia bem. Se não bastasse os resultados dentro do servidores serem ruins, fora dele, as coisas também não estavam normais, por assim dizer. Dead, manager do MIBR e coach, foi banido por seis meses em agosto por conta do uso do chamado ‘bug do coach’.

O bug, que mantinha a visão do treinador travada em uma localização do mapa, permitindo que ele visse aspectos e táticas do adversário que não deveria, foi usado por dead em uma partida RMR durante uma rodada da série contra a Yeah, equipe que dead tem participação como sócio.

Após a divulgação do uso de bug, dead se defendeu nas redes sociais dizendo que era uma “acusação injusta”, mas não reverteu a punição que recebeu.

A polêmica saída do core

Com todos os problemas, a direção gringa do MIBR decidiu dispensar TACO, fer e dead da equipe. A reformulação, como todo o ano da organização, foi conturbada e não aconteceu de maneira amistosa.

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fer durante o StarLadder Major Berlin. Foto: Igor Bezborodov/StarLadder

A saída de antigos companheiros de equipe fez com que FalleN, líder do elenco e que não concordou com as demissões, pedisse para ir ao banco de reservas. Com isso, apenas trk e kNg continuavam no time dos que estavam presentes ali.

Os dois jogadores restantes também não curtiram muito a saída dos ex-companheiros de equipe. Atual capitão, kNg discordou publicamente da atitude da direção do MIBR e expôs seu descontentamento, que foi compartilhado por trk, que apenas de posicionou dessa maneira.

As polêmicas não ficaram apenas dentro do elenco. Crítico de como a direção tomava as decisões, Gaules foi duramente criticado por dead e kNg após a saída do core da organização. O streamer, por sua vez, disse que entendia as críticas, mas que não iria comentar o assunto.

A nova MIBR

A saída repentina de FalleN, fer e TACO deixou o MIBR rodeada de dúvidas. Ainda com dois campeonatos para serem disputados, a equipe contava com apenas dois jogadores, A corrida contra o tempo começou e, ao final da contagem regressiva para o começo das competições restantes, o MIBR anunciou cogu como treinador, LUCAS1, sem contrato, e os empréstimos de v$m e leo_drk, da DETONA e Sharks, respectivamente.

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Nova equipe da MIBR. Foto: Reprodução/MIBR

O anúncio dos jogadores e do treinador gerou um hype gigante na torcida e em toda a comunidade brasileira do CS:GO. A contratação de v$m, muito pedido pelos fãs, com seu carisma inconfundível e mira calibrada foi um dos fatores que elevou as expectativas. Além dele, leo_drk também foi celebrado como um jovem com grande potencial.

Mesmo com o hype, ninguém esperava que o MIBR desempenhasse um bom jogo logo de cara, mas foi o que aconteceu. Com apenas uma semana de treinamento, a equipe fez sua estreia contra a Astralis e apesar de ser derrota, a partida foi celebrada pelos torcedores e imprensa.

Na ocasião, o MIBR demonstrou um ritmo muito bom de jogo e uma mira que surpreendeu a todos e que, inclusive, tirou um mapa dos dinamarqueses. A apresentação foi tão apreciada que dupreeh, astro da Astralis, foi ao Twitter elogiar o jogo dos brasileiros.

Não há jogo coletivo bom sem um individual ajeitado. Isso foi um dos grandes fatores que contribuiu para as boas apresentações do MIBR. Destaque no Brasil, v$m brilhou em mapas e convenceu até a comunidade internacional de jogo nível no CS:GO. Uma prova disso é a crescente campanha #FreeVSM que ganha a comunidade a cada boa partida do jogador.

E não foi apenas v$m que se destacou. Também novo na equipe, leo_drk também convenceu a todos que pode atuar em alto nível fora do Brasil contra grandes equipes do cenário mundial do CS:GO. Remanescente da antiga formação, trk foi outro que se destacou em rounds decisivos no qual abria o bombsite com uma facilidade incrível.

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leo_drk e trk. Foto: MIBR

Somado ao comando de kNg, que também desempenho muito bem, o MIBR conquistou novamente os torcedores depois de um ano com muitas derrotas, pressão e resultados ruins. Com isso, o ano de 2021 promete para os torcedores, mas também existem dúvidas.

Expectativas para 2021

O 2021 do MIBR ainda é incerto. Os jogadores emprestados ainda estão em fase de negociação e ainda não há uma definição quanto a permanência de v$m e leo_drk na equipe brasileira. Para grande parte da torcida e da imprensa, a renovação desses atletas é essencial para uma evolução mais precisa.

Mesmo com questões contratuais para serem resolvidas, o MIBR já gera muitas expectativas para a temporada competitiva de 2021. Antes, com uma equipe sem um bom desempenho no cenário, agora a torcida tem esperança de ver a equipe voltar a disputar as competições para vencer.

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